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27.02.2018, 23:56

Resfriado, tosse, febre. Quais remédios não devem ser dados às crianças?

Boa parte das moléstias que acometam as crianças não necessitam de nenhum tipo de tratamento com medicamentos farmacêuticos. Tais moléstias obedecem a um ciclo de duração, e desaparecem sozinhas cumprido o seu prazo normal de duração. Nesses casos, é muito melhor para a criança quando deixamos a natureza seguir o seu curso, proporcionando a ela apenas cuidados paliativos que possam aliviar os sintomas quando eles se tornam demasiado incômodos.

 

Por: Cécile Thibert - Le Figaro Santé

 

Resfriado, tosse, diarreia, refluxos (vômitos)... Quando esses problemas muito frequentes na infância aparecem, os pais são tentados a recorrer sistematicamente a todo um arsenal terapêutico para aliviar o jovem doente. Mas, como bem lembra a Associação de Consumidores da França ( UFC-Que Choisir ) em seu número de março 2018, "administrar um medicamento a uma criança não é um gesto destituído de consequências, sobretudo quando se sabe que "medicamentos equivocados ou administrados em excesso para tratar doenças benignas da infância podem acarretar graves efeitos indesejáveis". Essa associação acaba de dar a público uma lista de medicamentos que devem ser evitados e ao mesmo tempo fornece uma lista de conselhos a respeito da melhor conduta a seguir.

Contra o resfriado: Soro fisiológico

Contra o resfriado, nada é tão eficaz quanto o soro fisiológico. O resfriado é uma inflamação das mucosas nasais, geralmente sem gravidade e causada por um vírus. Ele sara espontaneamente em cerca de uma semana. Raramente essa complicação, sozinha, requer uma visita médica desde que a criança esteja em bom estado de saúde.

Não existe, na atualidade, nenhum remédio que permite reduzir a duração de um resfriado. Em sua publicação, a Associação Francesa de Consumidores ressalta que os sprays antissépticos São desaconselhados pelo simples fato de que não conseguem produzir efeitos melhores do que os produzidos por soluções à base de água salgada, e além disso podem provocar irritações e alergias. Quanto aos sprays descongestionantes para as narinas, eles são contra-indicados aos menores de 15anos por causa do seu efeito vasoconstritor. Por fim, os supositórios que combinam um antialérgico e paracetamol, bem como inalaçõews de óleos essenciais também não são recomendados.

Algumas providências ditadas pelo bom senso permitem, no entanto, aliviar os sintomas: deixar que a criança beba muito líquido, fazer com que ela assoe o nariz com regularidade para expulsar as secreções, não deixar que ela seja exposta à fumaça de cigarros. Segundo a UFC-Que Choisir, o soro fisiológico e até mesmo a simples água salgada em spray são os únicos produtos uteis para desimpedir as vias nasais obstruídas. As soluções em spray, no entanto, não devem ser dadas a lactantes por causa do risco de que o líquido va parar nos pulmões.

Tosse: melhor esquecer os xaropes

Da mesma forma que o resfriado, a tosse é um problema de origem geralmente viral que sara espontaneamente após alguns dias. A tosse também pode ser devida à asma, a uma alergia respiratória, uma bronquite, uma bronquiolite, uma laringite ou, ainda, uma pneumonia.

Não existe nenhum medicamento benéfico e isento de risco contra a tosse. "A totalidade dos xaropes, supositórios ou pós que pretndem suprimir a tosse seca ou úmida não têm utilidae comprovada e apresentam efeitos indesejados", afirma a mesma revista. Ela ressalta que tais medicamentos são todos contra-indicados para os que têm menos de dois anos.

Este é o caso dos fluidificantes em muitos países vendidos sem receita médica (acetilsisteína, carbocisteína) Tais produtos podem agravar o acúmulo de muco nos brônquios dos lactantes que ainda não desenvolveram a capacidade de tossir com força, ressalta a revista. Da mesma forma, os xaropes contra a tosse que contenham codeína devem ser proibidos para crianças com menos de 12 anos por causa do risco de efeitos respiratórios indesejáveis. 

Segundo a revista m'dica Prescrire, o único medicamento que pode ser usado, mesmo assim com prudência, é o dextrometorfano (para tosse seca ou outra), um opioide cujos efeitos indesejados são menos marcantes que os da codeína. Bebidas quentes, mel e balas para chupar devem ser os recursos preferidos para aliviar temporariamente os sintomas. O soro fisiológico e a água do mar em spray permitem igualmente atenuar os sintomas, ao impedir o escoamento do catarro do resfriado para a garganta. 

Contra a febre e a dor, o paracetamol é o melhor aliado

Se a criança suporta bem a febre, as autoridades sanitárias recomendam que não lhes seja dado qualquer tratamento, a não ser para os bebês com menos de três meses de idade. Se a febre é muito forte e demasiado incômoda, é preferível consultar um médico que irá quase sempre prescrever o paracetamol ou, em caso de contra-indicação, um anti-inflamatório não esteroide (AINS): o ibuprofeno para a criança com mais de 3 meses e o cetoprofeno para crianças com mais de 6 meses.

Os AINS são contra-indicados em caso de infecção bacteriana, por causa do risco de agravamento da infecção. Por outro lado, a aspirina, que é um AINS, não é recomendada em caso de febre da criança, pois existe um risco muito raro, mas potencialmente mortal, de desencadeamento da síndrome de Reye, que pode atingir todos os órgãos, particularmente o cérebro e o fígado.

Refluxo: nenhum medicamento

Cerca de 30% dos lactantes com menos de um ano vomitam, sem que isso signifique sistematicamente de um refluxo gastroesofágico patológico. Sempre que não se trate de um caso realmente patológico, o uso de qualquer tratamento medicamentoso se justifica.

Alguns gestos simples podem permitir uma moderação do refluxo. Eles são, segundo a revista Prescrire: "reduzir a quantidade de alimento oferecido durante uma refeição, bem como o débito da mamadeira; adaptar o ritmo das refeições; deixar mais espesso os leites industrializados; optar ao máximo pelo aleitamento maternal; manter o bebê em posição vertical após a refeição".

Diarreia: não fazer nada, a não ser prevenir a desidratação

A diarreia aguda é geralmente benigna e ela se resolve espontaneamente em menos de sete dias. Uma diarreia, no entanto, deve ser bem vigiada no caso de bebês por causa do risco de desidratação. A primeira providência, portanto, em caso de diarreia, consiste em impedir que a criança entre em processo de desidratação. Daí a importância de se ter sempre no armário dos remédios soluções de reidratação oral. Devem ser evitados medicamentos contra a diarreia tais como o Imodium, os antissépticos intestinais (panfurex, nifuroxazide) e os anti-inflamatórios não esteroides (AINS) tais como o Advilmed e o Nurofenpro.