“Cunha vai ser cassado sem dó e não terá 150 votos”

A opinião é do analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap); “É claro que sinalizaram a ele que teria mais chance de sobreviver se renunciasse à presidência da Câmara. Isso foi dito a ele por vários interlocutores, mas foi mais como um gesto de aliados do que propriamente tem relação com a realidade. Na hora em que for ao plenário, com votação aberta, ele não vai ter 150 votos. Vai ser cassado sem dó”, diz

Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em coletiva de imprensa, em Brasília 05/05/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em coletiva de imprensa, em Brasília 05/05/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Valter Lima)

Eduardo Maretti, da RBA - “A chance de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conseguir manter o mandato é muito baixa. Por mais que haja DEM, setores do PMDB e até apoio do Palácio do Planalto, com votação aberta no plenário da Câmara, é praticamente impossível ele salvar o mandato.” A opinião é do analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Para que Cunha seja cassado, é necessária a maioria absoluta, pelo menos 257 votos dos 513 deputados que compõem a Câmara. O fato de a votação ser aberta torna a situação do ex-presidente da Câmara praticamente definida, diante das denúncias concretas que pesam contra ele.

Nem o chamado “acordão”, que estaria por trás da renúncia, pelo qual Cunha salvaria o mandato, com o apoio do governo interino de Michel Temer, será suficiente para evitar a cassação. “É claro que sinalizaram a ele que teria mais chance de sobreviver se renunciasse à presidência da Câmara. Isso foi dito a ele por vários interlocutores, mas foi mais como um gesto de aliados do que propriamente tem relação com a realidade. Na hora em que for ao plenário, com votação aberta, ele não vai ter 150 votos. Vai ser cassado sem dó”, diz Queiroz.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) tem entendimento semelhante. “Se é acordão, me parece que é inútil, porque ele não escapa da cassação. Quem está dentro da Câmara sabe que ele não escapa, tendo havido acordão ou não”, disse Damous à RBA. “Esse suposto acordão não será suficiente para livrá-lo, o destino dele já está traçado.”

Cunha é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras, quando negou possuir contas no exterior, e também de ter ocultado contas bancárias na Suíça. “A cassação parece inevitável porque está evidente o envolvimento de Eduardo Cunha com uma série de crimes”, afirma Queiroz.

Ele é réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) relativas à Operação Lava Jato, nas quais é acusado de receber propina relacionada a projetos da Petrobras, na África, e de possuir as contas não declaradas na Suíça.

Como presidente da Câmara, o peemedebista seria julgado pelo plenário da Corte. Mas agora, apenas como deputado, de acordo com o regimento do tribunal, o julgamento cabe a uma das turmas. O caso de Eduardo Cunha será apreciado pela Segunda Turma, composta pelos ministros Gilmar Mendes (presidente), Celso de Mello, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Teori Zavascki.

“Ele vai tentar manobras na CCJ para ver se consegue se submeter a uma nova votação no Conselho de Ética, mas acho que nem essas tentativas terão o condão de salvá-lo, diante das falcatruas que foram descobertas, com envolvimento direto do pessoal dele e de sua família. Não vejo chance de ele salvar o mandato”, diz Queiroz.

“O Congresso, sob pressão da sociedade, vai julgá-lo considerando tudo isso. O máximo que ele pode conseguir nas manobras na Câmara é o adiamento do desfecho, talvez por mais 15 dias.”

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