Hora de falar

Se eu pudesse fazer um pedido a Carlos Augusto Ramos, o "Carlinhos Cachoeira", seria este: abra a boca e conte tudo que sabe sobre o submundo da política

Lisboa – Leio que o “empresário” Carlinhos “Cachoeira” foi preso pela Polícia Federal como chefe de quadrilha que explorava máquinas de jogo ilegal. Para reavivar a memória das leitoras e dos leitores, esse cidadão, cuja certidão de nascimento registra o nome de Carlos Augusto Ramos, protagonizou, junto com Waldomiro Diniz, o primeiro escândalo do governo Lula.

“Cachoeira” tornou-se conhecido nacionalmente através de vídeo que circulou no horário nobre das televisões e foi amplamente comentado nas rádios e nos jornais. Nele, ficou provado que subornava Waldomiro, chefe da assessoria parlamentar da Casa Civil, à época do poderoso Ministro José Dirceu. Sempre por intermédio do funcionário de confiança do Planalto, teria colaborado com campanhas eleitorais do PT e também da senhora Rosinha Garotinho.

Nenhuma dúvida quanto a Carlinhos “Cachoeira” ter repassado o dinheiro sujo a Waldomiro Diniz. Não dá para asseverar se, de fato, PT e Rosinha receberam a gentil “encomenda”. Em troca, o bicheiro exigia facilidades e proteção, fartamente prometidas pelo palaciano.

Waldomiro, que sempre se supôs acima da lei, está preso. Responderá a processo. Poderá estar vivendo o início de seu declínio “empresarial”, a menos que “amigos” poderosos consigam libertá-lo, em troca de mais silêncio.

Se eu pudesse fazer um pedido a Carlos Augusto Ramos, seria este: abra a boca e conte tudo que sabe sobre o submundo da política. Relate os detalhes de seu envolvimento com o Palácio do Planalto. Liste as campanhas políticas e os candidatos que receberam dinheiro oriundo da ilegalidade da jogatina.

Seria, sem dúvida, um serviço prestado ao país. Se é verdade que os beneficiários dos subornos são, em certa medida, escravos de Carlinhos “Cachoeira”, não é menos veraz que ele próprio construiu uma vida submetida aos agentes públicos que vendem “favores”.

Viver assim deve ser angustiante. Contar o que sabe o aliviaria do peso enorme que carrega há anos.

Fale, “Cachoeira”. Repare que só você está preso. Os que, há anos, usufruem do dinheiro ilegal que você produz estão soltos. Não lhe parece injusto?

Claro que eles têm medo de um gesto seu nesse sentido, “Cachoeira”. Pois acabe com o medo deles. Não deixe pedra sobre pedra.

Dê os nomes dos que deveriam estar trancafiados ao seu lado. Eles merecem pagar suas penas também.

Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do PSDB no Senado

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