Marina reconhece 'falhas', mas perde apoio gay

Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata à presidência pelo PSB Marina Silva procurou amenizar polêmica sobre a mudança de rumo no apoio à causa gay; disse que é a candidata que mais defende os direitos civis da comunidade LGBT, mas não o casamento entre pessoas do mesmo sexo; recuo provocou a saída de Luciano Freitas da campanha, secretário nacional do comitê LGBT do então candidato Eduardo Campos; ele questionou a mudança no programa por pressão de setores conservadores; ex-senadora também reconheceu falha em plano que sinalizava que ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil; e reafirmou que Bíblia é sua fonte de inspiração

Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata à presidência pelo PSB Marina Silva procurou amenizar polêmica sobre a mudança de rumo no apoio à causa gay; disse que é a candidata que mais defende os direitos civis da comunidade LGBT, mas não o casamento entre pessoas do mesmo sexo; recuo provocou a saída de Luciano Freitas da campanha, secretário nacional do comitê LGBT do então candidato Eduardo Campos; ele questionou a mudança no programa por pressão de setores conservadores; ex-senadora também reconheceu falha em plano que sinalizava que ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil; e reafirmou que Bíblia é sua fonte de inspiração
Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata à presidência pelo PSB Marina Silva procurou amenizar polêmica sobre a mudança de rumo no apoio à causa gay; disse que é a candidata que mais defende os direitos civis da comunidade LGBT, mas não o casamento entre pessoas do mesmo sexo; recuo provocou a saída de Luciano Freitas da campanha, secretário nacional do comitê LGBT do então candidato Eduardo Campos; ele questionou a mudança no programa por pressão de setores conservadores; ex-senadora também reconheceu falha em plano que sinalizava que ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil; e reafirmou que Bíblia é sua fonte de inspiração (Foto: Roberta Namour)

SÃO PAULO - Após polêmica com a errata no programa de Marina Silva à presidência referente à causa gay, o coordenador do núcleo LGBT da campanha, Luciano de Freitas, deixou o posto. Freitas, que faz parte da Diretório Nacional do PSB, afirmou que a decisão foi tomada na semana passada.

A saída do dirigente é a terceira baixa da campanha desde que Marina assumiu a cabeça de chapa, há duas semanas.
Freitas foi surpreendido por uma nota retificando o que havia sido prometido no programa oficial em defesa dos direitos de homossexuais. Menos de 24 horas após a divulgação do programa, a campanha alegou “falha processual na editoração do texto” e tirou do documento os pontos mais polêmicos. 

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, insatisfeito com a divulgação da errata sem consulta prévia, Freitas avisou que se dedicará à campanha de Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco. Porém, Freitas se recusou a comentar a decisão de publicar uma errata do programa de governo. 

Freitas questionou a mudança no programa por pressão de setores conservadores; ele já havia feito ressalvas a Marina na reunião da Executiva que selou sua candidatura. Na ocasião, o dirigente disse temer que a ex-ministra não seguisse o programa aprovado por Eduardo Campos, candidato morto no dia 13 de agosto.

Marina reconhece falha em apoio à causa gay

SÃO PAULO - A segunda-feira terminou mais tarde para a presidenciável do PSB, Marina Silva. Após o debate realizado pelo SBT, pelo jornal Folha de S. Paulo, pela rádio Jovem Pan e pelo portal Uol, a candidata concedeu entrevista ao Jornal da Globo.

Logo no início da entrevista, a pessebista foi questionada sobre as alterações no seu programa de governo menos de 24 horas após o lançamento, entre elas um recuo em relação a algumas reivindicações do movimento LGBT, e se esse comportamento correspondia a uma concessão à religião num estado laico.

Marina explicou que houve um erro de processo e que a equipe do programa de governo foi responsável pela correção. "Eu nem interferi nesse processo. Aconteceram duas falhas", explicou a candidata do PSB, citando o trecho do plano que sinalizava que o governo de Marina ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil.

A outra falha apontada pela presidenciável foi que "o documento que foi encaminhado como contribuição pelo movimento LGBT, não foi considerado documento da mediação do debate, foi um documento tal qual eles enviaram", reforçando que foi feita uma correção, porque houve uma mediação no debate. "Os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à sua liberdade individual, o combate ao preconceito, isso está muito bem escrito no nosso programa, melhor do que dos outros candidatos", completou.

Pressionada sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina voltou a dizer que respeita a liberdade das pessoas, independente da condição social, de raça ou de orientação sexual. Ela acrescentou que o seu programa de governo defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento.

Bíblia: fonte de inspiração

Indagada sobre as especulações de que recorreria à Bíblia em momentos cruciais e se isso poderia intervir em suas decisões como governante, Marina explicou que todos agem com a avaliação realista dos fatos, mas defendeu que todos têm uma subjetividade.

"Uma pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência, assim como tem na referência a arte, a literatura", disse a ex-senadora, acrescentando que as pessoas estão tentando atribuir à ela uma imagem de fundamentalista.

"A Bíblia é uma fonte de inspiração pra qualquer pessoa que é cristã ou que é um judeu, mas existem outras fontes de inspiração, às quais eu já me referi. As decisões são tomadas com base racional pra todas as pessoas", afirmou a candidata do PSB.

Crise política

Questionada sobre a crise da democracia representativa citada em seu programa de governo, a presidenciável sinalizou que tem criticado a crise política e que as pessoas não deveriam fazer vistas grossas para o que está acontecendo. "A gente precisa aprofundar a nossa democracia. É preciso ampliar a participação das pessoas, ao mesmo tempo melhorar a qualidade da representação e das nossas instituições", relatou a pessebista.

Durante a entrevista, Marina disse ainda que pretende aperfeiçoar a democracia, democratizá-la, combinando a participação correta e legítima dos cidadãos assegurada pela Constituição. "Nós somos eleitos para representar, não é para substituir o representado", resumiu.

Economia em 2015

No segundo bloco de perguntas, a pessebista foi questionada sobre como conduziria a economia brasileira no ano que vem, caso sua vitória fosse confirmada nas urnas. Marina foi contundente ao dizer que é preciso recuperar o tripé da política macroeconômica do país.

"A presidente Dilma ganhou o governo dizendo que ia fazer a baixa dos juros, que iria reduzir a inflação e que iria fazer o nosso país crescer. O nosso país não está crescendo, a inflação está aumentando e os juros estão subindo. É fundamental que o país tenha estabilidade econômica para que a gente não perda as conquistas que já alcançamos, inclusive as conquistas sociais, e que a gente possa aumentar o investimento. E, para aumentar investimento, é fundamental que se readquira confiança", explicou.

A candidata do PSB ao Planalto reiterou o compromisso de não aumentar os impostos e que pretende dar eficiência ao gasto público. "Tem muitos desperdícios, inclusive o desperdício da corrupção, e quando o país volta a crescer, a gente vai conseguindo o espaço fiscal para poder fazer os investimentos sociais", disse Marina.

Pré-sal é uma das prioridades

A ambientalista explicou ainda que assim como educação e saúde, o pré-Sal também é uma de suas prioridades e reforçou quer dar um passo à frente em sua gestão. "Vamos investir em energia limpa com o uso da biomassa, o uso do vento, o uso do sol", pontuou a pessebista. "O petróleo é uma necessidade do planeta. Ainda não se conseguiu a fonte de geração de energia que vai substituir esse combustível fóssil", complementou.

Além disso, Marina foi questionada sobre quando aumentaria o preço da gasolina para salvar o etanol, do qual é uma entusiasta declarada. A candidata do PSB não poupou críticas ao governo em sua resposta. "Essa política desastrosa do governo, que está subsidiando gasolina, inclusive fazendo a importação desse combustível com um preço elevado, acabou destruindo a indústria do etanol", defendeu a presidenciável. "Espero que os preços administrados pelo governo possam ser corrigidos pelo próprio governo e criarmos os mecanismos", acrescentou.

Coordenador do programa LGBT deixa o PSB

247 - O recuo da campanha de Marina Silva nas propostas à comunidade gay provocou a perda do apoio de Luciano Freitas, secretário nacional do comitê LGBT do PSB.

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