Saída democrática passa necessariamente por Dilma

Os dados dos levantamentos dos instiutos Ipsos e Paraná Pesquisas são eloquentes e revelam que a única maneira de tentar consertar o estrago feito na democracia brasileira pelo golpe parlamentar de 2016 é rejeitar o impeachment, que levou ao poder o interino Michel Temer – segundo o Ipsos, ele deve continuar no poder apenas para 16% dos brasileiros; um passo seguinte seria a consulta popular sobre reforma política e novas eleições presidenciais; caso os senadores, no entanto, confirmem o impeachment, a democracia brasileira terá sido ferida de morte para sempre, pois uma presidente terá sido afastada sem crime de responsabilidade para que em seu lugar fosse mantido um vice em exercício extremamente impopular

Brasília - DF, 04/05/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista para BBC Londres no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Brasília - DF, 04/05/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista para BBC Londres no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Foto: Leonardo Attuch)

247 – Dentro de aproximadamente um mês, os senadores decidirão se matam de vez a democracia brasileira ou se buscam uma saída democrática para a crise atual.

Se a opinião pública puder servir como farol, uma única solução se mostra viável: rejeitar o impeachment, uma vez que a tese das pedaladas fiscais e dos créditos suplementares já foi completamente desmoralizada, desde que a presidente Dilma Rousseff se comprometa a consultar a população, por meio de um referendo, sobre novas eleições e reforma política.

É essa a saída que a população aponta por meio dos levantamentos dos institutos Ipsos e Paraná Pesquisas. De acordo com o Paraná Pesquisas, nada menos que 73,1% dos brasileiros defendem a saída imediata de Michel Temer (leia aqui). No Ipsos, só 16% querem que Temer continue, percentual menor do que os 20% que defendem que Dilma volte e conclua seu mandato.

Como a tese de novas eleições depende da volta de Dilma, ainda que temporária, é esse o compromisso que ela tem assumido com os senadores indecisos – volta, mas, em seguida, consulta a população sobre novas eleições. Nesse período de transição, a própria equipe econômica, capitaneada por Henrique Meirelles, na Fazenda, seria mantida.

Caso os senadores, no entanto, decidam manter Michel Temer no poder, entrarão para a história como coveiros da democracia. Terão afastado uma presidente que não cometeu crime de responsabilidade, numa farsa jurídica já decifrada pela opinião pública do Brasil e do mundo, para manter no poder um interino extremamente impopular. Ou seja: a saída democrática para o Brasil passa, necessariamente, pela volta de Dilma, para que ela, eleita, possa transmitir o cargo um sucessor também eleito.




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