Zarattini: com parlamentarismo, querem que Lula seja um presidente sem poder

Líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini, afirma que a tentativa do governo Michel Temer e de partidos da base governista, como o PSDB, em adotar o chamado "Distritão" como um primeiro passo para a implantação do parlamentarismo é tão somente "um eufemismo para dar aparência legal a uma manobra para evitar a governabilidade de Lula caso ele vencer as eleições presidenciais do próximo ano; "Eles estão preocupados porque eles vêem como Lula resistiu ao assédio da justiça. E se tudo o que o partido judicial estiver fazendo para inviabilizar sua candidatura falhar? Aí vão aprovar o parlamentarismo para que Lula seja um presidente sem poder", afirmou

Carlos Zarattini 
Carlos Zarattini  (Foto: Paulo Emílio)

247 - O deputado federal e líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini, afirma que a tentativa do governo Michel Temer e de partidos da base governista, como o PSDB, em adotar o chamado "Distritão" como um primeiro passo para a implantação do parlamentarismo é tão somente "um eufemismo usado por Temer para dar aparência legal a uma manobra para evitar a governabilidade caso Lula vença as eleições do próximo ano. "Eles estão preocupados porque eles vêem como Lula resistiu ao assédio da justiça. E se tudo o que o partido judicial estiver fazendo para inviabilizar sua candidatura falhar? Aí vão aprovar o parlamentarismo para que Lula seja um presidente sem poder", disse Zarattini ao jornal Página 12.

Para o parlamentar, a Constituição diz que pode haver apenas uma consulta sobre o sistema de governo, o que foi feito no plebiscito de 1993 e que definiu o presidencialismo como sistema vigente. " Então você não pode mais consultados novamente porque a Constituição proíbe fazer outra mudança de governo", afirma. Segundo ele, Lula poderá ser candidato em 2018 "porque não há nenhuma acusação concreta contra ele na Justiça, além da especulação e das delações premiadas. O julgamento está se tornando uma agenda mais política, que carece de rigor técnico", disse.

"É um processo político que falhou politicamente porque Lula, depois de ser condenado pelo juiz Sergio Moro, cresceu três pontos nas pesquisas. E por que isso acontece? Porque no Brasil o eleitorado é dividido em um terço petista um terço antipetista e um terço flutuante. Quando a Lava Jato começou , Moro tinha a simpatia do terceiro flutuante, mas sua credibilidade foi caindo, embora ainda seja importante" completou.

Zaratttini também observa que "a direita é dividida em vários grupos, o PSDB está praticamente terminado, porque não tem sentido e nem tem apoio popular como o PT. O PMDB está mergulhado de cabeça na corrupção. No meio militar, Jair Bolsonaro está ganhando espaço, mas parece que eles não estão confortáveis com alguém tão de extrema direita. Eles parecem preferir alguém como Geraldo Alckmin (Governador São Paulo – PSDB), Rodrigo Maia (presidente da Câmara – DEM)) e Joao Doria (prefeito de São Paulo – PSDB). Eles estão testando. O que eles procuram é aquele que pode enfrentar Lula e como não encontraram sondaram a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lucia), mas ela não tem o charme popular" diz o parlamentar.

Leia a íntegra da entrevista.

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