Haddad: Ciro terá dificuldade em 2022, pois perdeu sua identidade

O ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) afirmou que dois políticos "terão dificuldade até 2022". "Na esquerda, o Ciro, e, na direita, o (João) Doria (PSDB). Pelas mesmas razões, razões muito parecidas. Uma dificuldade muito grande [que eles têm] de se descolar daquilo que ajudaram a construir. Você não consegue ter identidade", disse

(Foto: Dir.: Nacho Doce - Reuters)

247 - O ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) afirmou que  o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) terá dificuldades em 2022, caso disputa novamente a eleição presidencial. De acordo com o ex-prefeito de São Paulo, "este país só vai encontrar a paz no dia em que Lula subir a rampa do Planalto".

"Tem duas figuras que terão dificuldade até 2022, na minha opinião. Na esquerda, o Ciro, e, na direita, o (João) Doria (PSDB). Pelas mesmas razões, razões muito parecidas. Uma dificuldade muito grande [que eles têm] de se descolar daquilo que ajudaram a construir. Você não consegue ter identidade. As pessoas começam a não ter segurança no que você, de fato, representa. Acho que isso está acontecendo com os dois", disse o ex-prefeito de São Paulo ao site Uol.

Na entrevista, Haddad voltou a defender a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o PT tem "densidade eleitoral, enraizamento na sociedade e legado". 

"Lula é um político incomum. Isso é reconhecido pelos adversários. [São necessárias] muitas décadas para você ter uma pessoa com o destaque político do Lula. Perguntei para ele: e aí, presidente? Ele [respondeu]: eu vou estar com 77 anos", diz.

Críticas a Bolsonaro

Ao comentar os dez primeiros meses da gestão de Jair Bolsonaro, Haddad disse que 2019 "é um ano que o Brasil perdeu dez, mas ele ganhou um. Ele sobreviveu um. Essa é a conta que o governo faz".

"Ele dialoga com minorias apaixonadas que têm presença na sociedade brasileira. As pessoas que não têm apreço à democracia, que gostariam de ver o país submetido a uma nova ditadura; tem um pessoal que é, do ponto de vista religioso, fundamentalista. Essa pessoa não se confunde com a primeira, acha legal a democracia, mas quer um estado fundamentalista, com valores religiosos em tudo", acrescenta.

Haddad afirmou, ainda, que "a direita foi aniquilada no processo eleitoral. PSDB e MDB implodiram durante o governo [Michel] Temer. E surgiu uma pessoa sem projeto, congregando perspectivas bastante incongruentes".

"Você tem os amantes do mercado a todo custo, gente que não tem nenhum apreço pela democracia, e quer saída autoritárias para crise, que é a turma do [Sergio] Moro e os militares. E tem a turma fundamentalista que quer o estado teocrático no Brasil, que é Damares, Weintraub, Araújo e o Salles. Que compõem um quarteto fantástico na questão fundamentalista".

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