Mercadante: 'numa democracia, o poder emana do voto'

"Em um regime presidencialista, o poder emana do voto. Temos uma presidenta eleita com 54 milhões de votos, uma diferença de 3 millhões. Se tenho um processo de impedimento, estou diretamente anulando o princípio fundamental da democracia, que é o voto popular. Não pode ser uma decisão parlamentar e política", afirmou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, fala à imprensa, no Palácio do Planalto (Wilson Dias/Agência Brasil)
O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, fala à imprensa, no Palácio do Planalto (Wilson Dias/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante criticou hoje (4) a abertura do processo deimpeachment da presidenta Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados. De acordo com o ministro, não há argumentos que sustentem o procedimento. Segundo Mercadante, não há justificativa jurídica para abertura do processo. 

Brasília - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante fala na Comissão de Educação do Senado (José Cruz/Agência Brasil)

Para Aloizio Mercadante, um processo de impedimento anula o princípio fundamental da democracia, que é o voto popularArquivo/José Cruz/Agência Brasil

"Em um regime presidencialista, o poder emana do voto. Temos uma presidenta eleita com 54 milhões de votos, uma diferença de 3 millhões [em relação a Aécio Neves (PSDB)]. Se tenho um processo de impedimento, estou diretamente anulando o princípio fundamental da democracia, que é o voto popular. Não pode ser uma decisão parlamentar e política", afirmou.

"Nas contas de 2014 são citados 17 dirigentes. Não consta o nome da presidenta". Sobre as contas de 2015, o ministro destacou que o ano ainda não acabou e "sequer foi apresentada a qualquer órgão as contas em andamento. Sequer tem um parecer técnico."Em relação às contas de 2014, ele informou que elas ainda não foram julgadas pelo Congresso Nacional.

"Vamos fazer um debate com transparência do que estamos discutindo e quais as razões jurídicas que sustentam essa tese. Como prejulgar uma conta de um exercício que não foi concluído?"

O pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, protocolado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal, foi aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na noite de quarta-feira (2).

A presidenta da República foi notificada oficialmente ontem (3). Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou a mensagem após a leitura da decisão em plenário. Hoje (4), durante discurso na 15ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília, Dilma disse que vai lutar contra a abertura do processo de impeachment porque nada fez que justificasse o pedido. 

"As razões que fundamentam essa proposta são inconsistentes e improcedentes. Eu não cometi nenhum ato ilícito", concluiu Dilma.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247