Tijolaço: Maia posa de primeiro ministro e quer mudar ministério de Temer

Para Fernando Brito, editor do Tijolaço, o "presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumiu a condição prática de Primeiro-Ministro e "sugere" a recomposição do ministério de Michel Temer"; "Isso, na prática, quer dizer mudar ou os controles da economia (Fazenda e Planejamento e Secretaria Geral, por conta das privatizações) e da distribuição de cargos públicos (Casa Civil e Articulação Política)", observa Brito; "Maia reivindica quase abertamente o "comando" do Governo diante do mercado e seu "bezerro de ouro", a reforma da previdência", complementa; A "Praça dos Três Poderes virou um Butantã, onde a peçonha escorre em bicas", finaliza o jornalista

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante votação da admissibilidade da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer 25/10/2017 REUTERS/Adriano Machado
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante votação da admissibilidade da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer 25/10/2017 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Paulo Emílio)

Por Fernando Brito, no TijolaçoEm várias declarações a colunistas e, especialmente, na entrevista que deu a Josias de Souza, do UOL, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumiu a condição prática de Primeiro-Ministro e "sugere" a recomposição do ministério de Michel Temer.

Isso, na prática, quer dizer mudar ou os controles da economia (Fazenda e Planejamento e Secretaria Geral, por conta das privatizações) e da distribuição de cargos públicos (Casa Civil e Articulação Política), embora complementadas com uma movimentação nos "ministrecos" de outras pastas, que não têm um tostão para projetos importantes, mas superintendências nos estados para compor o processo de eleição de deputados.

Fica claro a quem, portanto, os novos ministros deverão fidelidade.

Nada, porém, deve ter irritado mais Temer do que a declaração de que é graças à "responsabilidade" de Maia que ele continua no Governo, atribuindo a si o comando de uma operação "não-desembarque" do DEM e dos tucanos. E mais, dizendo que se, em seu lugar, estivesse ainda Eduardo Cunha, "pode ser" que o atual presidente tivesse caído.

Conhecendo Temer, não é gratidão o que Maia procura com isso.

Quem viu a capa do boletim oficioso do Planalto, a Istoé, com "A sabotagem de Maia" sabe que o desconforto do atual presidente não é meramente urinário.

Maia reivindica quase abertamente o "comando" do Governo diante do mercado e seu "bezerro de ouro", a reforma da previdência:

Convidado a dizer quais são as chances de aprovação da reforma da Previdência numa escala de zero a dez, Rodrigo Maia soou realista: "Se falasse hoje, eu ia dizer três, dois. Muito baixo." Em seguida, atribuiu a Temer a responsabilidade pela resolução da encrenca: "Acho que, nos próximos dias, o presidente Michel, pela experiência que tem, vai pensar essa recomposição da base [legislativa do governo]." Se Temer for bem sucedido, a chance de aprovação da reforma, ainda que em versão lipoaspirada, sobe para "5 ou 6". Quer dizer: se tudo der certo, ainda serão grandes as chances de a mudança nas regras da Previdência dar errado".

A Praça dos Três Poderes virou um Butantã, onde a peçonha escorre em bicas.

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