Delator entrega 750 mil áudios que indicam propinas a PT, PSDB e MDB

Um acervo de 750 mil gravações telefônicas da corretora de valores Hoya, responsável por entregas de propina para a Odebrecht e para a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor), aponta pagamentos em dinheiro vivo para operadores do PT, PSDB, MDB e diversos outros partidos alvos da Operação Lava-Jato

Delator entrega 750 mil áudios que indicam propinas a PT, PSDB e MDB
Delator entrega 750 mil áudios que indicam propinas a PT, PSDB e MDB (Foto: Esq.: Reprodução)

247 - Um acervo de 750 mil gravações telefônicas da corretora de valores Hoya, responsável por entregas de propina para a Odebrecht e para a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor), aponta pagamentos em dinheiro vivo para operadores do PT, PSDB, MDB e diversos outros partidos alvos da Operação Lava-Jato. Os áudios foram entregues à Polícia Federal pelo doleiro Álvaro José Novis em seu acordo de delação premiada. Os relatos foram obtidos pelo jornal O Globo.

Márcio Amaral, funcionário da corretora responsável por organizar os pagamentos, conversou com um advogado chamado Sebastião Eduardo Alves de Castro, ex-funcionário da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) no governo de São Paulo, ligado a Marcos Monteiro, ex-secretário de Planejamento e ex-tesoureiro de campanha de Alckmin. Em delação premiada, a Odebrecht apontou Monteiro como recebedor dos pagamentos de caixa dois.

Um gravação indicou pagamento destinada à campanha de Alckmin em 30 de abril de 2014, dia que, segundo o sistema de propinas da Odebrecht, corresponde a um repasse de R$ 1 milhão com a senha Cedro. O destinatário final seria a campanha tucana.

Amaral telefona neste dia para uma pessoa de nome João Batista e confirma a senha Cedro para a entrega. A Odebrecht repassou R$ 7,8 milhões para o caixa dois de sua campanha em 2014, de acordo com ação de improbidade do Ministério Público de São Paulo contra Alckmin.

Amaral também conversou por telefone com o operador do PT William Ali Chaim Chaim 76 vezes, entre julho de 2014 e maio de 2015, segundo registros telefônicos entregues à Polícia Federal. 

Chaim avisa a Márcio que a programação das entregas era “extensa” e chega a reclamar que estava faltando dinheiro. Em 26 de setembro de 2014, Márcio telefona para o operador com o objetivo de esclarecer o assunto.

Chaim: "Os dois pacotes vieram escritos 250 e a comanda deles veio escrito 250. Um pacote veio com 250 e um pacote com 200". Márcio responde: "Ah tá. Eles ainda estão aí?".

Chaim: "Você entendeu, não? Tão aqui, quer falar com eles?". Márcio: "Não, faz o seguinte. Fica com o conteúdo e esses malotinhos aí externos dá pra eles levarem. Mas daqui a pouco eu vou te mandar a diferença aí".

O funcionário da corretora também entrou em contato com o emissário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), Altair Alves Pinto, e confirma se o dinheiro foi pago ou avisa dos horários das entregas. Em 3 de abril de 2014, Amaral avisa: “Amanhã, 10h, de 10h às 11h”.

Em 3 de outubro de 2013, Altair atendeu o telefone avisando que a entrega foi efetivada. “Fala meu amigo, tudo certo”. A Odebrecht relatou repasses de ao menos R$ 20 milhões para Cunha ao longo de diversos anos.

Procurada, a defesa de Cunha não respondeu. Altair não retornou aos telefonemas da reportagem.

 

 

 

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