LeFigaro
 (photo: )
Conteúdo oferecido por Caixa Seguradora
14.08.2018, 21:03

O espinafre é rico em ferro. E mais nove crenças sobre alimentação

Alguns dos nossos hábitos alimentares são ditados por crenças que podem ser muito antigas crenças. Le Figaro Santé decidiu saber a verdade sobre algumas delas.

 

Por: Le Figaro Santé  

 

1. Envelhecendo, temos menos necessidade de comer

É verdade que, envelhecendo, muitas pessoas têm pouco apetite, às vezes devido a distúrbios digestivos ou metabólicos, ao estresse, a uma depressão. Nesses casos é preciso intervir e propor aos seniors um regime equilibrado, com vitaminas e proteínas, e evitar toda monotonia, para responder às necessidades nutricionais e aos gastos energéticos que, ao contrário do que se pensam em nada diminuem com o passar dos anos. Sem esquecer do prazer de comer, muito importante e que precisa ser preservado: se não houver contraindicações, degustar uma fatia de doce ou um copo de vinho, se possível em boa companhia, podem fazer muito bem ao idoso.

 

2. O azeite de oliva é o melhor que existe

Sem negar suas várias propriedades benéficas – seus ácidos graxos mono e poliinsaturados desempenham um papel importante na prevenção das doenças coronarianas -, é preciso dizer que o azeite de oliva é relativamente pobre em ômega 3, recomendado pelos nutricionistas. Estes últimos recomendam, no quotidiano, misturar em partes iguais o azeite de oliva e o óleo de colza,  para se obter uma boa relação ômega 3 e ômega 6. E atenção: ambos esses óleos não devem ser aquecidos em temperaturas muito altas. Por fim, é uma grande bobagem demonizar a manteiga e o creme de leite, desde que seu consumo permaneça moderado.

 

3. O processo de conservação UHT (ultrapasteurização) preserva todas as vitaminas

O processo UHT consiste em aquecer o leite durante 5 segundos a fim de destruir os micróbios e desativar as enzimas. Quando se faz isso, uma parte das vitaminas A e B contidas no leite de vaca é destruída. Mas essa perda é limitada, e as vantagens do procedimento (destruição de patógenos e longa conservação) fazem com que o UHT faça muito sucesso junto aos consumidores.

 

4. O espinafre é muito rico em ferro

Não exatamente. Em todo caso, o espinafre é bem menos rico em ferro do que as lentilhas (3,3 mg/100 g), o chouriço negro (20 mg/100 g) e as algas marinhas (mais de 100 mg/100 g)! Essa lenda é devida a um erro de transcrição da secretária do bioquímico alemão Emil von Wolff, que fazia tabelas dos valores nutricionais dos alimentos: uma vírgula mal colocada, e o teor de ferro do espinafre passou de 2,7 mg/100g para 27 mg/100 g! Isso foi em 1870. Décadas depois, a chegada de Popeye, o marinheiro dos músculo de ferro, reforçou essa crença.


5. É melhor tomar chá verde que chá preto

Não exatamente. O consumo de ambos os chás faz bem à saúde, embora o chá verde se beneficie de uma imagem particularmente favorável por parte do público consumidor. Suas folhas secas porém não fermentadas são, com efeito, ricas em antioxidantes: polifenóis, catequinas – particularmente de uma catequina benéfica denominada EGCg. Como o processo de fermentação que cria o chá preto transforma esse composto, concluiu-se, talvez um tanto depressa demais, que o chá verde era melhor. Mas descobriu-se depois que as tearubiginas, substâncias que dão a cor e o sabor do chá preto, são igualmente antioxidantes. Ainda precisa ser confirmado o propalado efeito positivo dessas moléculas contra as afecções cardíacas. Cada um, portanto, pode escolher o chá que prefere. Ambos são bons.

 

6. Tomar sopa faz crescer

Bobagem. As crianças que escutam esse velho ditado sabem bem que se trata de um truque dos seus pais para obriga-las a comer legumes. E são esses, ricos em vitaminas, que são bons para o crescimento, mas certamente sem ser capazes, sozinhos, de fazer com que a criança ganhe alguns centímetros. As proteínas são o verdadeiro carburante do crescimento durante a infância e a adolescência, sejam elas de origem vegetal (leguminosas) ou animais (carnes, ovos, etc).

 

7. As ostras estão cheias de colesterol

Não exatamente. Elas contêm cerca de 50 mg de colesterol por 100 g de carne de ostra (em comparação, 80 mg de colesterol para três pequenas costeletas de cordeiro), ou seja, uma quantidade bastante moderada. Sobretudo, as ostras são ricas em ácidos graxos poliinsaturados, notadamente aqueles da família dos Omega 3, bons para a saúde cardíaca. Não é, assim sendo, o caso de excluir as ostras da nossa alimentação, até porque elas também nos fornecem vitaminas do grupo B, vários minerais e oligoelementos importantes para a saúde.

 

8. O consumo da toranja (grapefruit) traz muitos benefícios

Nem sempre. Na forma de suco, deve ser evitada por quem toma certos medicamentos contra o colesterol, notadamente a sinvastatina. O mesmo para quem toma imunossupressores prescritos contra a rejeição de transplantes. A razão disso é que o suco de toranja pode aumentar a absorção de certos medicamentos pelo organismo, aumentado desse modo os seus efeitos secundários. É recomendável evitar beber suco de toranja nas duas horas que antecedem a tomada de medicamentos e, mesmo assim, limitar o consumo desse alimento. Melhor ainda será pedir conselho ao seu médico.

 

9. Os aditivos alimentares são cancerígenos

Não exatamente. As autoridades sanitárias lembram que cada aditivo é submetido à autorização oficial depois de muitos estudos para atestar a sua inocuidade. O que não significa que tais produtos, largamente utilizados pela indústria agroalimentar (colorantes, antioxidantes, agentes de textura) não sejam, às vezes, problemáticos para a nossa saúde. Por exemplo, alguns deles podem provocar alergias, e outros, suspeitos de provocar distúrbios, são vigiados e controlados em permanência pelos órgãos de saúde pública.

 

10. O leite de cabra é o melhor de todos

O leite de cabra tornou-se muito popular hoje em dia porque sua composição é a mais próxima do leite maternal humano. Ele é ligeiramente mais rico em proteínas que o leite de vaca e melhor provido de vitaminas e elementos minerais. Mas ele é mais gorduroso. Além disso, o consumo dos leites de cabra e de ovelha podem provocar alergias (diferentes das alergias provocadas pelo leite de vaca).