Rede pode vetar banqueiros, mas não Neca

"Ela não é vista como filha de banqueiro", justifica deputado Walter Feldman (SP), que deixou o PSDB para ir para o Rede Sustentabilidade; militantes que apoiam o novo partido defendem que sejam recusadas doações partidárias de empreiteiras e bancos, como a sigla já determina com empresas de tabaco, agrotóxicos, bebidas alcoólicas e armas; herdeira do Itaú, no entanto, tem relação mais próxima com a futura legenda: Neca Setúbal é amiga de Marina Silva e responsável pela captação de recursos do Rede. Quer dizer que ela pode?

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247 – A nova legenda da ex-ministra Marina Silva veio com a proposta de ser diferente de tudo o que está aí. E já em seu estatuto propõe uma medida inovadora: a proibição de doações partidárias por parte de empresas dos setores de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos e armas. Agora, os militantes que apoiam a criação do partido, que pode lançar Marina à presidência da República em 2014, defendem ainda o veto ao recebimento de verbas de empreiteiras e bancos.

A sugestão foi feita durante um fórum realizado na última segunda-feira 22, em São Paulo, que reuniu apoiadores e políticos que devem assumir cargos no futuro partido. A justificativa é de evitar um eventual conflito de interesses entre as empresas desses dois setores, campeões nas doações a campanhas eleitorais, e o governo, uma vez que bancos e construtoras são geralmente responsáveis pela execução de grandes obras públicas.

Para o Rede, no entanto, existe uma relação mais próxima do que a de simples doador e receptor com a herdeira de um dos maiores bancos do País. Maria Alice Setúbal, filha do falecido dono do Banco Itaú, Olavo Setúbal, é a segunda de seis filhos homens – parte de uma família que tem fortuna avaliada em R$ 5 bilhões. Além de amiga de Marina Silva, Neca, como é conhecida, é responsável pela captação de recursos do partido, uma espécie de fada madrinha da ex-senadora.

A participação de Neca, porém, não é vista com maus olhos pelos "marineiros". Para o deputado Walter Feldman, que deixou o PSDB para ingressar no Rede, "ela não é vista como filha de banqueiro, pois tem dedicação de vida exclusiva à atividade social, ligada à educação". Questionada pelo jornal O Estado de S.Paulo sobre a sugestão de vetar bancos e empreiteiras, Marina Silva respondeu que as regras para doações ainda estão sendo analisadas e informou que também está em debate a possibilidade de o partido só aceitar doações de pessoas físicas numa eventual campanha.

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