“PSB não quer saber se a teta é Maia ou Temer. Querem é mamar”, diz Júlio Delgado

Júlio Delgado (PSB-MG) foi um dos primeiros deputados a abandonar o governo Michel Temer e ir para a oposição; em entrevista ao site Diário do Centro do Mundo, Delgado analisa a tentativa de Temer de atrair deputados do partido para evitar a aceitação da denúncia por corrupção passiva oferecida pela Procuradoria-Geral à Câmara

JÚLIO DELGADO
JÚLIO DELGADO (Foto: Charles Nisz)

247 - Um dos primeiros parlamentares do PSB a abandonar o governo Temer e partir para a oposição, o deputado federal mineiro Júlio Delgado acredita que novas denúncias contra o presidente e a pressão dos eleitores nos estados podem derrubá-lo. Ele acha difícil, no entanto, o plenário da Câmara aceitar a denúncia rejeitada na CCJ.

Em relação à ida de deputados de seu partido para o PMDB de Temer ou o DEM de Rodrigo Maia, Delgado vê um movimento para desgastar a imagem do PSB. “Os caras não querem saber qual é a teta, querem saber se a teta é a do governo”, diz.

DCM — Se a votação fosse hoje, haveria chance de aprovação da denúncia contra Temer no plenário da Câmara?
Deputado Júlio Delgado  Eu acho difícil hoje, mas não impossível. Na bancada do PSB temos número suficiente. Temos um documento assinado por 24 dos 36 deputados do partido, que se declararam favoráveis à continuidade dessa primeira denúncia que pede o afastamento do presidente da República.

Mas, ao todo, como os aliados do Temer conseguiram rejeitar na CCJ, que é um termômetro para a condução do processo, vai depender, realmente, da pressão que esses deputados estão sofrendo nas bases. Aqui em Minas existe a pressão. Não sei como isso está em outros estados, para que tenhamos a possibilidade concreta

A pressão viria dos eleitores nos estados, pensando em 2018?
Acho que isso é o que pode demover alguns deles da ideia de não votar pelo andamento do processo contra o Temer. Essa é a pressão, saber que a votação em plenário vai ter chamada nominal e que a cada dia as eleições ficam mais próximas.

E temos a possibilidade também de outras denúncias. Espero que a gente alcance o número que precisamos nesta, mas sabemos que no final de agosto, início de setembro, poderemos ter outra denúncia, levando os deputados a passarem pelo mesmo procedimento, aumentando ainda mais a pressão popular, já que cerca de 95% dos brasileiros é a favor do afastamento do Temer para que ele possa ser julgado como qualquer cidadão que tem um caso para ser investigado.

Acha positivo ou negativo, para um possível afastamento, o fato de a votação ter passado para agosto?
É o que podia ser feito. Eu achei positivo, como te disse anteriormente, porque os deputados estão voltando para as bases e terão de lidar com essa pressão dos cidadãos. Vamos ver o que acontece na volta a Brasília.

Também aumenta a pressão a definição de que a votação será por nome, depois terá chamada dos ausentes, depois vai ter corte de ponto dos ausentes, ou seja, isso tudo faz uma pressão para que os deputados estejam presentes. Faremos o trabalho para alcançar os 342 votos. É difícil, mas não é impossível.

Outras denúncias podem derrubar o Temer?
Vai depender da robustez dessas denúncias, do que for a fundamentação e a prova juntada pelo Procurador, e do desgaste a que os parlamentares serão submetidos se votarem contra uma nova autorização. O retorno das bases eleitorais vai ter um impacto importante, as delações também. A denúncia é baseada no mesmo fato, mas com tipificações criminais diferentes. Essa de agora é por corrupção passiva, outras são por obstrução da Justiça, formação de quadrilha.

Acredita que o adiamento para agosto foi um recado do Maia ao Temer sobre a possibilidade de eleições indiretas?
Lógico. Nem indireta será preciso. Porque se nós dermos autorização e o Supremo autorizar a continuidade da ação, o Temer já é afastado e o Rodrigo assume por seis meses sem precisar de voto, sem eleição indireta.

Da mesma forma que o Temer assumiu, inicialmente, depois da Dilma. Então, de certa forma, o Maia coloca que não está conspirando, que é leal ao presidente, mas é o próximo na linha sucessória e está vendo a iminência disso acontecer.

Confira a íntegra da entrevista de Júlio Delgado ao DCM

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