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25.02.2018, 16:55

Queijos, carnes vermelhas, manteiga. As gorduras saturadas prejudicam o coração?

Se seu consumo de carnes vermelhas e queijos continuar a ser razoável, você não estará condenado a um ataque cardíaco. Na foto de abertura, alguns exemplos de alimentos ricos em gorduras saturadas.

 

 

Por Anne Lefèvre-Balleydier – Le Figaro Santé

 

Ao contrário de uma crença bastante enraizada, as gorduras ditas «saturadas» têm poucos efeitos prejudiciais para o nosso coração. Mas então, qual a origem de sua má reputação? Antes de tudo, algumas explicações. Estas gorduras são constituídas por moléculas específicas, ácidos graxos cujos átomos de carbono são totalmente saturados em hidrogênio. Se podemos encontrar estas moléculas em produtos lácteos, na carne ou em alguns óleos vegetais, nosso corpo também é capaz de fabricar as que ele precisa.

Não é o caso de outros ácidos graxos chamados «insaturados», e mais especificamente poliinsaturados, que não podemos produzir e que, portanto, devem ser fornecidos pelos alimentos (é o caso dos famosos ômega-3 e ômega-6). A partir daí, surgiu a ideia pré-concebida: se as gorduras saturadas dos alimentos não são essenciais, elas não são úteis. E mais, elas são perigosas para a nossa saúde, tal como afirmado por um estudo americano nos anos de 1960, que relacionou o consumo de gorduras saturadas com as taxas de colesterol ou doenças cardíacas.

Gorduras saturadas, gorduras demonizadas!

Em que se baseia esta afirmação? A análise foi realizada em sete países escolhidos para refletir diversos hábitos alimentares: a Finlândia, os Estados-Unidos, os Países-Baixos, a Itália, a Iugoslávia, a Grécia e o Japão. De modo geral, existe um vínculo. Mas ao estudarmos cada país individualmente, a correlação desaparece! Especialmente ao examinarmos o caso da França, ainda campeã em consumo de ácidos graxos saturados. Isto explica em parte as relutâncias de especialistas eminentes, face à demonização das gorduras saturadas

A partir de 2010, ao esmiuçar cerca de vinte estudos envolvendo aproximadamente 350 mil pacientes, uma equipe americana desmantelou o mito: do ponto de vista estatístico, o consumo de gorduras saturadas não estaria relacionado a um maior risco de doenças cardiovasculares. Outros cientistas insistiram. Como estes pesquisadores de Cambridge e de Harvard, que, após ter esmiuçado 72 estudos envolvendo cerca 600 mil pessoas, concluíram que escolhemos o alvo errado ao considerar que as gorduras saturadas são responsáveis por problemas das nossas artérias.

A doença cardiovascular é uma das principais causas de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o consumo de dietas inadequadas, juntamente com a falta de atividade física, está entre os 10 maiores fatores determinantes de mortalidade. Inúmeros estudos associam a composição da dieta aos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares. Ou seja, precisamos não somente restringir calorias, mas avaliar a qualidade do alimento ingerido.

Exemplos de alimentos contendo uma proporção alta da gordura saturada incluem os produtos com gordura animal, como creme, queijo, manteiga, sebo, banha e carnes gordas. Alguns produtos vegetais contêm bastante gordura saturada, como óleo de coco e óleo de palmiste.

Exemplos de alimentos ricos em gorduras insaturadas.

Exemplos de alimentos ricos em gorduras insaturadas.

 

Cuidados com as gorduras insaturadas!

Eles constataram, é verdade, um risco de 2% a mais para o coração no caso dos grandes consumidores de gorduras saturadas. Mas isso não é nada em comparação ao risco induzido pelos «ácidos graxos trans», estas gorduras insaturadas encontradas em margarinas, pães doces e quaisquer tipos de pratos prontos: com elas, a ameaça de problemas cardíacos aumentaria em 16%.

Outro elemento a considerar se queremos proteger nosso coração: de acordo com outra análise americana publicada este ano, substituir as gorduras saturadas por açúcares não é uma boa ideia: isso diminuiria a taxa do bom colesterol e aumentaria a do colesterol ruim, ampliando os riscos de problemas para nosso coração e nossas veias. Quanto aos poliinsaturados, especialmente os ômega -3 e ômega-6, tão elogiados, considerá-los, em vez dos ácidos graxos saturados não seria aconselhável. Porque ao aumentar os segundos e não os primeiros, haveria uma queda da taxa do bom colesterol…

No final, não há nenhuma razão para incentivar um consumo excessivo de gorduras saturadas. Mas na opinião da maioria dos cientistas, tudo é uma questão de equilíbrio: apesar de nosso corpo ser capaz de sintetizá-las, isso não significa que é inútil consumi-las. Eliminá-las de nossa dieta até parece arriscado!