Pomar: 'Não basta ganhar eleições. É preciso ter força social organizada'

Candidato à presidência do PT na eleição de novembro, Valter Pomar também afirma que a esquerda precisa lembrar que o problema não se resume ao atual presidente da República, mas sim "derrotar o conjunto das forças que fizeram o impeachment, condenaram, prenderam e interditaram Lula e participaram da eleição de Bolsonaro"

Valter Pomar
Valter Pomar (Foto: 247)

247 - Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e candidato à presidência do PT na eleição de novembro pela chapa "Esperança Vermelha", Valter Pomar avalia que a esquerda precisa lembrar que "o problema não se resume à pessoa do Bolsonaro, o problema é derrotar o conjunto das forças que fizeram o impeachment, condenaram, prenderam e interditaram Lula e participaram da eleição de Bolsonaro. Essa coalização golpista tem que ser derrotada".

"A gente não quer só melhorar a vida do povo, a gente quer que o Brasil seja um país baseado na igualdade social, numa democracia radical, um país que luta contra o domínio que os Estados Unidos impõem ao mundo. Nós queremos um Brasil socialista e para isso nós confiamos muito na luta social", disse ele ao Século Diário.

"Sabemos que as urnas registram aquilo que as ruas tiverem conquistado. Não basta ganhar eleições. Nós vimos o que aconteceu no impeachment. É preciso ter força social organizada para impedir golpes, sabotagens, ditaduras", complementou.

De acordo com Pomar, "a gente só precisa ficar esperto com o seguinte: do mesmo jeito que caiu o Collor e a política neoliberal prosseguiu, não é impossível que mais adiante o Bolsonaro venha ser afastado por suas características, pelas suas digamos, vicissitudes, e seu programa continua sendo implementado, porque uma figura com [Hamilton] Mourão [PRTB-RS] ou como Rodrigo Maia [DEM-RJ] são tão comprometidos com esse programa antinacional, antidemocrático e antissocial quanto Bolsonaro".

"O que é preciso perceber é que a dinâmica desse governo é diferente da dinâmica do governo Sarney, FHC, e mesmo do governo Collor. Esse é um governo liderado por um núcleo duro que não tem medo de se isolar e não tem medo de radicalizar. A tática adotada por esse núcleo duro do governo Bolsonaro é coerente com os propósitos que eles defendem para o país. Eles defendem a destruição dos direitos sociais, sabem que isso vai piorar a vida do povo, e por isso defendem a restrição das liberdades democráticas, por isso defendem a maior repressão, a criminalização dos movimentos, medidas antidemocráticas".

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