O que está acontecendo no Rio é o pesadelo do Estado nenhum

Quem defende o sonho do Estado mínimo exagerou no caso do Rio de Janeiro. Ao invés de Estado mínimo, é o Estado nenhum

Rio de Janeiro - Alunos da Uerj ocupam o campus da universidade no Maracanã, em protesto pelo não pagamento das bolsas dos estudantes e dos salários de servidores terceirizados (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Alunos da Uerj ocupam o campus da universidade no Maracanã, em protesto pelo não pagamento das bolsas dos estudantes e dos salários de servidores terceirizados (Tânia Rêgo/Agência Brasil) (Foto: Eric Nepomuceno)


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(originalmente publicado no Nocaute)

Eu fiquei um mês fora do Brasil e, claro, pela Internet, acompanhando tudo. Eu vi como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o balofinho investigado, achou que ia poder tomar o lugar de Michel Temer, o ilegítimo denunciado. Coitado. Não sabe com quem está lidando.

Aí eu voltei. E aqui no Rio é dramático o que está acontecendo. É dramático. Eu fiz uma lista de algumas coisas que estão acontecendo no Rio de Janeiro hoje. Por exemplo, a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), considerada a quinta maior universidade do Brasil e a décima primeira maior de toda a América Latina, os alunos bolsistas estão sem bolsa a UERJ não tem dinheiro para pagar serviço de limpeza, de vigilância, o restaurante, manutenção.

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No norte do rio, em Campos, a Universidade Estadual no Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Olha que absurdo. Darcy criou essa universidade, tem seis mil alunos e pode parar a qualquer momento.

A área da saúde do Rio de Janeiro nas três esferas: estadual, municipal e federal: crise caos, colapso. Por exemplo, o hospital Pedro Ernesto, que aqui no Rio é essencial para o tratamento de algumas doenças de altíssima complexidade, esse hospital tem 500 leitos e só 180 estão funcionando. Acabou o dinheiro. Na esfera municipal, o Instituto Pinel é referência em tratamento psiquiátrico e fechou a emergência por falta de médico.

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A violência, segurança pública. Houve no primeiro semestre deste ano três mil quatrocentas e cinquenta e sete mortes. Em julho vieram as Forças Armadas, o que é uma pantomima total, não tem sentido. Elas vem invadem, ficam aqueles fardados na praia de Ipanema. Vão embora, a bandidagem reage, faz a festa. Ou seja, cada ação proposta por este empertigado Ministro Raul Jungmann, uma cara que parece que engoliu um cabo de vassoura, ele é todo durinho, bobão total. Cada ação dele aqui quando a tropa vai embora piora. Então é melhor nem vir, não precisa vir, não. É uma palhaçada isso.

A consequência: a violência no Rio, crise evidente, é a queda brutal no turismo. Agora nas férias, os hotéis tiveram ocupação de 40%. Quer dizer, de cada dez quartos, seis estão vazios. Tem o desemprego, a indústria naval e indústria da construção civil destruídas pela falta de critério da operação Lava Jato que, ao invés de punir os corruptores, eles punem as empresas. O desmantelamento da Petrobras.

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Bom, o primeiro trimestre deste ano o número de desempregados do Rio foi de 14,5%. Vamos ver o comércio como é que está. Em junho, só em junho, 914 lojas fecharam na cidade do Rio de Janeiro, se a gente considerar um período parcial, um horário de dez horas. Isso quer dizer que foram três lojas a cada hora, trinta lojas por dia no mês de junho, e o comércio que continua sobrevivendo, teve queda de até 60% no seu movimento.

Funcionalismo público. São mais de 200 mil funcionários da ativa e pensionistas aposentados, com salários atrasados desde maio.

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E há coisas dramáticas na área da Cultura, principalmente o Teatro Municipal, que apesar de se chamar municipal é do estado e está parado, está parado. Os funcionários estão sem receber desde fevereiro. Conclusão minha: o que está acontecendo no Rio de Janeiro é o sonho de gente como Armínio Fraga, como estes economistas que pregam o Estado mínimo. Aqui exageram um pouquinho porque ao invés de Estado mínimo, a gente está sem Estado nenhum. Isso é o que esta canalha quer para o Brasil, imagine você.

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