Solidão de Haddad no PT e em SP sem solução à vista

Trs semanas depois de ter deixado o Ministrio da Educao, pr-candidato do PT no comanda poltica de alianas, no apresenta propostas para cidade e no conquista a maior eleitora do partido, senadora Marta Suplicy; ele diz que So Paulo precisa ser reinventada, mas no ser o PT que tem de reinventar seu candidato?

Solidão de Haddad no PT e em SP sem solução à vista
Solidão de Haddad no PT e em SP sem solução à vista (Foto: CELSO JUNIOR/AGÊNCIA ESTADO)

Marco Damiani _247 – Ao se retirar da festa de 32 anos do PT, no sábado 11, minutos antes do discurso do ex-ministro e pré-candidato Fernando Haddad, a senadora Marta Suplicy apenas ressaltou uma situação partidária mal resolvida e sem solução à vista. Uma atitude um tanto pessoal, ok, mas sobretudo política. Assim como milhares de filiados ao PT paulistano, a maior eleitora do partido na capital não reconhece em Haddad um nome capaz de, primeiro, empolgar a militância e, mais tarde e ainda mais difícil, conquistar a preferência dos paulistanos. Podia-se dizer, na fase em que ele ainda era ministro da Educação, que Haddad não tinha tempo nem condições de se dedicar à sua própria campanha. Mas agora já lá se vão três semanas de sua saída do governo e ele ainda não conseguiu criar nem sequer um fato positivo para si próprio e seu partido. Sem o apoio da popular senadora, especialmente, como se sabe, nos bairros mais pobres e densos, com dificuldades para estabelecer as diretrizes de sua política de alianças – ele não quer o PSD do prefeito Gilberto Kassab ao seu lado, mas seu chefe Lula quer – e sem ter explicitado, até agora, uma proposta ao menos para a cidade que ele pretende governar, o máximo que o noviço candidato Haddad fez foi dizer que São Paulo precisa ser reinventada. Pelo claudicar de sua candidatura, ele precisa tomar cuidado para que essa ideia não chegue ao PT como uma senha para a reinvenção do próprio candidato.

Enquanto não diz ao que veio, Haddad abre vastos espaços para a articulação de seus adversários. Pelo PMDB, por exemplo, Gabriel Chalita marcou um gol na sexta 10 ao anunciar a coligação de seu partido com o PSC, acrescentando um minuto ao seu tempo de tevê e chegando a cinco minutos no total. Se tiver conteúdo para mostrar, são suficientes. Ativo, neste momento, com o apoio do vice-presidente Michel Temer, Chalita busca iniciar conversas com o presidente do PDT em São Paulo, o deputado Paulinho da Força, para ampliar mais o seu arco partidário.

De camarote, saboreando os desencontros no PT, o tucano José Serra é cada vez mais candidato. Ele é reconhecido como o melhor político do Brasil na arte de dissimular suas estratégias. Frio e calculista, dificilmente sairá dele qualquer declaração no sentido de que quer ou precisa ser o nome tucano, mas bastará abrir o bico para comentar qualquer questão citadina que os rumores voltarão. À última hora, seguindo o padrão de sua primeira decisão de se candidatar a prefeito, Serra poderá ser aclamado tendo, ao seu lado, o PSD de Kassab, numa composição que já se insinua com o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice.

A vaia que levou na festa de 32 anos do PT, somada ao discurso do presidente da legenda, Rui Falcão, de franca oposição à composição, e aos pesadelos que acometem Marta na hipótese da aliança, ajudaram a reduzir, ainda mais, a subida do prefeito no palanque petista. A presidente Dilma Rousseff, por seu turno, já declarou que não irá participar das eleições em São Paulo. Com isso, Haddad só poderá contar com o ex-presidente Lula para ajudá-lo na missão de chegar ao governo municipal. Pelo que se vê até aqui, a vitória ou a derrota será só e exclusivamente deles dois. Somente alguma 'reinvenção' no PT pode mudar esse roteiro.

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