Única ilegalidade existente é daqueles que tentam prejudicar minha reputação, diz David Miranda sobre relatório do Coaf

Relatório do Coaf encaminhado ao Ministério Público aponta "movimentações atípicas" na conta bancária do deputado federal David Miranda. Em nota, Miranda afirma que as quantias relatadas são obviamente compatíveis com sua renda familiar

David Miranda e Glenn Greenwald debocham do Pavão Misterioso
David Miranda e Glenn Greenwald debocham do Pavão Misterioso (Foto: Reprodução/Twitter)

247 - Por meio de nota, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) respondeu ao relatório do Coaf, encaminhado ao Ministério Público, que aponta "movimentações atípicas" em sua conta bancária. A investigação foi aberta dois dias após o marido do deputado, o jornalista Glenn Greenwald, deu início a série de reportagens denominada como "Vaza Jato".

David Miranda afirma que os valores apontados pelo relatório do Coaf têm "compatibilidade óbvia" com a renda de sua família e adverte que única ilegalidade existente neste caso é cometida "por aqueles que vazam essas informações para prejudicar minha reputação como retaliação pelas reportagens do Intercept".

Confira a íntegra da nota:

Há duas semanas, soube por meio de matéria jornalística que havia um procedimento aberto pelo MP-RJ que investigava minhas movimentações financeiras, procedimento que supostamente corria em segredo de justiça. No mesmo consta movimentação de R$ 1,3 mi em minha conta bancária. Quando o MP se refere a movimentação financeira, soma entrada e saída em conta bancária — o que induz à percepção de que o dinheiro que passou pela conta foi o dobro do que realmente a conta movimentou.

Como eu disse anteriormente, o relatório enviado pelo COAF ao MP-RJ — dois dias depois que meu marido, o jornalista Glenn Greenwald, deu início à publicação da série de reportagens com revelações sobre a Lava Jato — mostra uma quantia totalmente compatível com a renda de nossa família. Desde o início da Vaza Jato, esperávamos este nível de retaliação e desinformação deliberada.

Para além da renda de parlamentar, possuo sociedade com meu marido em uma empresa com projetos importantes. O salário anual do Glenn — como co-fundador e jornalista investigativo do portal The Intercept e da Intercept Brasil — é informação pública, porque essas empresas são ONGs. Qualquer jornalista pode compará-lo com os valores reportados pelo COAF para constatar a compatibilidade óbvia. Além disso, seus projetos — dos quais participei como parceiro — incluem livros que figuram nas listas dos mais vendidos do mundo, filmes e palestras.

Sobre a tal gráfica citada na matéria, não faço ideia do que se trata, nunca rodei material em Mangaratiba. Sempre fiz meus materiais de divulgação na cidade do Rio e, poucas vezes, em Niterói.

Na semana passada, o juiz negou o pedido do MP-RJ para quebrar meu sigilo bancário, para que eu pudesse enviar os documentos que demonstram a origem dessa renda. Nossos advogados estão fazendo exatamente isso para cumprir a ordem do juiz. A única ilegalidade existente é a praticada por aqueles que vazam essas informações para prejudicar minha reputação como retaliação pelas reportagens do Intercept. Estou aguardando a citação da justiça para explicar detalhadamente meus rendimentos.

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