Empresa portuária da nova investigação contra Temer atua sem contrato

Protagonista da mais recente investigação aberta contra Michel Temer, o grupo Rodrimar  ocupa uma área no porto de Santos "sem respaldo" de contrato com o poder público, segundo o governo federal, e tem autorização apenas de liminares para atuar em outros dois terminais; o grupo  teve sua concessão prorrogada por 35 anos, em maio, graças a uma canetada presidencial; o Ministério Público Federal suspeita que dois dirigentes da companhia tenham operado propina para Temer;  o ex-assessor de Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi gravado em interceptações telefônicas defendendo a ampliação de alcance do decreto presidencial que beneficiaria empresas portuárias com contratos antigos, firmados até o início dos anos 1990

rodrimar
rodrimar (Foto: Giuliana Miranda)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - Pivô da mais recente investigação aberta sobre Michel Temer, o grupo Rodrimar ocupa uma área no porto de Santos "sem respaldo" de contrato com o poder público, segundo o governo federal, e tem autorização apenas de liminares para atuar em outros dois terminais.

Os contratos do grupo em três setores do porto expiraram em 2013 e 2014, o que obrigou a empresa a buscar medidas judiciais para continuar operando. O plano do governo federal, ainda na gestão Dilma Rousseff, era licitar e fazer novos contratos nas áreas ocupadas pela companhia no litoral paulista.

A ocupação dos outros dois terminais da Rodrimar em Santos está ancorada em liminares, em casos com idas e vindas no Judiciário.

O grupo teve sua concessão prorrogada por 35 anos, em maio, graças a um decreto presidencial.

Na última segunda (2), a procuradora-geral Raquel Dodge pediu ao Supremo Tribunal Federal para que Temer, o diretor-presidente da Rodrimar, Antonio Celso Grecco, e um diretor da empresa, Ricardo Mesquita, fossem ouvidos no inquérito sobre os portos.

Em conversa gravada com Rodrigo Rocha Loures, Ricardo Saud, da JBS, mencionou Mesquita e Grecco ao falar de supostos repasses de dinheiro vivo, o que fez os investigadores levantarem suspeitas sobre a proximidade deles com Temer. As gravações foram feitas na mesma época das negociações finais sobre o decreto dos portos.

O teor defendido por Rocha Loures para o decreto atendia ao pleito das empresas do setor, criando a possibilidade de prorrogação de contratos firmados antes de uma lei de regulação do setor portuário, em 1993.

Em telefonema para o ex-deputado na véspera da assinatura, Mesquita reclama do texto do decreto.

O porto é conhecido como uma área de influência política do grupo de Temer desde os anos 1990.

As informações são de reportagem de Felipe Bachtold na Folha de S.Paulo.  

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247