O medo de Palocci

Se o ministro tivesse boas explicações, já as teria dado

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Por que o ministro Antonio Palocci está demorando tanto a explicar como ganhou de R$ 20 milhões em um ano eleitoral? Por que o governo impede a qualquer custo que ele dê essas explicações ao Congresso?

Independentemente das respostas, pode-se chegar à conclusão de que Palocci ainda não tem como se explicar. Tendo advogados, contadores, jornalistas e administradores de crises muito bem remunerados à sua disposição, não há justificativa para o ministro nada falar e se esconder de deputados e senadores. Quer dizer: não haveria justificativa se ele soubesse como explicar as atividades de “consultoria” quando era deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Rousseff.

Quem tem o que dizer, não tem medo de dizer. O melhor para Palocci, para a presidente Dilma e para o governo teria sido o ministro ter dado logo suas explicações e aí sim, o caso ser dado como encerrado. Não é nenhum absurdo um ministro comparecer ao Congresso para dar explicações a parlamentares, mesmo no presidencialismo. Pelo contrário, deveria ser normal. A não ser que tenha medo do enfrentamento e não tenha explicações convincentes. Parece ser essa a situação de Palocci.

Não vale a desculpa de que a oposição quer é travar uma luta política e desgastar o governo, e por isso não se recomenda a ida do ministro. Travar luta política e tentar desgastar o governo é, obviamente, próprio de qualquer oposição. Ter medo de travar a luta política e assim evitar o desgaste não é natural para um governo que tem ampla maioria parlamentar. Palocci, até agora, não deu explicações razoáveis sequer aos líderes governistas que têm feito de tudo para impedir que ele seja chamado ao Congresso.

O esforço para evitar que Palocci tenha de se explicar ao Congresso é tão grande que o ex-presidente Lula veio a Brasília para assumir a coordenação política do governo de Dilma. Lula está exercendo essas funções informais com desenvoltura e já deixou claro que Palocci é importante para o governo e não pode cair.

A presidente ainda cedeu à chantagem de parlamentares que representam o fundamentalismo cristão e desautorizou publicamente seus ministros da Educação e da Saúde ao cancelar a produção e distribuição do chamado “kit anti-homofobia”, ou, para os preconceituosos, “kit gay”. Pode ser até que a presidente não tenha gostado mesmo do que viu, mas tomar a decisão nesse momento mostrou claramente o medo de que os fundamentalistas viessem a apoiar a convocação de Palocci.

O roteiro do governo é claro:

- mobiliza as bancadas governistas para impedir a todo custo que Palocci seja convocado a dar explicações ao Congresso.

- aproveita os 15 dias dados pelo procurador-geral para que o ministro se explique, contando com o esvaziamento do assunto na imprensa e no Congresso. E tendo tempo para “arrumar” as explicações.

- acaba com o assunto se o procurador-geral, como esperam, conclua que não há o que investigar.

O problema, como sempre, é combinar com o adversário. Palocci está demonstrando que tem muita força em um governo que se submete a um desgaste desnecessário para mantê-lo a qualquer custo. Provavelmente sobreviverá, mas com enorme ônus, que o tempo mostrará, para ele e para a presidente Dilma.

Caso julgado

Por um voto de diferença, 5 a 4, os ministros do Supremo Tribunal Federal absolveram Palocci da acusação de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Depois disso, um respeitado jornalista, Paulo Nogueira, revelou que foi o próprio ministro que levou os dados do caseiro ao comando das organizações Globo. E a Caixa Econômica Federal informou que quem vazou os números foi mesmo Palocci.

Mas não custa lembrar que quem acusou Palocci na época, e insistiu na tese de que ele era culpado, foi o procurador-geral Roberto Gurgel, que agora receberá as explicações sobre o enriquecimento súbito.

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