Noblat: Lula não manda nada em Dilma

"Ninguém preside presidente", diz o colunista Ricardo Noblat, rechaçando a ideia de que o ex-presidente Lula exerce influência sobre a sucessora Dilma Rousseff; "A criatura costuma rebelar-se contra o criador. Dilma não se rebelou. Nem se limita a cumprir as ordens do criador", diz ele

"Ninguém preside presidente", diz o colunista Ricardo Noblat, rechaçando a ideia de que o ex-presidente Lula exerce influência sobre a sucessora Dilma Rousseff; "A criatura costuma rebelar-se contra o criador. Dilma não se rebelou. Nem se limita a cumprir as ordens do criador", diz ele
"Ninguém preside presidente", diz o colunista Ricardo Noblat, rechaçando a ideia de que o ex-presidente Lula exerce influência sobre a sucessora Dilma Rousseff; "A criatura costuma rebelar-se contra o criador. Dilma não se rebelou. Nem se limita a cumprir as ordens do criador", diz ele (Foto: Leonardo Attuch)
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247 - O colunista Ricardo Noblat, do Globo, avalia que a influência do ex-presidente Lula sobre a sucessora Dilma Rousseff é bem menor do que se apregoa. Leia, abaixo, sua análise:

Quem manda no governo Dilma, por Ricardo Noblat 

Que time se arriscaria a perder o campeonato mantendo no banco de reservas o maior craque de todos os tempos?

Exagero.

Houve craques tão bons quanto Lula. Por exemplo: Getúlio Vargas, o pai dos pobres. Juscelino Kubistchek, o pai de Brasília. Fernando Henrique, o carrasco da inflação, não pode ficar de fora dessa lista. Elegeu-se e se reelegeu direto no primeiro turno derrotando... Quem?

A mais recente rodada de pesquisas mostrou que Dilma se mantém com 40% a 47% das intenções de votos. Caso a eleição fosse hoje, se reelegeria folgadamente.

Daí que Lula continuará sentado no banco de reservas. Só levantará se Dilma estiver a perigo. Pois como justificar a troca de Dilma por Lula se Dilma segue liderando as pesquisas?

Corre a lenda que Lula manda em Dilma. Pura lenda.

"Ninguém governa governador”, disse Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco nos anos 50 do século passado.

Ninguém preside presidente.

Quando Dilma e Lula não se entendem, Dilma faz o que quer. A escolha de Ademar Chioro para ministro da Saúde é um bom exemplo.

Lula e o PT tinham outros nomes para o lugar. Mas Dilma conhecera Chioro ao visitar São Bernardo em dezembro último e gostara de suas ideias. Chioro era secretário municipal de Saúde.

Como Lula e o PT poderiam barrar a promoção dele a ministro? Até que poderiam. Não conseguiram.
Para quem vê Dilma como uma boba, digo que ela é esperta e aprende rápido.

Havia sido esperta ao preencher a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) hoje ocupada pelo jurista catarinense Teori Zavaschi.

Primeiro sugeriu a Lula um nome ligado a ele e a ela - o do advogado Sigmaringa Seixas. Lula comentou que Sigmaringa recusaria o convite como recusara de outras vezes.

À falta de acordo, Dilma sacou do bolso o nome de Teori. Assim como antes sacara o nome de Luiz Fux também para uma vaga no STF.

Fux não inspirava confiança em Lula. Os mensaleiros eram contra sua nomeação. Achavam que Fux acabaria votando para condená-los. Foi o que aconteceu.

A criatura costuma rebelar-se contra o criador. Dilma não se rebelou. Nem se limita a cumprir as ordens do criador.

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