PF: Gabinete de Janot sabia de ligação de Miller com a JBS

Para a Polícia Federal, o gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabia da ligação do ex-procurador Marcello Miller com os executivos da JBS, orientando os irmãos Batista em seu acordo de delação com o MPF; conversa no WhatsApp mostra diálogos entre Miller e uma advogada da JBS enquanto Miller ainda atuava na Procuradoria

Para a Polícia Federal, o gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabia da ligação do ex-procurador Marcello Miller com os executivos da JBS, orientando os irmãos Batista em seu acordo de delação com o MPF; conversa no WhatsApp mostra diálogos entre Miller e uma advogada da JBS enquanto Miller ainda atuava na Procuradoria
Para a Polícia Federal, o gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabia da ligação do ex-procurador Marcello Miller com os executivos da JBS, orientando os irmãos Batista em seu acordo de delação com o MPF; conversa no WhatsApp mostra diálogos entre Miller e uma advogada da JBS enquanto Miller ainda atuava na Procuradoria (Foto: Charles Nisz)

247 - Para a Polícia Federal, o gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não apenas tinha conhecimento de que o ex-procurador Marcello Miller trabalhava para a JBS como também sabia que ele vinha atuando “de forma indireta” no acordo de delação premiada firmado pela cúpula da empresa, noticia o site da Revista Veja. O ex-procurador Miller participava de um grupo de WhatsApp com os Batista e diretores da JBS.

Uma das mensagens mais reveladoras foi enviada em 5 de abril, último dia de vínculo formal de Miller com o Ministério Público Federal. No entanto, o procurador já orientava os executivos da JBS. Fernanda Tórtima, advogada da JBS, informa ao grupo que o gabinete de Rodrigo Janot havia convocado Joesley para prestar depoimento dois dias depois. A convocação é considerada estranha, pois os detalhes do acordo de delação ainda não haviam sido acertados – a assinatura ocorreria só um mês depois.

Muller entra na conversa, com orientações de quem conhece a Procuradoria por dentro: “Não pode ser depoimento. Isso só pode ser debriefing [um interrogatório preliminar]. Francisco de Assis, executivo da JBS, diz que é mesmo depoimento. Miller, mostrando estar alinhado com a empresa, diz "não podemos aceitar isso".

Nesse momento da conversa, observa a PF, a advogada Fernanda Tórtima revela que o procurador Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Rodrigo Janot, tinha conhecimento de que Miller viajaria aos Estados Unidos para tratar de interesses da JBS. Além disso,  o gabinete de Janot aguardaria um contato de Miller, que ligaria dos EUA para informar sobre o acordo com as autoridades norte-americanas. Para a PF, a sequência no WhatsApp mostra que o gabinete de Rodrigo Janot sabia da ligação de Miller com a JBS.

 

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