Dilma minimiza intriga com Levy: foi mal interpretado

Presidente declarou ter "clareza" de que o ministro da Fazenda foi "mal interpretado" em declaração nos Estados Unidos; jornal Folha de S. Paulo noticiou na manchete de domingo que Levy teria dito que Dilma nem sempre faz as coisas de maneira fácil e efetiva, embora tenha o desejo genuíno de acertar; o ministro, que já havia lamentado o episódio em nota, negou hoje ter criticado a presidente e acrescentou ter "enorme afinidade" com Dilma Rousseff; mercado reage bem ao apoio de Dilma a Levy; dólar e juros caem, bolsa sobe

Presidente declarou ter "clareza" de que o ministro da Fazenda foi "mal interpretado" em declaração nos Estados Unidos; jornal Folha de S. Paulo noticiou na manchete de domingo que Levy teria dito que Dilma nem sempre faz as coisas de maneira fácil e efetiva, embora tenha o desejo genuíno de acertar; o ministro, que já havia lamentado o episódio em nota, negou hoje ter criticado a presidente e acrescentou ter "enorme afinidade" com Dilma Rousseff; mercado reage bem ao apoio de Dilma a Levy; dólar e juros caem, bolsa sobe
Presidente declarou ter "clareza" de que o ministro da Fazenda foi "mal interpretado" em declaração nos Estados Unidos; jornal Folha de S. Paulo noticiou na manchete de domingo que Levy teria dito que Dilma nem sempre faz as coisas de maneira fácil e efetiva, embora tenha o desejo genuíno de acertar; o ministro, que já havia lamentado o episódio em nota, negou hoje ter criticado a presidente e acrescentou ter "enorme afinidade" com Dilma Rousseff; mercado reage bem ao apoio de Dilma a Levy; dólar e juros caem, bolsa sobe (Foto: Gisele Federicce)

247, com Reuters - A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi mal interpretado ao fazer comentários sobre ela durante uma palestra e afirmou que não há motivos para criar complicações por conta do episódio.

No fim de semana o jornal Folha de S.Paulo divulgou declaração de Levy em inglês durante evento fechado em São Paulo em que ele afirmou que Dilma tem um "desejo genuíno" de acertar as coisas, mas às vezes não da "maneira mais efetiva".

Ao comentar em nota pessoal a declaração, Levy argumentou que suas palavras foram mal interpretadas, avaliação que também foi feita por Dilma ao falar com jornalistas após entregar unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida no Pará.

Ela declarou que Joaquim Levy foi "mal interpretado" e que ficou "bastante triste" com a repercussão de sua declaração.

"Em política, vocês sabem que às vezes eu não posso seguir um caminho curto porque eu tenho de ter o apoio de todos aqueles que me cercam. Então, tem a questão de construir consensos. Eu acho que é nesse sentido que ele falou e não tem por que criar maiores complicações por isso. Ele já explicou isso exaustivamente. Ele ficou bastante triste com isso e me explicou", disse.

Em evento em São Paulo, Levy reforçou essa posição ao criticar o fato de a imprensa ter destacada um trecho sem importância da fala dele nos Estados Unidos. Fizeram "um banzé em cima do truísmo [obviedade] de que, numa empresa, muitas vezes se trabalha sob pressões e nem tudo acontece de forma ideal", disse ele, segundo a Folha.

DIFICULDADES PASSAGEIRAS

Dilma disse que Levy tem trabalhado na negociação das medidas do ajuste fiscal que dependem de aprovação do Congresso Nacional e reforçou os argumentos do governo em defesa dos cortes de gastos. Segundo a presidenta, o país depende do ajuste para voltar a crescer.

A presidente reiterou no evento do Pará que as dificuldades que o país está atravessando são passageiras. "Sem fazer este ajuste nós fomos até onde pudemos, absorvendo no orçamento fiscal do país todo os efeitos da crise", disse, em referência à situação da economia mundial.

"Nós estamos fazendo uma coisa que se faz. Você tende a adequar a sua política econômica, toda a sua ação, a mudança da realidade. Eu tenho certeza que o Brasil volta a crescer se a gente fizer esta movimentação", disse.

Dilma disse ainda que quando os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram revistos, falaram que o Brasil cresceu muito pouco em 2014. "Ninguém diz que os dados da solvência do país melhoraram todos. Estamos agora com 58 por cento da dívida bruta sobre o PIB", disse.

A presidente afirmou ainda que depois dos ajustes fará "várias reformas". "Antes dos ajustes não farei. Eu quero dizer para vocês que tem várias reformas que temos que fazer depois dos ajustes", acrescentou.

(Texto de Maria Pia Palermo)

Joaquim Levy nega crítica e diz que tem "enorme afinidade" com Dilma

Daniel Mello - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse hoje (30), em São Paulo, que tem uma "enorme afinidade" com a presidenta Dilma Rousseff na visão de longo prazo da economia. "Não há nenhuma desafinação", enfatizou, ao comentar as declarações em uma palestra na última semana, na escola de negócios da Universidade de Chicago e que foram interpretadas como uma crítica à presidenta.

Durante almoço promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) para 600 empresários, Levy voltou a negar que tenha criticado Dilma. "A presidenta tem sido absolutamente explícita e genuína sobre seus objetivos", ressaltou.

Segundo o ministro, na ocasião ele quis dizer que, mesmo com a vontade da presidenta, às vezes é difícil colocar em prática algumas medidas. "A gente nem sempre consegue tudo o que a gente deseja em um processo democrático, e isso é bom."

O ministro acredita que as medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso. "A gente tem tido sucesso em conversas que, em um primeiro momento, não pareciam que estavam encaminhadas", informou ao explicar as negociações do governo com os parlamentares para aprovação das propostas.

De acordo com Joaquim Levy, o objetivo do governo é reduzir os próprios gastos ao patamar de 2013. " A gente não tem discutido quantidade, quantos bilhões vamos cortar. Mas que fique claro que, com relação à programação financeira, aquele gasto que a gente pode controlar, o objetivo é trazer para o nível de 2013. Isto exigirá grande disciplina", esclareceu.

Para o ministro, isto representa uma redução de aproximadamente 30% dos empenhos feitos pelo Executivo. Apesar de defender a redução de gastos, Levy admitiu que não será um processo simples. "Cortar na carne é importante, mas não é fácil, porque não tem muita carne.".

Joaquim Levy ressaltou a importância do planejamento dos gastos e desonerações de tributos, de modo que as contas continuem equilibradas. "Não podemos criar novas despesas que venham a exigir novos impostos. Ou sair cortando impostos, sem ter ajustado as despesas" concluiu.

 

Abaixo, reportagem do portal Infomoney sobre a reação do mercado ao apoio de Dilma a Levy, com queda do dólar e dos juros e alta da Bolsa:

Ibovespa sobe com estímulo na China; dólar e DI viram para queda

Por Ricardo Bomfim 

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (30) com espera por estímulos na China. Também impacta a Bolsa as indicações da presidente Dilma Rousseff (PT) aos ministérios da Comunicação Social e da Educação, que podem trazer um alívio à tensão política e beneficiar o ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Às 14h45 (horário de Brasília), o benchmark subia 2,14%, a 51.166 pontos, enquanto o dólar comercial ficava praticamente estável, registrando leve baixa de 0,05%, a R$ 3,2388, na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caía 0,07 ponto percentual, a 13,49%, enquanto o DI para janeiro de 2021 subia 0,13 ponto percentual, a 13,03%.

Nos casos do câmbio e dos juros, as críticas de Levy à presidente Dilma, podendo atrapalhar sua negociação no Congresso, fizeram pressão compradora pela manhã. No entanto, Dilma já negou que os comentários do seu ministro tivessem causado mal-estar, afirmando ter certeza de que ele foi mal interpretado. Ela ainda disse que Levy ficou muito triste com a repercussão do caso. Apesar disso, na terça, o ministro da Fazenda falará no Senado e deve ser bombardeado com perguntas a respeito dessas declarações. 

No noticiário econômico, mesmo com as mudanças da revisão metodológica, que impactaram positivamente os números do PIB brasileiro, o balanço de riscos é muito desfavorável para a atividade econômica nos últimos meses, conforme ressalta o Credit Suisse. Com isso, o banco revisou para baixo a expectativa de contração do PIB em 2015, passando de contração de 0,5% para contração de 1,3%.

Entre os indicadores, hoje foi divulgado o relatório Focus do Banco Central, com a mediana das projeções de economistas para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão do PIB para o fim de 2015 caiu de uma retração de 0,83% para uma ainda maior, de 1%. Já no caso da taxa Selic, a projeção foi de 13% para o final do ano para 13,25%.

Ações em destaque No noticiário corporativo, a Petrobras  deve publicar seus balanços do terceiro e quarto trimestres no dia 13 de abril, segundo informações da Veja. Na semana passada, a companhia havia comunicado que a próxima assembleia com acionistas iria ocorrer dia 29 de abril. As ações da petroleira (PETR3; PETR4) subiam.

Ainda sobre a estatal, a Petrobras estuda implementar um plano de ressarcimento pelos danos causados no esquema de corrupção da operação Lava Jato que inclui a cobrança de indenizações das empreiteiras envolvidas no esquema. Um grupo de trabalho envolvendo a estatal e a AGU (Advocacia Geral da União) estuda um plano de ressarcimento que garanta caixa para a estatal e condições para que as empresas possam retomar os projetos paralisados. Os ADRs (American Depositary Receipts) da petroleira negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) subiam 1,05%, a US$ 5,76.

A Eletrobras (ELET3; ELET6) também era destaque. A companhia reduziu o prejuízo no quarto trimestre para R$ 1,174 bilhão, ante R$ 5,4 bilhões no mesmo período do ano anterior, informou a companhia na noite de sexta-feira. A receita operacional líquida da empresa teve crescimento de 64,3% na comparação anual, para R$ 9,781 bilhões, com as receitas da Celg D, cuja aquisição do controle acionário foi aprovada por acionistas em setembro.

Desconsiderando esse efeito, a receita operacional líquida foi de R$ 8,522 bilhões de outubro a dezembro do ano passado. Segundo o Santander, as ações da empresa devem reagir negativamente aos números. Para os analistas, o resultado melhor no mercado spot (à vista) foi ofuscado por provisões maiores, impairments e resultados da unidade Madeira.

Apesar das perspectivas apontarem para estímulos na China este ano, os papéis da mineradora Vale (VALE3; VALE5) operavam em terreno negativo por conta dos preços do minério de ferro, que atingiam nova mínima histórica. Pela manhã foi noticiado que a China planeja cortar até 80 milhões de capacidade excedente de produção de aço nos próximos três anos para lidar com um quadro de excesso de oferta que mergulhou o setor siderúrgico em uma crise, de acordo com uma autoridade do governo chinês. O gigante asiático, principalmente suas siderúrgicas, é o principal mercado consumidor do produto da Vale. 

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