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16.12.2017, 14:57

Tristeza do aposentado. Não é fácil pendurar as chuteiras

Durante os anos que precedem a aposentadoria, muitos sonham com o dia em que poderão estar livres para fazer tudo aquilo com que sempre sonharam: passar horas se dedicando à jardinagem, ao golfe ou ao jogo de poker com os amigos, à soneca depois do almoço. Mas as coisas nem sempre são assim tão fáceis e agradáveis para quem se retira da vida profissional, dizem especialistas da Universidade de Harvard. Bem diferente desse sonho de dolce far niente, para se gozar de um verdadeiro bem-estar a pessoa precisa estar comprometida com alguma coisa significativa – que tanto pode dizer respeito aos seus próprios interesses quanto aos interesses dos outros.

 

Por: Equipe Saúde 247

 

As dificuldades parecem ser maiores para os recém-aposentados do sexo masculino. Os homens recém-aposentados enfrentam algumas dificuldades típicas para criar uma nova rotina depois de abandonar aquela que o mantinha “amarrado”das 9 da manhã às 6 da tarde.“Durante essa fase, quando a pessoa passa de um modelo de vida muito estruturado para um outro que não tem quase nenhuma estrutura, ela pode manifestar os mesmos sintomas e sinais de alguém que sofre de excesso de trabalho,” explica o médico Randall Paulsen, psiquiatra do Brigham and Women's Hospital, de Harvard. A aposentadoria também pode representar mudanças no relacionamento de um homem com sua esposa ou parceiro. "Se você tem um parceiro em casa que não está acostumado ter você ao redor dele o tempo todo, é preciso haver uma recalibração", diz o Dr. Michael Craig Miller, professor assistente de psiquiatria na Harvard Medical School. Parceiros, na fase inicial da aposentadoria, podem precisar de tempo para se ajustar às novas circunstâncias. "Os casais mais velhos precisam, em certo sentido, aprender a desfrutar de coisas simples, como almoçar juntos", diz Paulsen.

Na aposentadoria, a pessoa espera dispor de mais tempo livre - mas para fazer o quê com esse tempo adicional? Fazer muito pouco ou fazer demais pode levar a sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, perda de apetite, comprometimento da memória e insônia. A solução pode ser praticamente fazer qualquer coisa - desde se apresentar como voluntário para desempenhar trabalhos sociais uma vez por semana, até fazer aulas, lançar-se em uma nova carreira, praticar algum esporte ou alguma arte. Tudo pode servir, desde que signifique algo para a pessoa, e que a mantenha voltada para o mundo, os amigos, a família, a sociedade.

Atividades sociais são as melhores

Escolher uma atividade social apresenta vantagens: A pesquisa sugere que o engajamento social é tão importante para a saúde como o exercício físico e uma dieta saudável. Dr. Miller cita o exemplo de homens que se interessam por um esporte ou passatempo a um novo nível de aposentadoria. Eles lêem ou estudam ansiosamente para melhorar seus conhecimentos ou habilidades. Eles interagem com colegas que têm interesses semelhantes. Eles trabalham com professores ou treinadores regularmente e seguem um rigoroso cronograma de práticas. O truque é encontrar um equilíbrio de atividades que lhe atraem e esticá-lo cada vez mais. "Nós crescemos e mantemos nossos cérebros vivos por nos envolvermos com coisas que nos desafiam", diz o Dr. Miller. Seja o que for que você escolher, que não seja demasiado, nem demasiado difícil. Uma quantidade moderada de estresse ilumina nossos circuitos cerebrais e concentra nossa atenção; uma sobrecarga pode prejudicar. "O melhor lugar é aquele que ainda está fora do seu alcance, aquele que obriga a pessoa a trabalhar e se concentrar na tentativa de alcança-lo", diz o Dr. Miller. "Esses são os tipos de desafios que nos ajudam a nos sentir vivos e comprometidos".