Deputado tucano diz que, se pudesse, visitaria Carlinhos Cachoeira na cadeia

Amigo pessoal do bicheiro, Carlos Leria no renega a amizade e alfineta o deputado Protgenes Queiroz, que, segundo ele, poder recuar no pedido de CPI

 Deputado tucano diz que, se pudesse, visitaria Carlinhos Cachoeira na cadeia
Deputado tucano diz que, se pudesse, visitaria Carlinhos Cachoeira na cadeia (Foto: Divulgação)

247 – O jornal Tribunal do Planalto trouxe, neste fim de semana, uma interessante entrevista com o deputado Carlos Leréia (PSDB/GO), que admite seu gosto pelos jogos de azar e não renega sua amizade com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Leréia, que é também amigo do governador Marconi Perillo, disse ainda que, se pudesse, visitaria Cachoeira na prisão. Leia:

"Não fui visitá-lo (Carlinhos Cachoeira) porque não se pode ir lá"

O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB), citado na Operação Monte Carlo, defende a legaligação dos jogos no País, mas diz não ter recebido dinheiro da contravenção

O deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) é amigo pessoal do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na operação Monte Carlo, usado de explorar máquinas caça-níqueis e jogo do bicho em Goiás, no Distrito Federal e outros três estados. Para Leréia, não há problema nessa amizade. O tucano disse que só não foi visitar o amigo porque ele não pode receber visitas. Leréia diz ainda que tem apoio político da família do empresário, mas nega que tenha recebido dinheiro de Cachoeira para suas campanhas. Sobre a CPI que pode ser criada na Câmara Federal para investigar a ligação de Cachoeira com políticos, o deputado foi irônico ao dizer que agora o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) terá de incluir no texto que justifica a criação da CPI o nome do também deputado Rubens Otoni (PT), depois que a revista Veja publicou, em seu portal, vídeo em que Otoni negocia com Cachoeira. Sobre sucessão, Leréia aposta no trabalho do governador Marconi Perillo (PSDB), reclama do PSD ter filiado adversários e agora querer respaldo da base governista e avalia de forma positiva a candidatura de Leonardo Vilela em Goiânia. Carlos Alberto Leréia recebeu a reportagem da Tribuna em seu escritório político na sexta-feira, 9.

Tribuna - Em Goiânia o PSDB acertou ao lançar o Leonardo Vilela como candidato?

Carlos Alberto Leréia - O partido tinha de escolher um pré-candidato. Havia vários nomes. Uma hora tinha de fazer a 'gata parir'. O partido definiu pelo Leonardo, que é uma pessoal altamente qualificada. Um político experiente, competente, e que sabe fazer gestão. Leonardo veio da medicina, depois se tornou um líder na agricultura e depois o Marconi convidou ele para ser secretário. Todos se lembram do trabalho extraordinário que ele fez na secretaria de Agricultura, depois ele foi secretário de Infraestrutura do Estado e agora, recente, com secretário de Meio Ambiente. É uma pessoa que tem conhecimento, tem preparo, tem disposição e tem vontade de fazer as coisas. É um candidato leve e que tem tudo para crescer.

Mas esse processo deixou algumas rusgas no PSDB?

Essas rusgas ficam, mas o próprio processo eleitoral fará com que isso fique no passado e todos tem de ter um compromisso com Goiânia.

E é da responsabilidade do candidato buscar todo mundo?

Claro. O candidato joga um papel importante. A figura central de uma eleição é o candidato. Você pode ter o apoio que for, mas é o candidato que assume o papel central. E o Leonardo é uma pessoa que tem personalidade, que tem disposição. Por isso que ele foi escolhido candidato do partido. Ele dará conta de fazer isso.

O deputado Jovair Arantes (PTB) tem dito que é candidato independente do PSDB. É legitima a postulação dele?

Totalmente legítima. O Jovair já foi vice-prefeito de Goiânia, já foi vereador aqui. Minha candidatura aqui não seria legítima. Eu nunca ocupei essas funções aqui. Agora, a pessoa que tem de avaliar quais as condições que ele tem para ser candidato. Legitimidade ele tem. Eu não ajudo porque sou partidário. Mas é uma candidatura que respeito muito, porque ele tem ligação histórica com Goiânia.

O sr. defende mais de uma candidatura?

Melhor se firmasse em um nome só. Mas política é estratégia. Isso depende de conversar. Agora, existe legitimidade por parte dele. E isso não impede que o PSDB tenha o seu candidato. Isso é uma cobrança que eu fiz na eleição passada. O PSDB não teve candidato em 2004 e nem em 2008. Agora o PSDB tem de ter candidato. E o Jovair eu só não defendo a candidatura dele porque não é do PSDB.

Qual será a participação do governador Marconi Perillo?

O papel do governador Marconi será de governar o Estado. Até ter as definições, esgotar as negociações o governador tem de manter essa isenção. Agora, lá na frente quando definir, o Marconi, que é político, nunca ficou em cima do muro em eleição nenhuma, convivo com ele há quase 30 anos... Ele não pode por o governo em prol de candidatura.

Em eleições passadas, o governador teve uma atuação muito forte. Comenta-se que ele não vai entrar com tanta força dessa vez. É isso mesmo?

O momento não é de fazer política, ele não é candidato. Quem tem de fazer política são os candidatos. Agora, lá na frente ele vai fazer sim. Ele é político. Isso é uma colocação errada de quem não entende de política. Político nunca deixa de fazer política. Isso é 'conversa para boi dormir'.

Até por que precisa, não é?

Claro, ele sobrevive disso. E outra questão: é um compromisso que Marconi tem. Ele disputou eleição. Ele teve apoio. Ele não ganhou a eleição sozinho. Ele teve apoios importantes. Em 2014, se ele não for candidato, alguém será apresentado por ele e vai precisar de apoio. E ele vai cobrar de quem? É preciso do contato e jamais Marconi ficará distante do processo eleitoral.

Talvez seja o momento mais difícil que o governador atravessa, já que a administração não deslanchou. Isso pode ter reflexos na eleição?

O governo está se comunicando, o governador não tem ficado quieto, tem procurado resolver os problemas. Correu atrás do dinheiro para resolver as estradas. Renegociou a Celg.

Como o sr. avalia a administração do prefeito Paulo Garcia em Goiânia?

Eu avalio que se o prefeito tivesse feito o dever de casa, o feijão com arroz, ele era imbatível nessa eleição. Agora, ele se mostrou tão incompetente para gerenciar, talvez porque pegou a equipe do outro... Agora, ele tem uma prefeitura com uma boa arrecadação, uma boa relação com o governo federal, tem tido uma relação respeitosa com o governador, mas ele não dá conta. O problema é lá mesmo. É gerencial. Você tem uma via de acesso importante que é a Marginal Botafogo fechada porque ele não deu conta terminar a obra do Mutirama. O brinquedo, o Parque Mutirama, virou brincadeira. Em Goiânia, eles fazem uma intervenção e só piora. Olha, há muitos anos eu não via em uma grande cidade brasileira uma administração tão incompetente. O Iris, você concorda ou não com ele, tinha uma experiência. Ele sabe mandar. Mandava até demais. Mas com o Paulo só acontece rolo. As coisas não se realizam. Uma coisa simples que é reformar um parque zoológico demora. O parque Mutirama vira caso de polícia. Onde chegamos? Ele tem boa relação na Câmara, não tem atrito com ninguém. Mas eu vejo que ele não dá conta. Esse que é o detalhe. Não basta ser honesto para ser prefeito. Eu confesso que como prefeito, Pedro Wilson foi um dos mais fracos aqui de Goiânia, Ele é uma boa pessoa, mas como prefeito não deu conta. E considero Paulo Garcia pior do que o Pedro Wilson.

O sr. acha que isso tem a ver com o estilo do PT?

Não, muitos petistas governaram bem. O Darci [Accorsi] foi um bom prefeito, fez muita coisa. As coisas aconteciam. O próprio prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, você vê que a prefeitura dele tem rumo. As coisas acontecem. Aqui, falta comando, talvez porque a equipe era do Iris e não quis obedecê-lo ou não percebeu isso, ou quiseram boicotá-lo.

Como está a sucessão em Luziânia, que é base política do sr.?

Lá não definiu quais serão as candidaturas. O governador Marconi não vai deixar que o grupo que o apoiou se divida. Marconi tem contato o prefeito Célio Silveira, uma dos principais aliados, e lá tem a questão do Cristóvão (Tormin) do PSD. Então lá não vamos disputar com aliados. Vamos disputar com os adversários históricos: PT, PMDB. Lá com certeza a mão firme do governo para decidir quem será o candidato. Até porque esses partidos que tem comissão provisória o candidato pode ser retirado a qualquer momento. O governador precisa ficar atento.

Mas e o Cristovão?

O Cristóvão tem uma comissão provisória. Ele não tem direito de ser candidato.

Mas o Célio não tem um nome hoje.

Mas tem de construir uma candidatura consensual na cidade. Luziânia é uma cidade que Marconi teve uma votação extraordinária e ninguém pode ser candidato na marra. Eu tenho 7 mil votos em Luziânia e quero ser ouvido sobre tudo.

E o PSD?

O PSD pegou muito adversário nosso e colocou como candidato. Isso precisa ser avaliado. Tem muitos locais, assim. Por que vamos pegar esses caras para disputar contra aliados nossos? Isso tem de conversar caso a caso. Não pode deixar usar nossa estrutura para massacrar nossos companheiros. Isso precisa ser conversado, mas as coisas ainda estão muito prematuras para se tomar uma decisão.

O sr. sempre foi um dos grandes defensores do governador. O sr. está mais quieto ultimamente, por que?

O governador na época era senador, então eu ficava aqui fazendo esse trabalho. Agora o governador tem um monte de secretários, de deputados. Então ele era sacaneado aqui, e eu fazia esse trabalho. E outra coisa, eu gosto de bater quem está por cima, hoje Braga, Alcides, todos eles estão por baixo.

Na operação Monte Carlo o sr. é citado por ter recebido ligações de Carlinhos Cachoeira. O sr. é amigo dele?

Eu liguei para ele, sou amigo pessoal dele há muitos anos. Sou amigo dele, da família dele, frequento a casa dele. Eles me ajudaram eleitoralmente. Em 2005, eu depus no Conselho de Ética e disse isso, então eu não sou amigo dele às escondidas. Eu não fui visitá-lo porque não pode ir lá, eu teria visitado. Mas liguei para a ex-esposa dele, perguntei pelos filhos. Liguei para o irmão dele. E eu acho uma hipocrisia não legalizar os jogos, eu sou favorável à legalização. O Brasil perde receita, todos os governos no país não tem condições de conter a entrada de drogas no Brasil.

O fato de ele ser um contraventor, porque os jogos não são legalizados, significa que o dinheiro dele para campanhas vem dos jogos, não?

Até 2005 o jogo dele era legalizado em Goiás, a Gerplan tinha um contrato, assinou com o Maguito. Por exemplo, eu sou amigo de um dono de uma emissora de rádio, mas no dia em que ele perder a concessão eu não vou virar inimigo dele? Agora essa relação de campanha eu não tenho, tenho relação eleitoral, o sobrinho dele me apoiou lá em Anápolis. Eu prestei contas da minha campanha.

O sr. crê que ele tenha relações de campanha com Demóstenes e Marconi?

Não tenho informação. Uma das buscas disso ai é muito mais com intuito eleitoral. Se eles foram atrás porque o Carlinhos é amigo de algumas da oposição no Brasil, ele também é amigo de gente dos outros partidos, do PMDB, PT.

A revista Veja divulgou um vídeo do Carlos Cachoeira com o Rubens Otoni.

Eles são de Anápolis. Cachoeira tem amizade com muita gente. Agora tem uns que assumem, outros ficam constrangidos. Eu assumo, até porque vários jornalistas já me viram com ele. Não acho que seja um desgaste, até porque se fosse assim eu me encontraria com ele às escondidas. Nós já saímos juntos até em colunas sociais.

A tentativa do Protógenes de criar uma CPI na Câmara, como o sr. vê isso?

Eu vi os termos dele, agora ele tinha colocado os nomes do Marconi e do Demóstenes, mas agora vai ter de mudar, vai ter de incluir o nome do Rubens Otoni, e de outros envolvidos. Vai ter de mudar o texto.

O sr. acha que com esse vídeo sobre Rubens Otoni essa CPI pode nem sair?

Não sei dizer, porque como já tem uma investigação na Polícia Federal. Eu sempre vi CPI como um teatro, por isso nunca participei de CPI. Como já tem a investigação da justiça federal, do ministério público federal, então, eu acho que não precisa fazer teatro.

O sr. fala que é amigo do Cachoeira. Mas e em relação ao senador Demóstenes, que sempre teve a ética como bandeira, que cobrou mandato de quem tem qualquer deslize. Como o sr. analisa isso?

Eu só falo por mim. A minha conduta é essa e não mudo. Há uns anos o Carlinhos foi depor em Brasília no Senado e eu fui lá cumprimentá-lo, e isso está em vídeo. Eu não sou desonesto, mas não preciso ter isso como plataforma. Quando você vê um sujeito defendendo demais alguma coisa, pode saber que atrás daquilo está escondendo alguma coisa. Eu não tenho essas frescuras, eu tenho convívio com o Carlinhos, é claro que eu não sei quais os bens que ele tem e os que estão no nome da mulher dele.

O sr. sabia que ele tem ligação com os jogos, não é?

Sim, até porque o jogo foi registrado em Goiás. Em relação às maquinas quando a Gerplan operava. Agora eu não sabia que ele tinha máquinas novamente. Mas se tivesse me falado eu não teria cortado a amizade com ele. Tenho amigos que usam drogas. Eu não tenho amigos traficantes, porque ai eu não misturo.

Mas a declaração do senador Demóstenes foi de que não sabia que ele mexia com jogos...

Não, eu conheço a família dele toda, todos os irmãos. Eles têm muitas atividades, o Carlinhos tem um instituto de pesquisas que é referência, além de um laboratório. Agora em relação à questão do jogo, tem muitos que saem pra fora do Brasil para jogar. Tem muita hipocrisia. O Carlinhos não traficou, não matou, a questão do jogo é uma contravenção, um risco. Eu não posso dar apoio a contraventor, mas não sou polícia para fiscalizar jogo.

Pela lei Pelé e pela lei Zico isso era tudo aprovado, não é?

Sim, os bingos eram legalizados. E outra coisa, essas caça-níqueis nos Estados Unidos, lá você tem chance de ganhar, agora aqui não ganha. Aqui está tudo fraudado. Um dia eu estava jogando no hotel do Hard Rock Café perto de Miami, coloquei um dólar e ganhei quase 4 mil, e eu paguei o imposto na hora. Que dia que um cara vai conseguir fazer isso aqui? Nunca, porque está tudo fraudado, não tem controle. Na Europa você joga com cartão de créditos, não se joga com dinheiro, eles sabem que está jogando.

Pelo visto o sr. gosta de jogar?

Gosto. Claro que gosto. Já fui em Las Vegas, não nego. Não gosto de jogo do bicho. É muito hipocrisia, porque muitos que vão para fora, vão para jogar. O jogo ilegal aqui é cheio de corrupção, e isso porque não legalizam. Não tem como proibir, as pessoas se reúnem em um quarto e jogam. Sou contra a proliferação de jogo, mas tem de legalizar e controlar. É preciso cobrar altas taxas de imposto de jogos, álcool e cigarro, até para direcionar o dinheiro para algumas áreas – até para recuperar os viciados compulsivos.

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