Dirceu diz que PSDB tem "vocação autodestrutiva"

"A divisão do PSDB na capital paulista, na maior cidade do país, depois de uma derrota histórica para o PT - que elegeu prefeito Fernando Haddad -, só comprova a falta de liderança e a vocação autodestrutiva do tucanato", escreveu o ex-ministro José Dirceu, em seu blog, nesta sexta-feira; Dirceu, que foi apontado pelo acórdão da Ação Penal 470 como o responsável por organizar o mensalão, analisa o racha do PSDB em São Paulo, que pode levar o ex-governador José Serra a deixar o partido apesar dos apelos de Alckmin e FHC

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247 - "O PSDB está se convertendo num partido de vendettas", avalia o ex-ministro José Dirceu. Em texto publicado em seu blog, Dirceu aproveitou a crise no PSDB paulista para dizer que o tucanato tem "vocação autodestrutiva". Nesta semana, o vereador Andrea Matarazzo, um dos aliados mais próximos do ex-governador José Serra no partido, abandonou a disputa pelo comando do PSDB paulista depois de alegar ter sido sabotado por secretários do governo Geraldo Alckmin. 

O ex-presidente Fernando Henrique e o governador Alckmin tentaram colocar panos quentes na questão, na tentativa de evitar a debandada de Serra para o recém-criado Mobilização Democrática (MD), mas os desentendimentos reforçaram as impressões de que o ex-governador não se sente mais bem na legenda, principalmente depois de o senador Aécio Neves (MG) ter sido aclamado em São Paulo, em cerimômia na qual foi lançado para a presidência nacional do partido por Alckmin.

Leia a análise de Dirceu:

Racha na capital paulista comprova vocação autodestrutiva do PSDB

A divisão do PSDB na capital paulista, na  maior cidade do país, depois de uma derrota histórica para o PT - que elegeu prefeito Fernando Haddad -, só comprova a falta de liderança e a vocação autodestrutiva do tucanato. Pego em flagrante impondo uma derrota humilhante aos serristas, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) faz de conta que não é com ele.

Assim, deixa a conta para os arqui-inimigos de José Serra, confortavelmente instalados nas secretarias do governo do próprio Alckmin - os secretários de Estado de Energia, José Aníbal, de Meio Ambiente, Bruno Covas, e de Planejamento, Júlio Semeghini. Eles elegeram um assessor de uma das secretarias como presidente do diretório municipal da capital, o ex-deputado Milton Flávio (da Energia), derrotando o candidato do serrismo, vereador Andrea Matarazzo.

Racha partidário exposto, em meio ao ranger de dentes dos serristas, o governador Alckmin joga para a plateia, ou melhor, para estes seus próprios "aliados": agora diz que desaprovou o resultado da eleição para a presidência do diretório do PSDB da capital paulista. "Não gostei da decisão. A minha posição sempre foi clara: deve haver entendimento, uma executiva em que todos participem. Era a oportunidade do Andrea ser presidente do partido."

É sua resposta à acusação que lhe fazem os tucanos ligados ao ex-governador José Serra de que o governador se omitiu na disputa interna, o que teria facilitado a ação dos seus três secretários, que articularam contra o vereador. Questionado sobre a ação de seus assessores diretos, Alckmin foi enfático. "O que eu recomendei: o Andrea presidente, mas todos façam um bom entendimento. Agora, eu não sou coronel para ficar obrigando as pessoas a votar. Acho que não foi uma boa decisão."

Após o episódio, Matarazzo insinuou que pode debandar do PSDB. O destino seria o Mobilização Democrática, da fusão PPS-PMN, para o qual José Serra foi convidado e estuda migrar. E o PSDB está se convertendo, assim, num partido de vendettas: Alckmin, por baixo do pano, não apoia Serra em nada porque este não o apoiou quando ele disputou a prefeitura de São Paulo em 2008; José Serra nunca apoia ninguém a não ser ele mesmo; e Alckmin e Serra nem escondem que não apoiam a candidatura presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG) porque o senador os derrotou em Minas quando eles foram candidatos a presidente em 2002, 2006 e 2010.

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