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26.04.2018, 12:01

Encruzilhadas da vida. Saber escolher o caminho e encarar as mudanças

Momentos de transição são inevitáveis. Alguns são anunciados (um nascimento, uma rescisão de contrato). Outros chegam de modo inesperado (uma doença, um encontro romântico). Às vezes, as mudanças nos desviam brutalmente do caminho que estávamos seguindo. Elas nos desestabilizam e nos mergulham na desorientação psíquica. Mas uma coisa é certa: É ao largar o que é antigo que finalmente podemos receber o novo.

 

Por Pascale Senk – Le Figaro Santé

Com a evolução da sociedade, as mudanças de trajetória são cada vez mais frequentes. É o que constata a psicanalista e coach Luce Janin-Devillars, autora de «Estar melhor no trabalho» (Editora Michel Lafont). «Hoje, os conceitos de sustentabilidade emocional, familiar ou profissional não existem mais. Ao casar, muitos casais sabem que provavelmente irão se divorciar, ela observa. Devemos estar prontos para viver muitas vidas em uma única existência!»

A psicanalista e psicóloga social Anasthasia Blanché por sua vez, realiza há seis anos, seminários sobre este tema das transições no Instituto Internacional de sociologia clínica. Para ela, há por um lado o evento externo (que seja familiar, histórico ou profissional), mas sobretudo o que ele faz vacilar e ressoar internamente.

 Ressurreição

«Na psicologia, muitos estudos foram realizados sobre as etapas de transformação em crianças e adolescentes e apenas alguns em adultos lamenta a psicanalista. No entanto, os períodos de distúrbio, às vezes de tempestade, causados por certas mudanças, têm repercussões internas. Quem confrontou estes períodos morre pelo que era, vai ressuscitar, mas por algum período intermediário, ele está aí, tendo perdido suas marcas e ainda não tendo se integrado na sua nova identidade. As oficinas de Anasthasia Blanché - de três dias – funcionam então como uma câmara onde ele pode recuperar seus espíritos.»

Desorientada, uma jovem senhora que acaba de dar a luz e não sabe se ela deve morar mais perto de seus pais. Cheia de dúvidas, uma outra mulher que, aos 52 anos de idade, acabou de conhecer um novo amor: é preciso ir morar com ele com o risco de perder sua liberdade tão duramente conquistada? Desanimado, um homem que se formou tardiamente e deve encontrar um novo emprego.

Recursos internos

Graças a um trabalho sobre o passado de cada um, exercícios coletivos e um apelo à criatividade, todos deixarão o seminário melhor qualificados para enfrentar estes tempos conturbados. «Sobretudo se eu lembrar a eles  que, se estão vivos hoje é porque já souberam atravessar períodos desestabilizadores, explica Anasthasia Blanché. Eles têm dentro deles os recursos para conseguir novamente. Estes últimos estão embutidos, mantidos em segredo, mas basta pouco para lhes dar uma nova vida. Às vezes, a simples pergunta: “Como é que você fez no passado?” já é suficiente»

Pesquisas recentes sobre os processos de resiliência (ler abaixo), esta capacidade de se recuperar de períodos difíceis, mostram que os recursos individuais comprovados na maioria dos casos são a autoestima, o sentimento de controle sobre sua vida, a capacidade de causar simpatia, a criatividade, o humor, etc... Muitas armas que permitem avançar apesar da dúvida e do medo do desconhecido.

Para Luce Janin-Devillars, o recurso essencial do qual dispomos nestes tempos de desestabilização se resume mais frequentemente em uma única palavra: o terceiro. Que ele seja de um grupo de apoio, um especialista, de uma associação de pessoas à procura de emprego… «Precisamos de alguém, de modo neutro, que não é retirado da nossa história, como alguns parentes que têm medo por nós, alguém que pode nos fazer voltar às nossas forças e fraquezas », afirma a especialista.

Renunciar ao controle

Estas pessoas que podem manter por um longo período de tempo, relacionamentos significativos, relações afetivas positivas e estáveis com aquele que vive uma situação de adversidade, são muitas vezes referidas como «pontos de ancoragem pessoais», «mentores» ou «tutores de resiliência».

Observamos, portanto a contribuição eminentemente positiva das redes de apoio formadas por amigos, colegas de escola ou de trabalho, grupos associativos, etc. Eles tecem então uma verdadeira «rede de proteção» ao redor da pessoa embrenhada nos turbilhões de sua vida. «É então, paradoxalmente, que ao ousar dar um tempo ao controle de sua trajetória,  podemos nos reconectar ao nosso desejo mais profundo », constata Luce Janin-Devillars.

Em termos de mudança, uma evidência parece perene: é ao largar o que é antigo que finalmente podemos receber o novo.

 


NOTA DA REDAÇÃO: RESILIÊNCIA, A PALAVRA MÁGICA


Sete passos para aumentar a resiliência. Quanto mais resiliente você for como profissional, maior será sua vantagem competitiva

 

Saber atuar sob pressão, responder rapidamente em momentos de crise, demonstrar criatividade e encontrar soluções, mesmo com poucos recursos, são algumas das características profissionais mais valorizadas no ambiente corporativo.

São também algumas das características básicas da resiliência, conceito emprestado da física, hoje muito usado na gestão de RH.

Originalmente, a resiliência é a capacidade que alguns materiais têm de acumular energia quando submetidos à pressão e, depois de absorver o impacto, voltar ao estado original sem deformação, como se fosse um elástico.

No comportamento humano, a resiliência é a habilidade de se adaptar e superar adversidades e situações estressantes, de forma saudável e construtiva, sem se deixar afetar por elas.

Em outras palavras, uma pessoa resiliente é aquela que:

- Tem energia e disposição para enfrentar dificuldades, em vez de se deixar abater;

- É capaz de atuar com competência, mesmo sob forte pressão;

- Antecipa crises, prevê obstáculos e se prepara para lidar com eles;

- Tem atitudes positivas, realistas e firmeza de objetivos;

- Recupera-se mais rapidamente após sofrer revezes e não muda sua essência depois de passar por experiências difíceis.

Desenvolver a resiliência é fundamental para enfrentar os desafios pessoais e profissionais. Também ajuda a ser bem-sucedido profissionalmente, uma vez que a pressão por resultados, as mudanças e as crises são constantes.

No mundo atual, quanto mais resiliente for o profissional, maior será sua vantagem competitiva.

Além disso, o conceito da resiliência começa a ser percebido como uma capacidade transformadora, diante da necessidade de adaptação de indivíduos e empresas ao ambiente de negócios, em plena transformação.

Quanto mais resilientes forem os profissionais, mais resilientes serão também as empresas em suas jornadas de transformação.

Confira 7 passos para aumentar a resiliência:

1) Mantenha o foco no futuro. Olhe para frente e não se prenda ao passado.

2) Mantenha-se motivado. Lute por seus sonhos e objetivos. Quem trabalha por seus ideais não tem tempo para chorar mágoas.

3) Invista em seus relacionamentos. Eles são uma grande fonte de apoio e de encorajamento.

4) Mude o hábito de colocar defeito nas coisas e de ver apenas o que as pessoas têm de pior. Combata o costume de ter uma opinião formada sobre tudo.

5) Redescubra as coisas que lhe dão prazer. Fique atento as suas necessidades. Cuide de sua mente, de seu corpo e de sua saúde.

6) Fique atento às necessidades dos outros. Contribuição e compaixão aumentam a resiliência.

7) E não permitia que as emoções negativas dominem você, prejudicando o seu desempenho.