PSoL e PSTU fazem tudo certo para que saia tudo errado

Com origens no trotskismo barba e bolsa da Libelu e da Convergência, grupelhos estudantis viraram partidos políticos, mas guardam dificuldades para aceitar a democracia

Quando se trata dos Black Blocks, sabe-se que são rebeldes sem causa, linha de frente das depredações em São Paulo. Células individuais unidas pela oportunidade, não chegam nem a um foco revolucionário, como gostariam de ser.

Policiais infiltrados, provocadores de passagem e valentões da periferia são apenas bandidos cumprindo dentro das manifestações que já foram populares, no sentido de reunir massas, como em junho, um papel criminoso. Mais lixo ainda.

Com o PSoL e o PSTU, porém, é diferente. São partidos políticos com responsabilidades com a democracia representativa, essa que temos em todas as suas distorções. Têm vereadores, deputados. Concorrem regularmente. Mas também eles, com seus militantes nervosinhos, vão ultrapassando os limites da própria democracia ao darem toda a colaboração para que manifestações de público em geral, e não de categoria de trabalhadores, nas quais não têm nem nunca tiveram a menor expressão, venham se transformando em momentos única e exclusivamente de conflitos, depredações e arruaças.

Foi assim na noite da quarta-feira 14 em São Paulo, e assim no dia seguinte, no Rio de Janeiro. De um lado, Câmara Municipal atacada. De outro, avenida Rio Branco paralisada, Câmara ocupada e fechada por falta de segurança. Ali, entre os argumentos políticos dos não mais de 300 manifestantes que realizaram toda a bagunça, cusparadas e ovadas.

A origem do PSoL – o Partido Socialismo e Liberdade – é o grupo trotskista dos anos 1980 Liberdade e Luta. A tão famosa no movimento estudantil quanto pequena Libelu.

O PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – é também trotskista, identificado, naquela quadra recente da história com a Convergência Socialista.

Apesar do mesmo DNA ideológico, nunca se bicaram, cada qual com seus próprios dogmas. Em reuniões, assembleias e concentrações, sempre escolhem as propostas consideradas as mais radicais, garantindo os lugares mais próximos de cair no abismo com o pé esquerdo na frente.

Avante dizem eles agora, promovendo à sorrelfa, como nesta quinta 15, no Rio, um congestionamento monstro na principal via do centro da cidade. Pode-se se esgueirar, num grupo de 300 pessoas, entre os carros, deitar no chão e parar uma avenida. Mas não dá para achar que fazer isso é realizar uma manifestação política democrática, legítima e apoiada, ao menos, pelas massas – que nessa não estavam. É só um golpe.

As ações de vandalismo que contam, infelizmente, com os patriotas equivocados do PSoL e do PSTU em sua linha de frente fazem jus à rica história de erros táticos e estratégicos desses grupelhos desde suas raízes, e outra vez contribuem em tudo para afastar as massas das ruas.

Se era para estragar um momento único da democracia brasileira, o PSoL e o PSTU estão, aí sim, fazendo tudo certo.

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