“Energética”, Dilma vê Lula em São Paulo. Paz e amor?

Sem desmentir frases que lhe são atribuídas sobre candidatura à reeleição, presidente larga na frente para a disputa; "Sou candidata à reeleição e uma candidata energética", disse ela a um interlocutor; ex-presidente Lula faz recuo tático que leva assessores a dizerem que sua candidata "é a Dilminha"; ela terá de se impor ao PT chefiado por Lula; ele precisará de um desgaste de Dilma na economia para realizar seu sonho; qual será a estratégia vitoriosa para subir a rampa do Planalto em 2014?

“Energética”, Dilma vê Lula em São Paulo. Paz e amor?
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Marco Damiani _247 – Surfando numa onda de popularidade que, no curto prazo, só tende a crescer, a presidente Dilma Rousseff tem saboreado, uma a uma, todas as frases que lhe têm sido atribuídas sobre sua própria candidatura à reeleição em 2014. Primeiro, um interlocutor soprou para a imprensa ter ouvido dela que seu mandato "é de oito anos". Antes, a notícia de que Dilma garantira ao vice Michel Temer, do PMDB, o lugar ao seu lado na futura chapa igualmente não mereceu retoques do Palácio do Planalto. Nesta sexta-feira 25, quando ela aterrissa em São Paulo para o aniversário da cidade – e para um encontro pessoal com Lula --, o que está na mídia é um posicionamento definitivo da presidente, transmitido a um interlocutor: "Eu sou candidata à reeleição e uma candidata energética". O que vier a mais será mais desse mesmo.

Nem a Presidência da República nem o Instituto Lula confirmam o encontro entre a presidente e o ex. Em outras ocasiões nas quais eles se encontraram, a mesma dissimulação se deu. Dilma e Lula vão marcando suas relações políticas por afagos em público e encontros secretos. É um jeito de fazer a coisa.

Os que desde o primeiro dia do mandato de Dilma incensaram e apostaram numa divisão explícita entre Dilma e Lula, no entanto, ainda terão de esperar para verem suas profecias realizadas. Antecipando-se ao avanço da presidente, o ex-presidente igualmente vai se utilizando de terceiros para marcar sua posição. "Nossa candidata é a Dilminha", dizia o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, durante intervalos de seminário internacional com a presença de Lula, em São Paulo, no início da semana, a quem quisesse ouvir.

Em Paris, no final do ano passado, Dilma e Lula, durante três horas, tiveram sua última conversa pessoal - e a mais tensa. Nas vésperas, logo depois do estouro do caso Rosemary Noronha, o ex-presidente fora atingido por um petardo desferido pelo publicitário Marcos Valério, que, oficialmente, na Procuradoria Geral da República, disse que pagara despesas pessoas do então presidente. O ex estava uma fera. Fulo. Em discurso, ele colocou seu bloco na rua falando uma hora sobre economia, e menos de um minuto sobre política: "Espero que um dia, se eu voltar a ser candidato, eu tenha o apoio deles (empresários)", disse Lula. Foi o que bastou para ser visto novamente como dentro do páreo.

Sabe-se que a conversa entre Dilma e Lula não foi fácil para nenhum deles. Mas a presidente, outra vez disciplinada como boa militante de esquerda que é, cumpriu seu papel de solidariedade com o mentor político. Dilma saiu do encontro para, imediatamente, fazer a defesa de Lula. Ela ainda disparou telefonemas para que seus ministros, no Brasil, acordassem do choque das acusações contra Lula e igualmente saíssem falando bem dele. Na hora do aperto, Lula pode contar com Dilma.

Agora, porém, é diferente. A presidente parece considerar que seu compromisso com o ex já está cumprido. Ela considera a reeleição um direito, muito mais que uma opção, o mesmo que foi exercido, com sucesso, por Fernando Henrique e pelo próprio Lula. O ex-presidente também sabe dessa preferência da mandatária, tanto que tem liberado sua equipe para dizer que, não, ele não é candidato: apoia, isso sim, Dilma.

Mas não é bem assim. Com um mesmo objetivo, que só um deles pode alcançar em 2014, Dilma e Lula finalmente dão passos em direções opostas. Publicamente, ainda não há motivos para que eles demonstrem essa divisão, mas já está claro o jogo de cada um. A presidente antecipa a sua própria sucessão, fiel ao seu estilo à la Leonel Brizola de fazer política, e procura se impor ao PT como nome natural para 2014. Lula, ao contrário, tira o pé do acelerador, para deixar Dilma passar. Mas só por agora. Irá no vácuo da caravana dela. Colocando-se como principal articulador da base aliada da presidente, ele vai estar presente em todas as costuras políticas da eleição do próximo ano. Escalou-se para isso, será procurado, esse é, para ele, um papel natural. Se Dilma já escolheu Michel Temer, Lula, hoje, mira o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como seu parceiro de chapa. Nova diferença.

O irônico e paradoxal nesta história é que, a partir de agora, o sucesso do governo Dilma será o fracasso do projeto de Lula. Caso a economia venha a ter acentuados os seus atuais tons de cinza, os problemas do governo Dilma serão o esteio para a candidatura de Lula. Mesmo como uma alta performance, porém, ainda assim a presidente precisará de Lula para ter o PT aos seus pés. A sorte de cada um deles está lançada. Os puros tempos de paz e amor acabaram.

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