Marqueteiro do PT 'lança' Lula para governo paulista

João Santana fala em reeleição de Dilma no primeiro turno, em Fernando Haddad como presidente da República em 2022, e projeta ex-presidente como governador de SP, com Gabriel Chalita, do PMDB, como vice; previsão foi feita no momento em que o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) cai com a onda de violência

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Marqueteiro do PT 'lança' Lula para governo paulista


247 - Odiado pela elite paulista, Getúlio Vargas se vingou com requintes de crueldade, elegendo-se senador por São Paulo, em 1946, depois de governar o Brasil durante quinze anos. Ao contrário de todas as grandes cidades brasileiras, São Paulo é a única que não tem uma avenida, uma rua ou mesmo um beco batizado em sua homenagem.

Herdeiro do getulismo, o ex-presidente Lula pode estar preparando vendetta semelhante. Pela primeira vez, uma pessoa do seu mais estreito círculo de confiança levanta a hipótese de que saia candidato ao governo de SP em 2014, com Gabriel Chalita, do PMDB, como vice. A previsão foi feita pelo marqueteiro do PT desde 2006, João Santana, no momento em que o atual governador Geraldo Alckmin despenca em popularidade com a onda de violência.

Uma pesquisa Datafolha publicada neste domingo mostra que a maioria dos paulistanos não confia na Polícia Militar e menos ainda no governador do PSDB no que se refere à escalda da violência na cidade e no Estado. Três em cada 4 paulistanos (ou 71%) acreditam que o governo estadual esconde informações sobre as mortes das últimas semanas. Como resultado, a aprovação de Alckmin, segundo a pesquisa, caiu de 40%, em setembro, para 29% agora.

"É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice?", disse Santana em entrevista à Folha.

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Santana também prevê que a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014 já no primeiro turno. Quanto ao prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, diz que "tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026". Eduardo Campos, do PSB, pode assumir nesse intervalo.

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Leia trechos da entrevista concedida a Folha:

Folha - Em 2008, Marta Suplicy perdeu a eleição para a Prefeitura de São Paulo. Agora, Fernando Haddad, ganhou. O que se passou?

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João Santana - Marta Suplicy sempre foi a melhor candidata do PT para um primeiro turno. E a pior para um segundo turno.

E Fernando Haddad?

Fernando Haddad era o pior candidato que o PT tinha para um primeiro turno e o melhor para um segundo turno.

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[Sobre a desconstrução de Celso Russomanno] Tínhamos um grande desafio: encontrar a arma certa e a hora certa de atacar Russomanno. Isso inquietava todo mundo (...) Não podíamos fazer fora do tempo. Fernando Haddad não era conhecido, não tinha musculatura para bater nem para herdar eleitores que pudessem deixar Russomanno.

Fernando Haddad tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026. É jovem, vai fazer um bom governo em São Paulo...

Não é muita futurologia?

É... Mas se a política não permite futurologia, as entrevistas permitem. Fernando Haddad tem hoje 49 anos. Vai ficar oito anos em São Paulo, porque vai se reeleger. Em 2022, 2026, vai ter um pouco menos ou um pouco mais de 60 anos.

Por que José Serra perdeu?

A renúncia à Prefeitura de São Paulo em 2006 (...) Você pode até perdoar alguém que matou um ente querido seu, mas dificilmente perdoará se tiver de conceder o perdão na sala ou no quarto em que aconteceu o crime. Serra quis voltar para o mesmo lugar que um dia havia deixado. A lembrança da renúncia dele torturava as pessoas.

O desgaste do PSDB pesou?

Os tucanos não souberam ser oposição. Viraram uma versão anacrônica da UDN: denuncistas e falsos moralistas. Pode acontecer ao PSDB o que aconteceu ao DEM. O DEM está sendo engolido pelo PSD, de Kassab. Se não se renovar, o PSDB pode ser engolido pelo PSB, de Eduardo Campos.

O DEM teve vitórias regionais...

Ganhar Salvador não faz a menor diferença para o DEM. Eu hoje imagino que é mais lógico que o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto, saia do DEM do que queira ou tenha força para ressuscitar o partido. O DEM vive um ciclo terminal.

Por que o governo da presidente Dilma ainda tem uma marca difusa?

Você escreveu isso, mas discordo. Ela está firmando uma imagem vigorosa de grande consolidadora das políticas sociais, de ampliadora dos direitos da classe média, de reformadora moral e modernizadora do país. Está se formando a imagem de uma mulher firme, honesta, que não tem medo de tomar medidas duras. Uma mulher que não se deixa mandar. Que sabe fazer parcerias e alianças com setores importantes, especialmente com Lula. Uma presidenta que enfrenta uma das maiores crises da economia internacional sem titubear. Uma mulher de raça. Que enfrenta os bancos para abaixar os juros, as empresas de energia para abaixar a tarifa elétrica. Eu não estou inventando: estou relatando a leitura de estudos profundos de opinião.

O sr. afirmou em 2010 que Dilma ocuparia metaforicamente a cadeira da rainha no imaginário do brasileiro. Isso está se passando?

Era uma imagem figurada. Uma metáfora que está se cumprindo simbolicamente. Grandes camadas da população têm um respeito, uma admiração e um carinho tão sutil por Dilma que chega até a ser de uma forma majestática. É diferente daquele amor quase carnal, elétrico, vulcânico que têm por Lula.

Que papel terá a economia na sucessão em 2014?

Na hipótese que me parece completamente improvável de a economia ter sérios abalos, a população verá Dilma com muito mais capacidade de controlar o timão num momento de crise do que alguém da oposição. Com o cardápio de candidatos que está sendo oferecido, as pessoas vão confiar muito mais nela.

Quem será candidato a presidente em 2014?

Dilma Rousseff será candidata e vai ganhar a eleição. Provavelmente no primeiro turno (...) Se a eleição fosse hoje, novembro de 2012, ganharia no primeiro turno. Se fossem candidatos de oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos não teriam, somados, 10% dos votos.

Aécio Neves é competitivo?

Mais para o futuro. Não me parece que vai chegar com força suficiente em 2014.

Eduardo Campos?

Eduardo Campos seria um candidato a presidente melhor em 2018 do que seria em 2014. Entre os candidatos que seguiram essa linha de acúmulo gradativo de forças [concorrendo em várias eleições] só houve um que se saiu bem nesta estratégia, que foi Lula. Adhemar de Barros [1901-1969] foi um caso patético. Leonel Brizola [1922-2004] fracassou. Ciro Gomes não teve resultados. É uma faca de dois gumes. Um candidato jovem que vem pela linha da renovação torna-se muito mais forte se trabalhar no momento preciso, com impacto. Foi o que aconteceu com Haddad em São Paulo.

E Joaquim Barbosa?

É uma pessoa inteligente e saberá tomar a decisão certa. Caso se candidatasse poderia ter um final de carreira melancólico. Não se elegeria, faria uma campanha ruim e teria uma votação pouco expressiva. Não tem apelo para ser candidato presidencial. Mesmo com os pontos positivos que tenha, não tem perfil de presidente. Não tem preparo político para enfrentar o embate de uma campanha. Não tem base partidária que lhe forneça uma estrutura sólida. O povo separa bem as coisas: sabe que uma coisa é ser juiz outra é ser presidente.

Marina Silva?

Saiu bem da campanha de 2010, mas perdeu o vigor nesses dois anos, durante os quais poderia ter feito um trabalho mais consistente.

Ciro Gomes?

Não sei nem se ele tem condições de se impor como candidato em seu partido.

E Lula em 2014?

Não quer ser candidato a presidente da República, em 2014. Defende, de toda alma, a reeleição de Dilma. Mas vou fazer uma provocação. É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice? E mais do que isso. Já imaginou o que seria, para o Brasil, Dilma reeleita presidenta, Lula governador de São Paulo e Fernando Haddad prefeito da capital? Daria uma aceleração incrível no modelo de desenvolvimento econômico e avanço social que o Brasil vem vivendo.

[Mas] ele não aceita. Se isso sair publicado ele vai xingar até a minha quinta geração.

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