Delator: Cunha ficava com 80% da propina no FGTS

Ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto revela em delação premiada que o deputado afastado Eduardo Cunha decidia os investimentos que seriam feitos com base nos valores solicitados e mandava "melar" aportes que fossem de interesse do PT; cobrança de propina junto às empresas ficava a cargo de Cunha e do empresário Lúcio Funaro, preso nesta sexta-feira; Cunha nega as acusações

Ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto revela em delação premiada que o deputado afastado Eduardo Cunha decidia os investimentos que seriam feitos com base nos valores solicitados e mandava "melar" aportes que fossem de interesse do PT; cobrança de propina junto às empresas ficava a cargo de Cunha e do empresário Lúcio Funaro, preso nesta sexta-feira; Cunha nega as acusações
Ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto revela em delação premiada que o deputado afastado Eduardo Cunha decidia os investimentos que seriam feitos com base nos valores solicitados e mandava "melar" aportes que fossem de interesse do PT; cobrança de propina junto às empresas ficava a cargo de Cunha e do empresário Lúcio Funaro, preso nesta sexta-feira; Cunha nega as acusações (Foto: Gisele Federicce)

247 – O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ficava com 80% da propina paga em um suposto esquema de liberação de recurso do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal, revelou em delação premiada o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto.

Segundo ele, Cunha decidia os investimentos que seriam feitos com base nos valores solicitados. Ele indicava quais lhe interessavam e pedia para que Cleto trabalhasse para aprová-los. Da mesma forma, o deputado mandava reprovar os investimentos que fossem de interesse do PT, dando ordem para "melar" esses aportes.

A cobrança de propina junto às empresas, segundo Fábio Cleto, ficava a cargo de Cunha e do empresário Lúcio Funaro, preso nesta sexta-feira 1º pela Polícia Federal, em nova fase da Operação Lava Jato, chamada Sépsis. O percentual de 80% para Cunha foi citado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no pedido de prisão de Funaro enviado ao STF.

Carta de renúncia

Em outro trecho da delação, Cleto conta ter assinado uma carta de renúncia ao seu cargo de direção na Caixa Econômica, o qual assumiu em 2011, a mando de Eduardo Cunha. Segundo ele, o documento poderia ser usado pelo seu padrinho político caso Cleto não quisesse colaborar no esquema de corrupção. A delação de Fábio Cleto foi um dos elementos que embasou a operação da PF deflagrada hoje.

Em nota, Cunha desmentiu ter recebido qualquer “vantagem indevida” e disse que a indicação de Cleto para a Caixa foi feita pela bancada do PMDB do Rio de Janeiro. “Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas”, defendeu. Leia a íntegra:

Desconheço o conteúdo da delação, por isso não posso comentar detalhes. Reitero que o cidadão delator foi indicado para cargo na Caixa, pela bancada do PMDB/RJ, com meu apoio, sem que isso signifique concordar com qualquer prática irregular. Desminto, como aliás já desmenti, qualquer recebimento de vantagem indevida. Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas. Desafio qualquer um a provar a veracidade dessas delações como também qualquer vinculação, de qualquer natureza, com as contas mencionadas por esses delatores

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