“Não existe nova política”, opina pesquisador

Para João Vitor Motta, o discurso de uma nova política é recorrente para se dissociar da "política tradicional" e angariar votos; "No fundo, quando essas pessoas chegam ao espaço de poder, elas constroem a política da mesma forma. Só existe uma política, a política é complexa, é negociação, é diálogo", disse; assista

“Não existe nova política”, opina pesquisador

247 - Formado em Relações Internacionais e autor de uma pesquisa sobre financiamento de pesquisas eleitorais, João Vitor Motta falou à TV 247 e fez uma análise sobre as questões de financiamento público e privado para campanhas e criticou o discurso de "nova política" que vem sendo empregado em campanhas recentes. Para ele, só existe uma política e o discurso tenta dissociar o candidato da imagem da política "tradicional".

"Não existe uma nova política, esse discurso é muito recorrente na política brasileira. Acho que em todas as eleições a gente vai ver 'eu sou novo', 'eu sou a renovação', 'eu sou o candidato que apresenta as novas ideias, as novas formas de construir política'. Acho que desde a redemocratização com o [Fernando] Collor, dali para frente, aqui em São Paulo mesmo rotineiramente a gente vê candidatos a prefeito dizendo que são os novos, que são a nova política. Isso, independente do espectro político, é um discurso muito comum para tentar se dissociar um pouco da política tradicional. Não tem muito contato com a realidade isso. No fundo, quando essas pessoas chegam ao espaço de poder, elas constroem a política da mesma forma. Só existe uma política, a política é complexa, é negociação, é diálogo".

Ele também comentou sobre as novos perfis de candidatos e falou um pouco sobre sua pesquisa. "Eu acho que essa campanha de 2018 vem consolidando o que está acontecendo desde 2014, que é um processo de novas formas de se construir política e conseguir votos. Acho que tem uma migração de um perfil de candidaturas que começam a dialogar muito mais com as redes sociais e começam a fazer seus investimentos e seus gastos pelas redes sociais e também tem um perfil de candidatura que começa a querer dialogar com umas certas leis de marketing mais aprimoradas, fazer esse discurso muito mais para conquistar novos segmentos eleitorais. Então a pesquisa mostra um pouco sobre como esse processo se consolidou no Brasil, sobretudo na Câmara Federal e quais são seus principais atores".

João Vitor disse ser favorável ao financiamento público e afirmou que ele pode promover a democratização do sistema. "A principal mudança de 2018 foi o financiamento, acho que a questão do financiamento público eleitoral e também tem a questão do financiamento privado por meio de pessoas físicas, com o financiamento público eleitoral e o financiamento privado a gente consegue ver melhor quais são as formas de fazer campanha e quais são as formas de definir os recursos de cada partido e cada agremiação. Então você começa a ver um deslocamento de recursos prioritários para alguns tipos de candidaturas, alguns perfis prioritários de alguns partidos e alguns perfis prioritários do empresariado também para financiar. Sou favorável ao financiamento público porque entendo que ele possibilitaria uma maior democratização do sistema, só que o problema é que a gente criou um 'Frankstein' aqui no Brasil, que é um sistema público-privado que no fundo acaba priorizando as mesas formas de construir política".

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