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11.06.2017, 13:49

Doce e perigoso. O açúcar refinado, inimigo das artérias

Para enfrentar a epidemia da obesidade no país, o Reino Unido lançou um aplicativo que permite saber a quantidade de açúcar presente nos alimentos. Uma iniciativa similar, Open Food Facts, existe também na França desde 2012.



Por Cécile Thibert – Le Figaro Santé

Na Inglaterra, crianças de 5 anos comem  e bebem o equivalente de seu peso em açúcar todo ano, ou 22 quilos em média. Isso é três vezes mais que a quantidade anual recomendada. Após esta constatação alarmante, o Public Health England, principal órgão de pesquisa em saúde pública, lançou uma campanha de prevenção assim como um aplicativo inédito para smartphone.

Denominado «Sugar Smart» («o aplicativo inteligente na detecção do açúcar »), este aplicativo gratuito oferece aos usuários a quantidade de açúcar contida em alimentos e bebidas, em gramas e em quantidade de pedaços de açúcar. Basta digitalizar com seu smartphone o código de barras de um dos 75 mil produtos relacionados ao dispositivo. O Reino Unido espera assim conter a epidemia da obesidade que afeta 25% dos adultos, enquanto 37% estão com sobrepeso. A França não está poupada por esse fenômeno uma vez que, de acordo com a última pesquisa ObEpi 15% dos franceses apresentam obesidade enquanto 32% estão com sobrepeso. Uma tendência que, no entanto, tem diminuído significativamente desde 2009.

Açúcar refinado, um perigo 

Mas enquanto as recomendações anglo-saxônicas referentes ao consumo de açúcar são bem específicas (19g por dia para a faixa de 4-6 anos, 24g para a faixa de 7-10 anos, e 30g para as crianças de 11 anos de idade ou mais), não existem tais limites na França. O último Programa Nacional Nutrição Saúde (PNNS), liderado pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional da Prevenção e de Educação em Saúde (INPES), preconiza simplesmente «limitar seu consumo de açúcar e continuar guloso ao mesmo tempo ».

A partir de quando podemos considerar o que comemos muito açúcar? «Segundo a OMS, é quando o consumo for superior a 5% porção energética diária", explica o Dr. Jean-Michel Lecerf, médico nutricionista no Instituto Pasteur de Lille, «Mas isso é uma referência muito genérica que não diz nada aos consumidores. Eu não sou a favor da implementação de tais limites, isso significaria dizer que o açúcar é um veneno. Nossa alimentação não deve ser uma obsessão contábil. A nutrição é mais simples do que se pensa: basta diversificar sua alimentação e fazer uma atividade física », acrescenta o Dr. Lecerf.

Imposto do refrigerante e logotipo de 5 cores

Apesar da falta de normas, outras medidas foram implementadas na França: o imposto do refrigerante que impõe um custo adicional de cerca de 10 centavos para as garrafas de refrigerantes ou bebidas adoçadas desde 2012 ou o imposto de 2004 para as indústrias agro-alimentares que não divulgam as mensagens de saúde em suas propagandas. «O imposto do refrigerante foi eficaz porque ele foi seguido por uma redução do consumo de bebidas adoçadas de 4% para os refrigerantes e de 13% para os sucos de frutas desde 2013, enquanto o mercado estava em pleno crescimento, anteriormente », comenta o Prof. Serge Hercberg, médico nutricionista e pesquisador em epidemiologia na Universidade Paris 13.

Refrigerantes matam 184 mil pessoas por ano na França  

Um novo logotipo de 5 cores foi adotado no dia 12 de dezembro de 2015 na Assembleia Nacional da França, nos termos da Lei da Saúde. «Por enquanto, os rótulos são incompreensíveis para os consumidores. Com este logotipo, a ideia é informar sobre a qualidade nutricional global», explica o Prof. Hercberg, criador dessa proposta. «No entanto, os decretos de aplicação ainda não foram definidos. Mesmo que este sistema não venha a ser obrigatório por causa das leis europeias, os lobbies, especialmente os do açúcar, querem bloquear esta medida ao oferecer formas menos restritivas para eles e menos transparentes para os consumidores », lamenta o pesquisador. 

Uma iniciativa de cidadania: Open Food Facts

Consumidores que aspiram a uma maior transparência não esperaram a implementação do logotipo de 5 cores para se beneficiarem. Desde maio de 2012, estes contribuintes voluntários, com a ajuda do Prof. Hercberg, desenvolveram Point Open Food Facts, um banco de dados que apresenta um repertório da qualidade nutricional de mais de 43 700 produtos. Ele pode ser consultado no computador ou no smartphone através de um aplicativo com download gratuito.

Para contribuir com o projeto, basta digitalizar o código de barras de um alimento e adicionar no banco de dados, uma foto, os ingredientes, a composição nutricional e o teor energético apresentado pelos fabricantes na embalagem de um produto. «Um cálculo validado pela Anses e pelo Conselho Superior da Saúde permite em seguida, atribuir uma cor ao produto », explica Serge Hercberg. O lema do projeto? «Tornar a indústria de alimentos mais aberta e transparente? Yes we scan!».