Haddad tromba com Dilma e Alckmin e perde apoio no PT

Antes mesmo de completar 15 dias de gestão, prefeito Fernando Haddad fala grosso; diz que governo da presidente Dilma atua como "agiota" sobre a dívida dos municípios e critica tucano Geraldo Alckmin por decisão de recolha compulsória de viciados em crack; ele se orgulha de ter deixado PT de fora das subprefeituras; "Não estou nem um pouco arrependido"; personalidade forte ou personalismo precoce?

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247 – Personalidade forte ou personalismo precoce? A um dia de completar 15 dias de gestão, essa dúvida já gira em torno do prefeito Fernando Haddad. Em poucas declarações, ele já divergiu do governador Geraldo Alckmin, atacou duramente a política do governo federal para a dívidas dos municípios e resolveu enfrentar o descontentamento do PT sem fazer concessão, ao contrário.

"Não estou nem um pouco arrependido", disse Haddad, em entrevista à rádio Jovem Pan, sobre o fato de não ter nomeado nenhum representante do partido para as 31 subprefeituras. Ele escolheu engenheiros e arquitetos de carreira no serviço municipal. O critério causa revolta nas bases petistas. Em reuniões de diretórios de bairros, militantes experientes dizem que Haddad nunca foi muito visto nos encontros do partido, querendo dizer que ele não é um petista de quatro costados. Ao mesmo tempo em que lamentam a secura de nomeações, eles lembram que não receberam nenhum tipo de remuneração da campanha por serviços prestados como cessão de imóveis nos bairros para a instalação de comitês eleitorais. Há, entre eles, os que suspeitam de que as verbas levantadas para a eleição de Haddad tenham beneficiado mais a partidos aliados, como o PP do deputado Paulo Maluf, do que o próprio PT. Por isso, não há grande torcida, em muitas das bases do partido, pela aprovação das contas do candidato pelo Tribunal Regional Eleitoral, o que ainda não aconteceu.

Neste momento, é o ex-prefeito Gilberto Kassab quem é visto como um dos principais aliados de Haddad. Ele abrigou em sua administração a ex-vice-prefeita Alda Marco Antônio e não mexeu na cúpula da área de turismo e eventos, em torno da SPTuris e da Anhembi. O argumento para a manutenção da equipe é a preparação do carnaval, que já vinha em andamento, mas os petistas, é claro, gostariam que fosse diferente.

Para a presidente Dilma Rousseff, com quem, como colega de ministério, no governo Lula, e na condição de subordinado, como ministro da Educação, ele não teve um relacionamento mais próximo, Haddad já é um problema. Ele chamou o governo de "agiota" em relação as dívidas dos municípios. Na prática, a administração segue regras de cobrança de empréstimos estabelecidas em 2000. Haddad quer a alternativa de um novo indexador, para pagar juros com a taxa que for menor: em lugar da atual fórmula de IGP-DI mais 9% ao ano, ele propõe Selic mais 4%. O termo, duro, parece ter sido usado como instrumentos de pressão sobre o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Haddad disse que esperava apenas um telefonema de Mantega para ir à Brasília antes das férias do ministro, mas esse chamado não aconteceu. Em dois encontros anteriores, ainda na condição de prefeito eleito, Haddad não conseguiu convencer o ministro sobre a mudança. Ela afetaria todas as cobranças de empréstimos do governo federal sobre os municípios. 

Em relação ao governador tucano Geraldo Alckmin, com quem, no discurso de posse, Haddad se comprometeu a ser "parceiro" e "trabalhar junto", o prefeito eleito perdeu uma chance de se aproximar efetivamente. De modo pragmático, Alckmin estabeleceu por decreto a possibilidade de internação compulsória de viciados em crack. Haddad optou por lembrar que, em muitos casos, uma medida desse tipo iria contra direitos individuais. O governador ressalvou em sua decisão que as internações só poderão ser feitas por indicação médica ou com anuência familiar. Ao mesmo tempo, inaugurou um primeiro equipamento estadual para abrigar os viciados que vierem a ser recolhidos. Atualmente, legiões de viciados se espalham por avenidas e se amontoam em calçadas no centro da capital paulista. 

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