É o fim de um ciclo, diz Jairo Nicolau sobre crise política

Para o cientista político e professor da UFRJ, a instabilidade do governo Michel Temer não é apenas uma crise política, ela representa o fim de um ciclo de quase 40 anos na democracia brasileira; para ele, "a eleição de 2018 será parecida com a de 1989", com "todo mundo" querendo "ser anti-Temer, assim como todo mundo era anti-Sarney"; "Espero que o Brasil que discute política no Whatsapp não peça passagem anulando o voto", opina

Para o cientista político e professor da UFRJ, a instabilidade do governo Michel Temer não é apenas uma crise política, ela representa o fim de um ciclo de quase 40 anos na democracia brasileira; para ele, "a eleição de 2018 será parecida com a de 1989", com "todo mundo" querendo "ser anti-Temer, assim como todo mundo era anti-Sarney"; "Espero que o Brasil que discute política no Whatsapp não peça passagem anulando o voto", opina
Para o cientista político e professor da UFRJ, a instabilidade do governo Michel Temer não é apenas uma crise política, ela representa o fim de um ciclo de quase 40 anos na democracia brasileira; para ele, "a eleição de 2018 será parecida com a de 1989", com "todo mundo" querendo "ser anti-Temer, assim como todo mundo era anti-Sarney"; "Espero que o Brasil que discute política no Whatsapp não peça passagem anulando o voto", opina (Foto: Charles Nisz)

247 - O professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jairo Nicolau acredita que a instabilidade do governo Michel Temer não é apenas uma crise política. Para o cientista político, ela representa o fim de um ciclo de quase 40 anos na democracia brasileira. Em entrevista para a Revista Exame, ele analisou o cenário político brasileiro atual.

Para ele, o sistema político não falhou, mas havia erros na relação entre partidos e políticos com o mundo empresarial. Segundo o professor, tais falhas institucionais atingem também outros órgãos de controle, como os Tribunais de Contas e o Tribunal Superior Eleitoral - na opinião do acadêmico, o TSE não deveria ter aprovado as contas de campanha da chapa Dilma-Temer.

De acordo com Nicolau, não basta mudar o financiamento de campanha ou o modelo eleitoral. Segundo o pesquisador, "não basta proibir as doações de campanha empresariais ou adotar o modelo eleitoral alemão - tido como o modelo mais eficiente. "É preciso mudar toda a cultura política, o debate na sociedade e a relação dos partidos com ela.

Na avaliação de Nicolau, a eleição de 2018 representa um ponto de virada, uma reconfiguração do poder no Brasil. O professor da UFRJ apresenta três aspectos dessa virada: PT, PSDB e PMDB sairão muito afetados das investigações da Lava Jato; outras forças políticas podem emergir também em nível estadual e haverá uma redistribuição do poder na Câmara e no Senado.

"A eleição de 2018 será parecida com a de 1989", aponta Nicolau. Na percepção dele, "todo mundo vai querer ser anti-Temer, assim como todo mundo era anti-Sarney na eleição de 29 anos atrás". Para o pesquisador, "o Brasil que discute política no Whatsapp vai pedir passagem em 2018" e ele espera que "não seja anulando o voto".

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