Gilberto Carvalho diz que 'Lula está alegre' e se sentindo de 'alma lavada'

“Ele [Lula] sempre dizia que, entre a liberdade e a honra, ele escolhia a honra. Então, começa a acontecer com o Lula um fenômeno de uma alegria imensa de perceber que tudo aquilo que ele dizia, dizia e dizia e ninguém dava bola está acontecendo", afirmou o ex-ministro Gilberto Carvalho

Sul21, por Luís Eduardo Gomes - Em Porto Alegre para participar de um debate sobre os rumos da esquerda no Brasil, o ex-ministro Gilberto Carvalho disse na noite desta quinta-feira (28), em entrevista ao Sul21, que ex-presidente Lula está alegre e ficou revitalizado com as revelações feitas pelo site The Intercept Brasil na série de reportagens conhecida como Vaza Jato, a respeito das relações entre o ex-juiz e agora ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. 

“Ele sempre dizia que, entre a liberdade e a honra, ele escolhia a honra. Então, começa a acontecer com o Lula um fenômeno de uma alegria imensa de perceber que tudo aquilo que ele dizia, dizia e dizia e ninguém dava bola está acontecendo. O enfrentamento que ele fez ao Moro e ao Dallagnol dizendo que era mentira, dizendo que aquilo era falsidade, que era manipulação, está acontecendo”, disse o ex-ministro, reforçando que para Lula "a honra é tudo".

Carvalho, que é um dos petistas mais próximos do ex-presidente, destaca que as lideranças do partido ficaram tristas com a decisão do Supremo Tribunal Federal de, na última terça-feira (25), não conceder habeas corpus a Lula. No entanto, ele avalia que é possível perceber uma mudança de cenário na sociedade e no próprio Supremo que devem resultar na liberdade do ex-presidente. 

“O Moro hoje, para mim, é como se fosse uma estátua que está profundamente trincada. Eles vão fazer de tudo para impedir que ela rache, que ela vire pó, porque ele é o garantidor da eleição”, afirma. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que o castelo começou a cair e não há mais o que segure. Só que é necessário um certo tempo”.

No entanto, o ex-ministro diz que a liberdade de Lula não significará a imediata restauração da imagem do partido, que, segundo ele, ainda terá uma difícil tarefa de reconexão com as bases e de enfrentamento de um ambiente cultural que foi gradativamente ocupado por setores conservadores da sociedade, como as igrejas evangélicas. 

“A nossa luta vai ter que levar em conta uma grande capacidade de diálogo com o povo, de voltar a conversar com o povo, numa sociedade que se modificou. Não é a sociedade de 80, não é a classe operária de 80, não é a juventude de 80, é a juventude pós toda a revolução tecnológica, nas mídias sociais e nas formas de comunicação”, diz.

Confira a seguir, a íntegra da entrevista com Gilberto Carvalho no Sul21.

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