TRF-4 acelerou ação para inabilitar Lula

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) acelerou de maneira incomum o julgamento do recurso que deve confirmar a condenação do ex-presidente Lula a fim de inabilitá-lo para as eleições presidenciais; em 2017, apenas dois processos públicos por corrupção foram decididos em menos de 150 dias no TRF-4; o julgamento do recurso de Lula, previsto para o dia 24 de janeiro, deve durar 154 dias; defesa de Lula diz que o recurso "tramitou com velocidade diferenciada"; "Esse fato, associado a declarações anteriores do presidente do TRF-4 sobre o mérito do recurso de Lula, sugerem que o ex-presidente não está tendo direito a um julgamento independente", diz o advogado Cristiano Zanin Martins

Abertura da caravana Lula por Minas Gerais, em Ipatinga. Em defesa da Soberania Nacional. #LulaPeloBrasil #LulaPorMinasGerais Foto Ricardo Stuckert
Abertura da caravana Lula por Minas Gerais, em Ipatinga. Em defesa da Soberania Nacional. #LulaPeloBrasil #LulaPorMinasGerais Foto Ricardo Stuckert (Foto: Aquiles Lins)

247 - O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) acelerou de maneira incomum o julgamento do recurso contra a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Levantamento feito pela Folha de S. Paulo aponta que, em 2017, apenas dois processos públicos por corrupção foram decididos em menos de 150 dias no TRF-4. No caso de lavagem de dinheiro, nenhum de mérito foi julgado –foi apenas decidido em um caso que a competência para decisão é da Justiça Federal do Rio Grande do Sul.

A velocidade da tramitação levantou questionamentos da defesa de Lula e, no último dia 15, o presidente da corte, juiz federal Carlos Eduardo Thompson Flores, rebateu as indagações. Ele juntou uma lista de 1.326 ações julgadas em até 150 dias no tribunal em 2017 –48,9% do total das decisões criminais.

Contudo, entre os 1.263 processos públicos (63 estão em segredo de Justiça) relacionados por Flores, apenas os dois por corrupção –menos de 0,2%– tratam dos mesmos crimes da ação contra o petista, que ainda tem réus como o ex-líder da OAS Léo Pinheiro e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

O julgamento está marcado para 24 de janeiro e pode não se encerrar nessa data, porque um dos três juízes da turma julgadora pode, por exemplo, pedir vista para ter mais tempo de analisar o caso.

Lula foi condenado na primeira instância, pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e seis meses de prisão em julho e o recurso chegou em 42 dias no TRF-4, recorde na Lava Jato.

A defesa de Lula diz que o recurso "tramitou com velocidade diferenciada". "Esse fato, associado a declarações anteriores do presidente do TRF-4 sobre o mérito do recurso de Lula, sugerem que o ex-presidente não está tendo direito a um julgamento independente", diz o advogado Cristiano Zanin Martins.

"O processo do tríplex começou com 16 mil páginas e hoje tem cerca de 250 mil."

Leia a reportagem da Folha de S. Paulo sobre o assunto. 

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