Vaccarezza nega racha na base aliada do governo

Coordenador do grupo que discutirá a reforma política na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que o que existe é "uma divergência do [deputado Henrique] Fontana com a bancada do PT"; parlamentar gaúcho se negou a participar dos trabalhos sob a coordenação de Vaccarezza

Vaccarezza nega racha na base aliada do governo
Vaccarezza nega racha na base aliada do governo

247 – O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) negou, nesta quarta-feira 17, que exista um racha na base aliada do governo em relação à reforma política, e afirmou que o que existe é "uma divergência do [deputado Henrique] Fontana com a bancada do PT". Coordenador do grupo que discutirá o tema na Câmara, Vaccarezza afirmou que o parlamentar gaúcho decidiu deixar os trabalhos – que sequer haviam começado – porque não aceitava a indicação de sua coordenação, feita pelo presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN).

"Eu não vou deblaterar com Fontana na imprensa. O que aconteceu foi que ele foi indicado pela bancada a fazer parte do grupo, e não para coordenar. Quando fui indicado, ele achou melhor se retirar porque não queria que eu coordenasse. Mas isso é assunto interno do PT", explicou Vaccarezza, em entrevista à rádio Estadão. Questionado se havia um racha na base aliada, ele respondeu: "Na minha opinião não. Existe uma divergência do Fontana com a bancada do PT".

Vaccarezza afirmou que os temas principais a serem discutidos pelo grupo ainda não foram definidos, e que só o serão depois que os parlamentares obtiverem a opinião da sociedade, por meio de um portal que será criado para que as pessoas enviem propostas referentes à reforma política. "Prevalecerá, na minha posição, o sentimento que a sociedade brasileira quiser", afirmou. Ele anunciou também que o grupo deve promover "quatro ou cinco audiências públicas", além de encontros com movimentos sociais, a OAB e centrais sindicais.

Questionado se a discussão seria mais voltada para o plebiscito ou para o referendo, ele insistiu no fato de que primeiro seriam ouvidas as sugestões da sociedade. Mas adiantou que apoia o plebiscito "como petista", já que é uma proposta do partido, mas que ele "precisa se viabilizar no Congresso". Quanto ao referendo, disse que "não está sendo discutido". Vaccarezza afirmou que os trabalhados do grupo não serão interrompidos com o recesso parlamentar de julho, uma vez que ele continuará recebendo as propostas da sociedade.

Grupo de Trabalho da Reforma Política terá 90 dias de prazo

O grupo de trabalho para formatar propostas para a reforma política foi instalado na Câmara nesta terça-feira 16. Os 14 parlamentares que integram o grupo terão 90 dias para concluir os trabalhos. São eles: Cândido Vaccarezza (PT-SP, que será o coordenador), Ricardo Berzoini (PT-SP), Marcelo Castro (PMDB-PI), Marcus Pestana (PSDB-MG), Guilherme Campos (PSD-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Luciano Castro (PR-RR), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG), Miro Teixeira (PDT-RJ), Antonio Brito (PTB-BA), Leonardo Gadelha (PSC-PB), Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e Sandro Alex (PPS-PR). De acordo com Vaccarezza, o grupo vai apresentar a proposta da reforma política em menos de 90 dias.

Segundo o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, será criado um portal na internet para que os brasileiros possam opinar. O objetivo é que "todo cidadão interessado nesse assunto que queira dar sua contribuição tenha como fazê-lo e chegar ao conhecimento desta Casa". Alves ressaltou também que "vão ser realizadas audiências públicas, trazer toda a sociedade civil por suas diversas representações para debater suas propostas para que possamos votar uma reforma que tenha a cara do povo brasileiro. Até porque ela vai ao referendo popular para ter sua validade, a interação, a aprovação e, portanto, o apoio do povo brasileiro".

Presidente indicou coordenador

Com a primeira reunião confirmada já para esta quarta (17), às 14h, no Plenário 15, o grupo de trabalho será coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza, por indicação do presidente Henrique Alves. Inicialmente, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) era o indicado do Partido dos Trabalhadores para integrar o grupo, por ter sido relator de diversas propostas relacionadas ao sistema político e eleitoral brasileiro.

No entanto, outro nome foi confirmado para representar a legenda. Quem explica é o líder do PT, deputado José Guimarães (CE): "O presidente nos comunicou ontem pela manhã que estaria tomando a posição de indicar o deputado Vaccarezza para coordenar o grupo, ainda que respeitando a indicação do PT, que era o deputado Henrique Fontana. Nós fizemos várias tratativas, o deputado Henrique Fontana justificou para mim que nessas condições ele não se sentiria à vontade para participar do grupo de trabalho, e eu assumi a responsabilidade, após consultar a direção nacional do PT e alguns deputados, eu tomei a decisão de indicar o deputado Ricardo Berzoini para representar as nossas posições nesse grupo de trabalho."

Fontana magoado

O deputado Henrique Fontana não negou se sentir magoado com a escolha de Vaccarezza para a coordenação do grupo de trabalho. "Evidente que a postura e a decisão do presidente Henrique Alves, desrespeitando a decisão da bancada do PT, e, especialmente, ter um colega de bancada que articulou essa posição para desrespeitar a decisão da bancada do PT, é algo muito desconfortável. É algo que, do meu ponto de vista, não cabe dentro da minha forma de fazer política."

Já o deputado Cândido Vaccarezza preferiu não comentar a saída do colega: "Eu respeito muito o companheiro Fontana. Evitei, nesse processo, fazer qualquer debate sobre o Fontana na imprensa. Não respondi nada do que foi falado em relação a mim. Não será agora que vou responder. O nome indicado pelo PT para substituí-lo é um nome bastante qualificado, o companheiro Ricardo Berzoini, que foi presidente do PT, foi ministro de Estado, presidente da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania], conhece bem o processo legislativo e, eu espero, trabalhar com todos os deputados, não só os do meu partido, mas também todos os 513 aqui da Casa."

Com Agência Câmara

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