Dilma: “As elites brasileiras não têm pudor”

De passagem pela Argentina para receber um prêmio, a presidente deposta declarou, em entrevista ao portal Página 12, que o atual governo é muito mais autoritário do que ela pensou que seria; "Muito mais. As elites não têm pudor"; Dilma Rousseff defendeu eleições diretas, reforma política e a "discussão de uma lei de democratização dos oligopólios midiáticos brasileiros"; declarou que na Lava Jato, é necessário "se provar que não sabia"; "E como se provar que você não sabia? Seria testar o absurdo", afirma; segundo ela, "hoje, no Brasil, a Constituição não é a Constituição. A Constituição é o que os ministros do Supremo Tribunal dizem que é"; sobre o depoimento do ex-presidente Lula, resumiu: "Como falou verdades com paixão, dignidade e honra, ele foi magnificamente bem"

www.brasil247.com - Brasília - DF, 13/04/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista à imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Brasília - DF, 13/04/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista à imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Foto: Gisele Federicce)


247 - De rápida passagem pela Argentina para receber o Prêmio Rodolfo Walsh, da Universidad de La Plata, a presidente deposta Dilma Rousseff discorreu sobre o cenário político no Brasil um ano após a deflagração do golpe parlamentar que a tirou do poder, o julgamento do ex-presidente Lula e seus planos para o futuro em uma entrevista ao portal Página 12.

Sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, Dilma comentou: "Como Lula falou verdades com paixão, dignidade e honra, ele foi magnificamente bem. Ele denunciou algo que acontece no Brasil e poderia estar acontecendo em outros países. Ele disse que um dos casos de acusação não está sob o estado de direito democrático: a grande mídia. Os grandes meios produzem um julgamento prévio. Não há julgamento explícito, não há direito de defesa e não há debate. Se produz uma condenação civil, um desmantelamento da moral da pessoa. A destruição física acaba com o inimigo. A destruição através de lawfare, de guerra jurídica, quer esmagar a cidadania do indivíduo, destrói o direito civil de se manifestar".

A respeito das acusações contra ela própria, Dilma afirmou que precisa provar que não sabia dos malfeitos pelos quais é acusada de saber, o que é um absurdo. "Te acusam de saber. E como se provar que você não sabia? Seria testar o absurdo. É um lado terrível da violência institucional dos últimos tempos. Mesmo para além do lawfare, o conceito é que a pessoa deve provar que ela não sabia nada dos atos ilícitos de que é acusada. Tudo está mudado. Hoje, no Brasil, a Constituição não é a Constituição. A Constituição é o que os ministros do Supremo Tribunal dizem que é."

Questionada sobre uma eventual candidatura a um cargo parlamentar, Dilma disse que "é necessário analisar cada circunstância concreta", mas ressaltou que nunca deixou de participar da política em sua vida, desde os 16 anos, mesmo sem ter tido nenhum cargo público. Segundo ela, é preciso "reverter a derrota democrática" que se constituiu com o golpe "com um convocação de eleições diretas, pela realização de uma reforma política, pela discussão de uma lei de democratização dos oligopólios midiáticos brasileiros".

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Perguntada se o atual governo é mais autoritário do que pensava, Dilma respondeu: "Muito mais. As elites não têm pudor".

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