Gim recebeu R$ 1,5 milhão por anunciar disputa ao GDF, afirma delator

O ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho afirmou, em delação premiada, que o ex-senador Gim Argello (PTB) recebeu R$ 1,5 milhão da empresa depois de informar que tinha interesse em disputar o cargo de governador do Distrito Federal em 2014; delator também afirmou que o ex-parlamentar apresentou pelo menos uma emenda favorável à empreiteira no Senado em contrapartida às contribuições da empresa; alvo da Lava Jato, Gim está preso em Curitiba; ele foi condenado a 19 anos de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e obstrução à investigação

Senador Gim Argello (PTB-DF) manifesta apoio para aprovação do substitutivo ao Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 787/2009, que facilita o acesso de produtores rurais ao desconto na conta de luz de sistemas de irrigação
Senador Gim Argello (PTB-DF) manifesta apoio para aprovação do substitutivo ao Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 787/2009, que facilita o acesso de produtores rurais ao desconto na conta de luz de sistemas de irrigação (Foto: Leonardo Lucena)

Brasília 247 - O ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho afirmou, em delação premiada, que o ex-senador Gim Argello (PTB) recebeu R$ 1,5 milhão da empresa depois de informar que tinha interesse em disputar o cargo de governador do Distrito Federal em 2014.

De acordo com ex-executivo, os repasses ocorreram entre julho e agosto de 2010. Argello acabou não concorrendo em 2014, último ano em que o petebista foi senador - seu mandato começou em 2007.

O delator afirmou que a conversa com Gim (apelidado de "Campari" nas planilhas da Odebrecht) aconteceu em um hotel de Brasília e disse que o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, concordou com os repasses ao então parlamentar, porque "em algum momento poderia ter investimentos aqui no DF".

"Nessa oportunidade, o senador Gim Argello, que é uma pessoa muito eloquente na hora de falar, disse que era presidente do partido dele aqui em Brasília, e disse ao Marcelo [Odebrecht] que, em função de ser presidente do partido e em função também de ter uma expectativa de na próxima eleição, portanto 2014, ser candidato ao governo do DF, então ele solicitou, ele perguntou se existia possibilidade de a Odebrecht fazer contribuições de campanha, a título de campanha, na eleição que viria, de 2010", contou Melo Filho.

Em outra oportunidade, também em 2014, Gim teria pedido mais dinheiro. Depois, a Odebrecht repassou R$ 1,8 milhão, de acordo com o ex-executivo. Melo Filho disse que os pagamentos foram realizados desta forma: R$ 250 mil para o PTB distrital; R$ 50 mil para a conta da candidatura do ex-senador; e o restante foi repassado pelo "departamento de propinas" da Odebrecht, chamado oficialmente de "Setor de Operações Estruturadas".

MP em favor da Odebrecht

O delator também afirmou que Gim apresentou pelo menos uma emenda favorável à Odebrecht no Senado em contrapartida às contribuições da empreiteira. "Teve uma medida provisória que a equipe nossa tratou e eu falei com o senador, só pra pegar o número da emenda aqui, foi a emenda 92, e a MP 599", complementou. "Como a gente sempre faz pelo caminho legislativo, as empresas que se interessam por algum tema preparam notas explicativas, notas técnicas que justifiquem a discussão que pode ser inserida por aquele tema específico", acrescentou.

O advogado de Argello, Marcelo Bessa, disse, conforme o G1, que ele "jamais solicitou ou recebeu os valores indicados pelos delatores". "As afirmações, que são feitas sem qualquer prova independente a lhes dar suporte, são mentirosas".

Lava Jato

Gim Argello já foi condenado a 19 anos de prisão na Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e obstrução à investigação. Na mesma ação, o ex-parlamentar foi absolvido do crime de organização criminosa.

Segundo as investigações, ele pediu contribuições de empreiteira para não convocar empresários para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras, em 2014. Gim está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, desde abril de 2016.

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