Globo volta a mirar seus canhões de fakenews na direção do BNDES

O BNDES é uma das obsessões do golpe. É preciso destruí-lo a qualquer custo. Vale tudo. A estratégia é a mesma de sempre: criminalizar tudo que o banco já tenha feito, de maneira a aterrorizar seus funcionários, paralisar suas atividades, desmoralizar o banco diante da opinião pública

Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro, Brasil 06/09/2017 REUTERS/Pilar Olivares
Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro, Brasil 06/09/2017 REUTERS/Pilar Olivares (Foto: Miguel do Rosário)


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Do Cafezinho

O BNDES é uma das obsessões do golpe. É preciso destruí-lo a qualquer custo.

Vale tudo.

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A estratégia é a mesma de sempre: criminalizar tudo que o banco já tenha feito, de maneira a aterrorizar seus funcionários, paralisar suas atividades, desmoralizar o banco diante da opinião pública.

Os funcionários do banco ainda se recuperam emocionalmente do ataque fascista que sofreram da Polícia Federal e do Ministério Público, que promoveram dezenas de conduções coercitivas e buscas e apreensão, completamente desnecessárias e ilegais, por conta de uma dessas operações midiáticas filhas da Lava Jato.

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Os servidores tiveram que contratar escritórios de advocacia milionários, para se defender em processos que fariam inveja à Kafka.

Além disso, com a narrativa do golpe fazendo água nas pesquisas e na imprensa internacional, é preciso irrigar o jardim da opinião pública com novos escândalos, para manter as venenosas flores do ódio político sempre fortes e coloridas.

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Para a Globo, não há problema em roubar, como fez Michel Temer, 200 bilhões de reais do banco, e, em plena crise de emprego, de aumento da miséria e da fome, jogar esse dinheiro na dívida pública, ou seja, transferir para o bolso de dois ou três grandes bancos um volume de recursos que poderia tirar o Brasil da crise.

Para a Globo, o problema era quando o BNDES emprestava dinheiro às empresas, ou seja, quando exercia o seu papel – e ainda obtinha lucros com essa atividade, fortalecendo a si mesmo e ao país.

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A entrevista do novo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, à Jovem Pan, com participação psicótica de Marco Antonio Villa, mostra que a mídia brasileira se tornou uma matilha de cães furiosos contra qualquer resquício de soberania nacional.

A fúria do golpe contra o BNDES é similar ao ódio ao PT.

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Na entrevista, Oliveira deixa bem claro que, a depender do governo Temer, o BNDES vai se tornar um apêndice menor do sistema bancário privado: o seu (nosso) dinheiro será usado para aumentar a clientela de Itaú e Bradesco, que usarão linhas do BNDES para oferecer financiamentos a empresas.

A queda nos desembolsos do BNDES, apesar de explicar a crise econômica, não é vista pelo "mercado" e pela mídia como sinal da profunda incompetência do governo Temer.

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Se existe um BNDES, era para estar sendo usado para irrigar a economia, financiando grandes obras, sobretudo num momento como esse, em que milhões de brasileiros sofrem com a falta de trabalho.

Para os fanáticos neoliberais, é melhor drenar todo o dinheiro do BNDES para a dívida pública do que usá-lo para fins de desenvolvimento econômico e social.

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O mais impressionante é a militância pela mentira. Os apresentadores da Jovem Pan lembram do "Livro Verde" do BNDES, e do antigo presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, com um ódio sem limites, apenas porque Castro ousou enfrentar a narrativa lavajateira da mídia, e defendeu o banco e suas operações. O Livro Verde desmonta todas as mentiras da mídia sobre o BNDES.

A história dos "campeões nacionais", por exemplo, é mais uma das farsas. O BNDES ofereceu financiamentos importantes para praticamente todas as grandes empresas nacionais.

Algumas delas, de fato, tiveram sucesso e se tornaram "campeãs".

O viralatismo golpista, porém, é tão doentio, tão mesquinho, que se tornou anticapitalista: o fato de empresas brasileiras terem se tornado "campeãs", ou seja, terem se tornado players internacionais importantes e competitivos, é visto como uma coisa negativa.

O coxinhato veste a camisa do Brasil, canta o hino nacional, bate no peito para se dizer patriota, mas compra a narrativa mais antinacional que se possa imaginar.

E agora a Época, revista pertencente ao grupo Globo, e que nunca ganhou tanto dinheiro federal como agora, publica reportagem inteiramente voltada à destruição da imagem do BNDES, com base em conversas privadas de funcionários.

Sobre isso, publico abaixo carta aberta de servidores do BNDES contra o jogo sujo da Globo.

***

Carta aberta aos empregados do BNDES

Prezados(as) colegas,

Lamentamos profundamente que conversas informais e privadas nossas tenham sido usadas para atacar o BNDES, casa em que trabalhamos com muito orgulho há muitos anos (Sergio – 25 anos; Otavio – 14 anos).

A reportagem da Revista Época devassa e tira de contexto conversas privadas de funcionários que obviamente se mostram preocupados com a instituição em que trabalham.

Acreditamos que qualquer funcionário, de qualquer empresa, já tenha compartilhado momentos de preocupação e de visão crítica dos acontecimentos com amigos.

A matéria adota o expediente de usar conversas informais privadas para criar indevidamente uma atmosfera de suspeição sobre algumas operações do BNDES.

Para tanto, assume a premissa de que as conversas refletem opinião de profissionais que participaram direta ou indiretamente, e por isso, "sabem do que estão falando".

No entanto, grande parte das discussões versa sobre operações em que não houve participação nem sequer indireta dos integrantes da conversa.

As opiniões privadas não representam de nenhuma forma um posicionamento técnico formal sobre as operações e certamente carecem de uma avaliação mais profunda.

E, mesmo quando houve algum tipo de envolvimento profissional, trata-se de opiniões informais feitas a posteriori, a luz de informações que não estavam disponíveis inicialmente e não atribuem responsabilidade ou culpa aos funcionários do BNDES, como nós, vítimas das circunstâncias.

Quem nos conhece sabe que prezamos enormemente a honestidade intelectual e que temos um senso crítico rigoroso.

Eventuais diferenças de ponto de vista em relação às operações e às suas premissas não são críticas em relação às pessoas nem denotam desconfiança de qualquer forma.

Aos eventualmente atingidos involuntariamente pedimos desculpas redobradas, mas lembramos que foram fruto de um vazamento indevido de conversas privadas, publicadas fora de contexto.

De todo modo, os questionamentos internos e o debate de divergências técnicas são parte do processo que fazem do BNDES uma instituição de reconhecida excelência.

As decisões colegiadas e o rigor técnico que caracterizam sua atuação se pautam na pluralidade de visões e na discussão franca.

Na falta de elementos que mostrem a existência de ilegalidades nas operações do Banco, a matéria usa contra o BNDES algo que na verdade é um sinal de sua vitalidade.

Somos integralmente favoráveis à transparência preconizada pelos editores da revista Época, mas entendemos que o BNDES seguiu a lei ao opor sigilo inicial ao TCU.

A incerteza jurídica no país é tamanha que seguir a lei pode ser visto como atitude criminosa e subverter a lei com práticas juridicamente questionáveis ser visto como algo louvável. Passar a limpo o país é muito importante, mas não a qualquer preço, pois os fins não justificam os meios.

Ambientes em que pré-julgamentos sejam disseminados como verdadeiros são propícios a muitas injustiças, e é nesse contexto de ataques e críticas injustas ao Banco que as conversas se deram.

Finalmente, erros da narrativa ficcional do repórter serão devidamente apontados à Época e temos certeza que tudo será esclarecido.

Cordialmente,

Sergio Foldes e Otavio Lobão Vianna

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