“Um episódio espantoso de corrupção generalizada”, diz Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta quinta-feira (26), que os últimos escândalos envolvendo quadros importantes da política representam ‘um episódio espantoso de corrupção generalizada; sem citar nomes, Barroso detalhou os casos: “Um presidente da República que foi denunciado duas vezes pelo procurador-geral da República, uma por corrupção passiva e outra por obstrução de Justiça. Um ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República está preso preventivamente porque supostamente se teria encontrado em seu apartamento a bagatela de R$ 50 milhões. Dois ex-presidentes da Câmara dos Deputados encontram-se neste momento presos", disse o ministro durante seminário na FGV em São Paulo

rpberto barroso
rpberto barroso (Foto: Charles Nisz)

247 - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta quinta-feira (26), que os últimos escândalos envolvendo quadros importantes da política representam ‘um episódio espantoso de corrupção generalizada’. A frase foi dita no seminário ‘Programas de Compliance: Instrumento de incentivo à transparência, à governança e ao combate à corrupção, promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), em parceria com o Superior Tribunal de Justiça e a Fundação Getúlio Vargas. 

Sem citar nomes, Barroso detalhou o caso: “Um presidente da República que foi denunciado duas vezes pelo procurador-geral da República, uma por corrupção passiva e outra por obstrução de Justiça. Um ex-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República está preso preventivamente porque supostamente se teria encontrado em seu apartamento a bagatela de R$ 50 milhões. Dois ex-presidentes da Câmara dos Deputados encontram-se neste momento presos".

O ministro prosseguiu: "Todos os conselheiros do Tribunal de Contas de um Estado, menos um, foram presos preventivamente por determinação do STJ. A delação premiada da Odebrecht fez menção a 415 políticos de 26 partidos, a colaboração premiada da JBS envolveu 1.829 políticos de 28 partidos. Esta é a fotografia do momento atual brasileiro, sem qualquer juízo de valor.”

“Um episódio espantoso de corrupção generalizada”, reconheceu Barroso. No entanto, para o ministro, ‘apesar da fotografia ruim, o filme é bom porque a sociedade reagiu e o país está vivendo um momento de mudança de atitude, de mudanças na legislação e na jurisprudência que, apesar de lentas, são progressivas’.

A palestra de Barroso no seminário teve como tema Democracia, corrupção e justiça. Ao descrever o atual cenário da política brasileira, ele reconheceu que, em uma primeira análise, ‘a fotografia é negativamente impressionante’. Para ele, a mudança começou no julgamento do mensalão. Barroso citou a promulgação da lei dos crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária, o agravamento da pena por corrupção ativa e passiva, a lei de lavagem de dinheiro, a lei que define organizações criminosas, a lei anticorrupção e a Lei da Ficha Limpa como boas mudanças na legislação.

Para Barroso, ‘a semente já foi plantada, corações e mentes já foram conquistados’, mas ‘quem estava esperando o nocaute não vai assistir, porque a luta é ponto a ponto’.

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