Para salvar o pescoço, Temer retoma o feirão das emendas parlamentares

, por Giuliana Miranda

247 - De volta da viagem aos Estados Unidos,  Michel Temer investirá em duas linhas de ação nos próximos dias: a articulação para arquivar o quanto antes a segunda denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra ele; e o esforço simultâneo para descolar os bons resultados da economia da crise política. Temer vai redobrar o corpo a corpo com os deputados e mapear as insatisfações, que envolvem cargos e emendas não pagas.

Mas uma reforma ministerial está descartada antes de março, quando os ministros têm que deixar os cargos para se candidatar. Um levantamento prévio feito pelo Valor aponta que pelo menos 16 dos 28 ministros devem se desincompatibilizar para concorrer às eleições de 2018.

Esse número pode subir para 19 num cenário em que três dos principais auxiliares de Temer seriam candidatos: o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que se colocou como pré-candidato à sucessão presidencial. E os titulares da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, ambos do PMDB. Neste momento, contudo, Padilha e Moreira descartam eventuais candidaturas.

Um auxiliar ressalva que só haverá uma reforma agora se o PSDB romper com Temer, mas esse não é o desejo da maioria da sigla. Alvo principal das queixas de parcela expressiva da base aliada, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), não será substituído. Às vésperas da mobilização do governo para análise da segunda denúncia, Temer preservará o articulador político, apesar dos protestos que partem, especialmente, das bancadas do PP, PR e PSD.

 

As informações são de reportagem de Andrea Jubé no Valor.