Netos atestam força do sobrenome na política

O deputado ACM Neto, o governador Eduardo Campos, o ministro Brizola Neto e o senador Acio Neves, todos parentes de lideranas histrica do Pas, so a prova de que herana poltica conta, e muito, no Brasil

Netos atestam força do sobrenome na política
Netos atestam força do sobrenome na política (Foto: Divulgação)

247 – Eles foram criados nas imediações do poder e são protagonistas da política nacional. Dois figuram há algum tempo entre os possíveis candidatos a presidente do Brasil, um acaba de se tornar Ministro do Trabalho e o quarto, depois de liderar seu partido na Câmara dos Deputados, almeja a Prefeitura de Salvador. A herança política de um avô é garantia de sucesso? Depende do avô. E do neto. O que não dá para negar é que o parentesco colabora para a construção da imagem (e das carreiras políticas) dessas figuras públicas, que fazem questão de marcar o parentesco.

O novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, evoca o avô para marcar o início de sua carreira política, que começou, segundo ele, aos 16 anos. A ligação política com Brizola é ressaltada desde a primeira linha do perfil do ministro em seu próprio blog, o Tijolaço. “Nasci em 11 de outubro de 1978, ano em que meu avô, Leonel Brizola, no exílio, recebia o ultimato do governo uruguaio para deixar o país”, escreve Neto, destacando, ainda, o papel de seu outro avô em sua vida. “Dele (Brizola) e de meu outro avô, o Capitão da Aeronáutica Alfredo Daudt, recebi exemplos de luta e sacrifício pelo Brasil e pela democracia”, diz, explicando: “Alfredo Daudt, com a ajuda de outros oficiais e sargentos, impediu a decolagem dos jatos da FAB que bombardeariam o Palácio Piratini, na Campanha da Legalidade”.

O resto do perfil de Brizola Neto é dedicado quase que exclusivamente ao seu avô mais famoso e termina, como não podia deixar de ser, com alusões e alusões a Brizola. “O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo. Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola”, escreve.

"Como se fosse ontem"

O senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) também faz questão de destacar a herança do avô Tancredo (eleito presidente do Brasil em 1985 – ele não assumiria por adoecer na véspera da posse e morrer dias depois) sempre que possível. Em discurso proferido no Congresso Nacional em março de 2010, quando ainda era governador, Aécio participou da cerimônia de homenagem ao centenário do avô e, depois de ressaltar as qualidades de Tancredo, falou sobre o que o parente lhe ensinou.

“Posso vê-lo, como se fosse ontem, sentado em sua poltrona, com seus olhos apertados, buscando o que havia e o que estava por vir, nos longes de Minas...”, disse o então governador de Minas. “De Tancredo recebi as mais importantes lições, que elevam ao mesmo patamar a política, a ética, a coragem e o bem comum”, emendou Aécio. “Com ele e sua densa trajetória, conheci e compreendi o verdadeiro sentido da vida pública. Aprendi que o exercício da vida pública tem que ser o exercício da responsabilidade. E que só poderemos ser fiéis àqueles que representamos se formos antes – e sempre - fiéis a nós mesmos, às nossas próprias convicções”, completou.

“ACM melhorado”

Se Aécio recebeu as mais importantes lições do avô, ACM Neto é classificado pelos correligionários como um “Antônio Carlos Magalhães melhorado”. Durante o lançamento de sua pré-candidatura à Prefeitura de Salvador, no fim da semana passada, o líder do DEM na Câmara se emocionou durante a leitura de uma mensagem de Jorge Amado para o então prefeito de Salvador, ACM, escrita em 1969. Na carta, o escritor baiano diz que o ex-senador era um “monstro mitológico na voz do povo” e que o “mestre Antonio”, como era chamado, “soube ser humilde ao colocar essa paixão desatinada a serviço da cidade”.

Depois de derramar lágrimas, ACM Neto arrancou aplausos do público ao concluir seu discurso: “Estou diante do maior desafio de minha vida. Eu não tenho o direito de errar, e eu não vou errar. Eu não vou condenar o meu futuro tão cedo. O meu compromisso é de lutar, mesmo depois que o branco do tempo venha a tingir os meus cabelos, como fez com ACM, e frisar com a evidente marca da luta para escrever uma verdadeira história de amor com Salvador e o seu povo”, disse.

“Vontade própria”

Quem já conseguiu se descolar da imagem do avô o bastante para iniciar a própria história é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que, dos quatro netos em questão, é o único a não carregar o sobrenome do parente (foi registrado sem o “Arraes” pelos pais, durante a ditadura, para evitar perseguição). Nem por isso o presidente nacional do PSB deixa de fazer menções ao avô Miguel Arraes quando pode. “Agora é hora de falar do futuro”, disse o governador de Pernambuco durante seu discurso de reeleição, em 2011, citando aspas ditas por Arraes 48 anos antes, da mesma tribuna, quando assumia o governo de Pernambuco.

“Tenho muito orgulho de meu avô, mas entrei na política por minha própria vontade”, declarou, em 2004, o então ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos, em entrevista. Como nos casos de Aécio, Brizola e ACM Neto, contudo, a imagem do avô está colada à de Campos, para o bem e para o mal.

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