Haddad pede retomada de diálogo com quem votou em Bolsonaro

"O povo desta região não fugiu da luta. Mas agora temos que convencer o povo lá do Sul e Sudeste a botar a mão na consciência", disse o presidenciável petista, durante agenda em Recife (PE)

(Foto: Foto: Ricardo Stuckert)

Brasil de Fato - Na manhã deste sábado (31) o ex-ministro da Educação Fernando Haddad participou de manifestação em defesa da liberdade do ex-presidente Lula. O ato, no bairro de Casa Amarela, reuniu - segundo organizadores - cerca de 5 mil pessoas em frente ao mercado público, periferia do Recife. Em discurso de menos de 10 minutos, Haddad pediu que militância seja paciente, mas não abra mão de retomar o diálogo com amigos e familiares que votaram em Jair Bolsonaro.

Ao criticar ataques institucionais e verbais contra mulheres, indígenas e nordestinos, o petista disse que "esse foi o presidente que nós [de outras regiões do país] botamos, não o Nordeste". "O povo desta região não fugiu da luta. Mas agora temos que convencer o povo lá do Sul e Sudeste a botar a mão na consciência", opinou. "Como o Nordeste entende o que está acontecendo, é hora de fazer a diferença", convocou. Na avaliação do ex-ministro, a população não aprova o atual alinhamento do Brasil aos Estados Unidos. "O povo quer manter a soberania", afirmou.

Haddad pediu que a base militante do PT retome as relações com os amigos e familiares que votaram em Bolsonaro. "Todo mundo conhece alguém que foi morar lá no Sudeste, ou mesmo que mora aqui, mas que votou em Bolsonaro. São pessoas trabalhadoras, patrióticas, nacionalistas e temos que nos comunicar com elas", afirmou. E pediu que se baixe a guarda na hora do diálogo. "Não vamos ficar acusando. Muitos votaram nele por causa das fake news", pontuou. Para o ex-ministro, "é hora de ligar para aquele primo ou tio, chamar para um churrasco e para conversar sobre o Brasil".

A deputada Marília Arraes também destacou o papel do Nordeste nesse momento político e a necessidade de defender a soberania nacional. "Demos o recado em 2018: nas urnas nós não legitimamos o golpe [de 2016]. Recife e Pernambuco são contra o golpe e o fascismo. Nós reconhecemos o projeto de sociedade que este lado aqui representa", comemorou Arraes. "E temos que impedir a entrega de nossas riquezas de mãos beijadas para os Estados Unidos. Temos que resgatar o Brasil para os brasileiros, impedir o empobrecimento ainda maior da nossa população", defendeu. Ela também se dirigiu à feira pública do bairro. "Esse comércio aqui com certeza tem sentido a piora desde a derrubada da presidenta Dilma. Mas vamos mudar isso. E essa mudança vai começar pelo Nordeste", vislumbrou.

Também presente no ato, a vice-governadora Luciana Santos (PCdoB) pediu à militância mais paciência e persistência, apontando a necessidade de se construir uma frente que una a esquerda, mas que vá além da esquerda, para defender o Brasil do avanço do fascismo neoliberal. "Temos que olhar o exemplo da Argentina. Precisamos de mais amplitude para derrotar o avanço deles, que estão numa ofensiva muito forte sobre a América Latina e a Europa. Precisamos aprender essas lições, ter sagacidade, atitude e persistência", disse Santos, que é presidenta nacional de seu partido.

Lava Jato e Lula

No discurso, Fernando Haddad também saiu em defesa da ex-deputada e vice na chapa presidencial encabeçada pelo petista, Manuela D'Ávila (PCdoB). "Vocês sabem que Manuela colocou em contato o hacker e o jornalista do The Intercept. Esta semana Manuela entregou o celular a Polícia Federal, disse que não deve nada, não teme. Ela é uma mulher honrada", afirmou. "Mas fico me perguntando por que o Dallagnol não entrega o celular dele", completou.

O petista seguiu provocando o procurador federal e chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol.  "A colega dele já pediu desculpas sobre o que falou da morte dos familiares de Lula, outras pessoas já admitiram que as mensagens [divulgadas pelo The Intercept] são verdadeiras. Mas o Dallagnol, que aprontou essa confusão e impediu Lula de estar no lugar desse [presidente] destrambelhado, o Dallagnol não entrega o celular", provocou.

Para Haddad, a prisão de Lula ultrapassa os limites da disputa eleitoral. "Um dia se ganha, noutro se perde. A alternância de poder é normal. Outra coisa é inventar uma história para tirar o maior líder do país da disputa e mantê-lo preso até hoje", se queixou, completando que enquanto a situação perdurar, a militância permanecerá ativa. "Não podemos cometer essa injustiça e não vamos sair das ruas".

Em breve conversa com a imprensa ao chegar à manifestação, Haddad disse acreditar que Lula pode ser solto até o fim de setembro. "Está cada vez mais claro que foram cometidas injustiças contra o ex-presidente Lula. Muitas decisões estão sendo revertidas e esperamos que a condenação de Lula seja revista", disse o petista, avaliando ainda que o ex-presidente não teve amplo direito de defesa e que foi condenado sem provas.

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