Quem tem medo de Lula?

Será que Dilma teme sua sombra ou é a oposição que não quer vê-lo num plebiscito?

Da Etiópia, onde participou de um encontro sobre segurança alimentar na África, no início da última semana, o ex-presidente Lula foi categórico. Garantiu que não estará presente nas urnas em 2014 e afirmou ainda, com todas as letras, que Dilma Rousseff é e será sua única candidata ao Palácio do Planalto. Sobre a queda dela nas pesquisas, brincou: “Se tem um cidadão que já subiu e desceu em pesquisa, fui eu. Em 1989, tinha medo até de sair devendo para o Ibope”.

Portanto, apesar de todo o barulho em torno do “Volta, Lula”, provocado pela tensão política das últimas semanas, se há alguém que não deveria se preocupar com isso é a própria Dilma. Até porque o retorno de Lula seria o reconhecimento, pelo PT, de um suposto fracasso que ainda não é enxergado dessa maneira pela população. Apesar de todas as dificuldades recentes, Dilma ainda lidera as pesquisas de intenção de voto e seu governo conta com trunfos importantes, como o baixo desemprego e a expansão da renda da população nos últimos anos. 

Na oposição, no entanto, Lula assusta. E nem precisa ser candidato a nada. Ao falar sobre o plebiscito da reforma política, proposto pelo governo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) acusou o golpe. “O que eles querem é desviar a atenção do fracasso do governo, botando Lula na tevê, em campanha pela agenda do PT. Querem aproveitar a crise para perpetuar o PT no poder.”

Também no PSDB, o ex-governador José Serra, que voltou a se animar com a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto, depois que uma pesquisa o mostrou colado em Marina Silva e à frente do rival interno Aécio, disse que Lula voltará caso Dilma enfrente dificuldades ainda maiores. “O PT não quer perder o poder e eles vão fazer de tudo para não perder. Se eles acharem que a Dilma não tem chance, eu não tenho dúvida de que porão Lula”, declarou.

Atrair Lula para esse jogo, a essa altura do campeonato, atende aos interesses, evidentemente, da oposição. Anteciparia o fim do governo Dilma e permitiria sacar velhas armas da guerra política, como o processo que tenta associar o ex-presidente ao chamado “mensalão”. O que espanta, no momento atual, é que diversas alas do PT estejam dando vazão ao coro do “Volta, Lula”. Ao fazer isso, demonstram insegurança e uma crença relativamente baixa na possibilidade de que o governo Dilma consiga virar o jogo até 2014 – o que amplia o  espaço para traições entre aliados e anima ainda mais a oposição.

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