Justificativa de Barbosa para "desfeita" a Dilma não cola

Como a cena em que ela abre um largo sorriso para ele durante longos segundos sem que ele lhe dê bola foi captada de um ângulo em que ele estava de costas, sua argumentação é a de que retribuiu à presidente do Poder Executivo com um “discreto sorriso”

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O presidente do STF, Joaquim Barbosa, alega ter ficado “surpreso” com o que foi visto por uma imensidão de internautas como um gesto de descortesia de sua parte para com a presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de boas-vindas ao papa Francisco, no Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro, no domingo (21).

Segundo a nota oficial emitida pela assessoria de Barbosa, ele não ignorou a presidente da República. Como a cena em que ela abre um largo sorriso para ele durante longos segundos sem que ele lhe dê bola foi captada de um ângulo em que ele estava de costas, sua argumentação é a de que retribuiu à presidente do Poder Executivo com um “discreto sorriso”.

Leia, abaixo, a íntegra da nota.

“Causou grande surpresa ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, a divulgação de suposta descortesia dele com a presidente da República, Dilma Rousseff, por ocasião da cerimônia com o papa Francisco no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro. Com base em imagens de TV captadas a partir de determinado ângulo, foram criadas versões sobre o comportamento do ministro que não encontram amparo na realidade. O Ministro repudia interpretação de que teria sido deselegante com a Presidente e ratifica seu respeito pelos Poderes constituídos.
Na condição de presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa tem mantido relacionamento institucional de alto nível com a presidente Dilma. Em um espaço de dois meses, foram realizadas duas audiências no Palácio do Planalto, sendo a primeira convocada pela Presidente da República e a segunda solicitada pelo Presidente do Supremo. Nesses encontros foram discutidos temas de grande relevância para a vida do País. Em uma dessas ocasiões, foi feito o convite para que o presidente do STF comparecesse à cerimônia de recepção ao papa Francisco, convite que foi prontamente aceito.
No dia da cerimônia, logo ao chegar ao Palácio da Guanabara, o Ministro Joaquim Barbosa depois de cumprimentar outras autoridades presentes, foi convidado a dirigir-se à sala privativa onde se encontrava a Presidente, o Governador Sérgio Cabral, além dos Presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Alves. Permaneceu lá por mais de uma hora. Depois, dirigiu-se junto com as demais autoridades até o local que lhes fora destinado na cerimônia.
Por ocasião dos cumprimentos, o Ministro apertou respeitosamente a mão do Santo Padre, e trocou discreto sorriso com a Presidente. Isso porque avaliou não ser necessário novo cumprimento protocolar, uma vez que isso já havia ocorrido por ocasião de sua chegada ao Palácio.”

Nada de novo. Este Blog antecipou a explicação que a assessoria do presidente do STF divulgara oficiosamente na segunda-feira e ela não explica a conduta que ele mesmo reconhece na nota acima: não responder a Dilma, limitando-se a lhe dar um “discreto sorriso”.

Vamos parar de enfeitar o pavão: várias personalidades e autoridades precederam Barbosa no cumprimento ao papa e todas, até então, haviam cumprimentado, também, a presidente.

O próprio vídeo, exibido à exaustão na internet, mostra que, desde o momento em que o presidente do STF se aproximou do papa e da presidente, ela lhe abriu um largo sorriso, o qual esmaeceu após ele ter retribuído, conforme diz, com o tal “discreto sorriso”.

Ora, Barbosa diz que apertou respeitosamente a mão do Santo Padre e deu “discreto sorriso” à Presidente “porque avaliou não ser necessário novo cumprimento protocolar, uma vez que isso já havia ocorrido por ocasião de sua chegada ao Palácio”.

Que sacrifício cumprimentar a presidente, não? Quer dizer que mesmo vendo que todos os que o precederam na fila de cumprimentos ao papa cumprimentavam também a ela, eximiu-se de tão penosa tarefa por já ter dado a sua cota de sacrifício em encontro ocorrido pouco antes?

Precisa dizer mais? Quando a gente respeita a pessoa ou gosta dela, cumprimenta com prazer. Cumprimentou em encontro privado? Cumprimente de novo agora, porque são pessoas públicas que estão em público.

Estando em cerimônia transmitida pela TV, Barbosa deveria passar imagem de cordialidade entre chefes de dois Poderes da República. Mas, para ele, parece não importar o simbolismo público. Sem falar que a educação manda que homens sejam especialmente gentis com mulheres em situações como essa.

Veja, abaixo, flagrantes do episódio.

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