'Se abandonar Lula for condição para fazer alianças, nós não faremos', diz Gleisi

A presidente do PT , deputada federal Gleisi Hoffmann, afirmou que a Jornada Lula Livre não será abandonada em prol de alianças políticas; "Se abandonar a luta Lula Livre for uma condição para fazermos uma aliança pontual e conjuntural, nós não faremos", disse; "Jamais abriremos mão do Lula. Tem gente que acha que a defesa dele não é a centralidade. Achamos que é, porque o governo Bolsonaro é a destruição do legado que Lula construiu", ressaltou a parlamentar na véspera da data que marca um ano da prisão sem provas do ex-presidente; no contexto de 7 de abril, ela destaca a Jornada Lula Livre fará uma série de atos em todo o país pela liberdade de Lula e pela democracia

'Se abandonar Lula for condição para fazer alianças, nós não faremos', diz Gleisi
'Se abandonar Lula for condição para fazer alianças, nós não faremos', diz Gleisi

Eduardo Maretti, Rede Brasil Atual"Jamais abriremos mão do Lula. Tem gente que acha que a defesa dele não é a centralidade. Achamos que é, porque o governo Bolsonaro é a destruição do legado que Lula construiu", diz a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta nacional do partido, no momento em que a prisão do ex-presidente da República pela operação Lava Jato completa um ano. Para ela, não há como separar a disputa política cotidiana, por exemplo no Congresso Nacional, da luta pela liberdade de Lula.

"Se não considerarmos que Bolsonaro é fruto, primeiro, do golpe contra Dilma e, segundo, que Lula foi preso para que ele ou outro da extrema-direita ganhasse, estamos fazendo uma leitura errada", diz. "Fazer uma leitura só conjuntural é muito pouco. Se abandonar a luta Lula Livre for uma condição para fazermos uma aliança pontual e conjuntural, nós não faremos."

No contexto de 7 de abril, ela destaca a Jornada Lula Livre, "uma série de ações continuadas" pela liberdade do ex-presidente, que começa pelo Rio Grande do Sul, passando por Santa Catarina, para chegar ao Paraná no domingo, num ato em frente à Polícia Federal.

A deputada – uma das mais combativas lideranças em todo o processo contra Lula pela Lava Jato – tem feito contundentes denúncias contra a força-tarefa sediada em Curitiba. Na última quinta-feira (4), ela acusou a operação de cometer crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, organização criminosa e corrupção passiva.

A deputada acusa a força-tarefa de ter atuado com "apoio e orientação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos" (DoJ). Ela aponta que, no próximo mês, vai haver um evento em São Paulo que confirma essa afirmação. Dos dias 6 a 8 de maio, em parceria com a Associação de Juízes Federais do Brasil (Ajufe), o órgão norte-americano vai bancar um seminário que visa ao treinamento de juízes federais brasileiros.

"Tudo isso mostra que Lula não era um objetivo ao acaso", diz a deputada em entrevista à RBA.

Como avalia a situação de Lula e seu futuro um ano depois da prisão, do ponto de vista jurídico e politico?

O que estamos descobrindo sobre os contratos de leniência mostram que tinha uma grande articulação com os Estados Unidos. Primeiro, temos que caracterizar a prisão do Lula, feita num julgamento que não evidenciou provas, e sequer conseguiu tipificar penalmente os crimes cometidos. Lula é um preso político. Nos deixou muito apreensivos o adiamento, tanto dos recursos no STJ, que eram os recursos em relação à condenação pelo TRF4, quanto o julgamento sobre a prisão após segunda instância no STF. Esperávamos que fosse feito agora e conseguíssemos liberar Lula. Não entendemos por que ele continua preso diante de tantas evidências de perseguição e falhas processuais.

Estamos questionando a operação Lava Jato. Vamos entrar com a segunda ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) em relação aos acordos, um relativo à Petrobras, outro à Odebrecht, que mostraram que a Lava Jato foi engendrada com apoio e orientação do Departamento de Justiça americano, que começou em 2009 com treinamento de setores da Justiça Federal e Ministério Público Federal, o que continua. Vemos esses acordos pelos quais empresas brasileiras têm que pagar a investidores americanos e suíços, e 80% volta para o Ministério Público e a Justiça Federal para eles fazerem o que quiserem. Isso é muito grave.

Vai ter mais um treinamento agora, uma capacitação de 6 a 8 de maio em São Paulo, juntando a Ajufe e o Departamento de Justiça americano. Tudo isso mostra que Lula não era um objetivo ao acaso. Foi quem trouxe o pré-sal, deu força aos Brics, à Unasul, mudou as relações políticas e comerciais do Brasil. A ação americana tem tudo a ver com ferir a soberania brasileira.

Ao longo da operação Lava Jato, o que você destacaria como atos mais graves contra Lula, a começar da condução coercitiva em 4 de março?

A condução coercitiva, que você já falou, as escutas ilegais, que impediram Lula de ser ministro da Dilma, o que foi muito grave. A primeira condenação foi pelo power point (de Deltan Dallagnol). Começa aí.

Politicamente, não foi demorada a decisão de indicar Lula ao ministério de Dilma na época? Essa decisão não deveria ter sido tomada logo no início do governo?

Podemos até fazer avaliações do tempo político. Mas o fato é que era uma indicação de direito da presidente, e de direito de Lula aceitar. Eles não poderiam ter feito uma escuta telefônica e ter vazado isso de forma ilegal, como vazaram. Fizeram uma escuta num prazo superior ao que era liberado nos autos, o que também é muito grave.

Outra coisa foi a delação do Léo Pinheiro, que negociou com seus executivos para corroborar a delação pagando um milhão de reais para cada executivo. Soubemos disso porque um deles não recebeu e entrou na Justiça do Trabalho contra o Léo Pinheiro. Executivos da Odebrecht receberam e estão hoje em casa, para delatar Lula e corroborar a delação do Marcelo Odebrecht. Uma construção odiosa.

Na atual conjuntura, focar a luta no Lula Livre não prejudica um pouco a disputa política contra Bolsonaro no Congresso Nacional?

Jamais abriremos mão do Lula. Tem gente que acha que a defesa do Lula não é a centralidade. Achamos que é, porque o governo Bolsonaro é a destruição do legado que Lula construiu. Ele é a antítese, ele mesmo disse: "eu vim pra desconstruir". O Lula foi preso para que ele pudesse fazer isso.

Se não considerarmos que Bolsonaro é fruto, primeiro, do golpe contra Dilma e, segundo, que Lula foi preso para que ele ou outro da extrema-direita ganhasse, estamos fazendo uma leitura errada. Fazer uma leitura só conjuntural é muito pouco. Ou a gente faz uma leitura da história recente, entendendo o que se passa no Brasil, ou vamos achar que esse é um governo da normalidade. Não é. Estamos tratando com um governo da destruição dos direitos do povo, das liberdades, da democracia, de extrema direita. Jamais abandonaremos a luta de Lula Livre. Se essa for uma condição para fazermos uma aliança pontual e conjuntural, nós não faremos.

Mas não acho que esta é a condição. Acho que temos condição de fazer alianças por bandeiras, por exemplo contra a reforma da Previdência, o fim dos direitos democráticos, como estamos fazendo, mas não abriremos mão de Lula Livre.

Como avalia a reforma da Previdência na atual conjuntura no Congresso?

A posição do PT é ser contra a totalidade da reforma, fechamos questão. O que a gente vê na casa é que quem defende a reforma não defende como ela está. A maioria que se diz a favor quer mudanças nessa proposta. Isso ficou muito claro na audiência pública com Paulo Guedes. Inclusive, a base deles não estava coesa na defesa da proposta. Fizeram discursos genéricos, mas não têm coragem de defender diretamente o que estão propondo. Acredito que é uma proposta que vai desidratar demais. Vamos ter condições de fazer alianças com diversos setores aqui para enfrentá-la.

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