Parem de brigar, meninos

Presidente Dilma manda ministros da Fazenda e da Casa Civil fumarem o cachimbo da paz

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A briga começou com estocadas de ironia. Nas reuniões palacianas, o ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, passou a ser irônico com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele insinuava que não seria possível ter reuniões às sextas-feiras porque nestes dias da semana Mantega costuma viajar para São Paulo, onde mora. “Não vai ser possível, não é sr. ministro?”, afirmava Palocci, “o sr. ministro precisa viajar”. Essas declarações publicadas na imprensa e não desmentidas. O assunto foi parar na prestigiada coluna do jornalista Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo, que informou sobre o processo de fritura de Mantega. O motivo de fundo do enfrentamento está em divergências de Palocci com a política econômica desenvolvida atualmente na Fazenda que ele próprio ocupou nos primeiros tempos do governo Lula.

Antes, porém, que o clima piorasse, a presidente Dilma Rousseff interferiu para mostrar quem realmente manda. Segundo a jornalista Renata Lo Prete, também da Folha, Dilma chamou ambos para uma conversa, mandou parar com isso e ainda avisou que daria demonstrações públicas de apoio a Mantega. Dilma almoçou em seu gabinete com o ministro da Fazenda um dia depois da fritura anunciada por Gaspari e, para reforçar, abriu sua agenda do dia seguinte com outra reunião com Mantega. À jornalista Claudia Safatle, do Valor Econômico, Dilma entrou no mérito da discussão. “Ou eles vivem juntos, ou morrem juntos”.

Depois da ‘enquadrada’ de Dilma, Palocci cessou suas críticas e Mantega sentiu-se prestigiado. O que não significa que os motivos para as diferenças de visão econômica – ou, ao menos, de onde é melhor um ministro morar – tenham acabado. Eles entraram num processo que, em política, se chama paz armada, a pax.

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