O governo que ninguém quer

Diante das denúncias contra Goiás, poucos candidatos a prefeito hoje arriscariam associar sua imagem à do governador durante a campanha deste ano

Em meio à crise política que envolve o governo de Goiás, como um abraço de bruxa, candidatos a prefeito em diversas regiões do Estado pensam novas estratégias eleitorais. Antes figura onipresente nos palanques da base governista, o governador Marconi Perillo agora está, de certa forma, repelido pelos candidatos a uma cadeira na prefeitura de seus municípios.

Em 2010, durante as eleições para o governo de Goiás, quando Perillo surfava em uma boa popularidade, muitas políticos do interior do Estado investiram bastante na aproximação ao senador que venceria as eleições naquele ano.

O investimento veio em forma de apoio irrestrito à campanha do governador. Politicamente falando, todos esperavam agora, nas eleições municipais, apoio vindo do Palácio das Esmeraldas.

Com a impopularidade alcançando números recordes, supostos envolvimentos com atividades ilegais, deflagrados nas divulgações dos resultados da Operação Monte Carlo, o governo de Goiás tornou-se um fardo pesado para a sua base nos municípios.

Poucos candidatos a prefeito hoje arriscariam associar sua imagem à do governador durante a campanha deste ano: tanto que os pedidos de fotografias, antes uma peregrinação de prefeitos e vereadores ao Palácio das Esmeraldas, não passa agora de uns poucos gatos pingados.

O próprio governador, segundo alguns de seus assessores mais próximos, já manifestou que deverá manter-se afastado das campanhas municipais. Depois do mês de junho, então, até mesmo as grandes cidades saíram de sua agenda de visitas.

O reflexo tornou-se tão negativo que o número de candidatos do partido do governador, o PSDB, foi aquém do previsto. Na capital, Goiânia, dois candidatos da base governista não aparecem nas pesquisas em situação confortável.

Mas é no interior que as campanhas mais temem a possível transferência de desgaste que o governo de Goiás pode causar. Quase que como uma sombra, o simples termo "candidato do governo" já causa um tremendo desconforto, fazendo com que os políticos da "base" protelem no maior tempo possível qualquer proximidade com o Palácio.

Estratégias políticas à parte, candidatos da base do Governo em todo Estado pensam e queimam pestanas em busca de algo que possa recuperar tudo o que foi investido em 2010. Toda a aposta política feita para que o governo de Goiás fosse ocupado por Perillo revelou-se, até o presente momento, uma vitória só da banca. Nenhum apostador parece ter levado as fichas para o caixa.

E como a política dá voltas.

Gercyley Batista é jornalista em Goiânia e mantém o blog Observacionista

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